Fisker Karma será feito na mesma fábrica do Porsche Cayman

Valmet será a responsável por desenvolver e produzir sedã elétrico
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Gustavo Ruffo
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- Em janeiro deste ano, a Fisker revelou o nome de seu primeiro carro próprio, o Karma. Além de marcar a independência da empresa, que só modificava modelos de outras marcas, o sedã tem mais um aspecto importante: será o primeiro híbrido moderno de produção em série com propulsão exclusivamente elétrica, superando, com isso, o Chevrolet Volt. Isso porque o Volt está prometido para 2010. Já o Karma está confirmado para o final de 2009. Ainda mais agora, que a Fisker fechou contrato com a Valmet, na Finlândia, para a produção do sedã.

Para a maior parte das pessoas, Valmet é um nome ligado a tratores, mas não só. Essa empresa também é responsável pela montagem dos Porsche Boxster e Cayman. No caso da Fisker, ela será responsável também pelo desenvolvimento técnico do Karma. Segundo o presidente da empresa, Ilpo Korhonen, o novo produto garantirá 500 empregos na fábrica pelos próximos anos. A produção anual do Karma deve ser de 15 mil unidades.

Com preço estimado de US$ 80 mil, o Karma pode ter suas baterias de íons de lítio carregadas em tomadas comuns de 110V, o que vem sendo chamado pelas fabricantes de “híbrido plug-in”. Contando apenas com a recarga em tomadas, o sedã pode percorrer até 80 km por dia, distância mais do que suficiente para os deslocamentos da maioria das pessoas.

O primeiro veículo a propor essa solução foi o Chevrolet Volt, que também está cotado para ser produzido em série, mas deve chegar mais tarde ao mercado. O prazo estimado pela GM é 2010. A vantagem para o consumidor é que ele será bem mais acessível que o novo Fisker, ainda que isso o faça ter um desenvolvimento mais lento.

No caso do Karma, a vantagem dele é se destinar a um público muito sofisticado e, por isso, não sofrer muitas restrições orçamentárias para começar a ser vendido. Ele terá, por exemplo, apenas quatro lugares. Todos individuais: serão dois na frente e dois atrás. As rodas, de aro 22” de série, são um exemplo claro do que se pode esperar do Karma. Fora elas, haverá DVD individuais para os passageiros do banco de trás, navegador por GPS e outras utilidades eletrônicas.

Todas as referências de tamanho do Karma se ligam a seus concorrentes diretos. Segundo a Fisker, ele tem altura próxima da de um Porsche 911, o comprimento de um Mercedes-Benz CLS e a largura de um BMW Série 7.

Pode parecer exagero comparar o desempenho de um modelo híbrido ao do mítico 911, mas o Karma acelerará de 0 a 100 km/h em menos de 6 s e sua velocidade máxima será de mais de 200 km/h. Nada mal para modelos que normalmente são considerados lentos.

Outro mimo que a empresa reservará a seus clientes será a primeira tiragem do modelo. Os primeiros 99 Karma serão todos pintados na mesma cor do modelo exibido em Detroit neste ano, numerados e assinados pelo próprio Fisker. Se o carro, em si, já pode se tornar item de colecionador, numerado e assinado seu valor pode ir às alturas.

Uma das coisas que facilitaram a vida da Fisker foi a sorte de contar com um sistema de propulsão pronto, o Q-Drive, criado pela empresa Quantum Technologies. Ele consiste de baterias de íons de lítio que podem tanto ser alimentadas pela rede de eletricidade das casas quando postas para recarregar quanto por um pequeno motor a combustão.

Outras fontes de energia elétrica para o carro são provenientes do teto com células fotoelétricas, que mantém o ar-condicionado funcionando com o Karma estacionado, e da frenagem regenerativa, que recupera parte da energia gasta nas paradas.

Com isso, se a autonomia de 80 km for insuficiente para algum dos deslocamentos de seu proprietário, o motor a gasolina entra em funcionamento e recarrega as baterias. A vantagem em relação a usar este motor diretamente para impulsionar o sedã é que ele trabalha sempre com o melhor compromisso entre emissões e consumo. Com isso, o sedã Fisker poderá ter uma autonomia de até 1.000 km ou mais, dependendo do tamanho que o tanque do carro vai ter ainda não divulgado.

Para explicar a escolha do nome, a Fisker se preocupou em dizer o que ele significa. “No Budismo/Hinduísmo, carma é definido como a força gerada pelas ações boas ou ruins de alguém, que determina a natureza da próxima existência dessa pessoa”, informa o texto de apresentação do sedã. Não se sabe se o sedã vai influenciar ou não no carma de alguém, mas seu sucesso será determinante para a existência futura de sua fabricante.

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