Guia de Compra – Kia Sportage

Coreano bom de briga que chegou por aqui na época do Fernando Collor
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No final dos anos 80, o Brasil vivia uma fase complicada: inflação galopante, descontrole orçamentário e um cenário político frágil que ainda sentia os reflexos de mais de duas décadas de ditadura. Era neste caldo cultural que uma indústria automobilística provinciana caminhava de forma claudicante, a ponto de seus produtos serem chamados pelo então presidente Fernando Collor de Mello, de “carroças”.

Com a reabertura dos portos, o país voltou a entrar na mira dos grandes conglomerados internacionais, que viam o Brasil como mais um potencial mercado repleto de consumidores ávidos por novidades. Nesta esteira, novas marcas de carro começaram a aparecer nas ruas brasileiras, em sua maioria, representadas por modelos importados que, com suas inovações, passaram a obrigar as fábricas brasileiras a se mexer para recuperar o tempo perdido devido a anos de reserva de mercado.

Uma dessas novas marcas que por aqui aportaram foi a Kia, um desconhecido fabricante coreano cuja história começou a ser escrita quando ainda o mundo estava mergulhado na II Grande Guerra, uma vez que sua fundação data de 1944. De sua sede em Seul, mudou-se durante a Guerra da Coreia para a cidade portuária de Pusan, no sul do país e passou a se chamar Indústrias Kia. Até então, fabricava apenas bicicletas e destas passou aos scooters, caminho que somente chegou na fabricação de carros em 1974, quando lançou o Brisa. Dois anos depois comprou a Asia Motors e em 1978, começou a fabricar motores a diesel, entretanto, enfrentou turbulências nos anos 80, das quais saiu graças à ajuda recebida da Mazda, da C. Itoh e da Ford.

E foi justamente no período que deixava para trás as dificuldades que a Kia aportou por aqui, já sob sua nova denominação, Kia Motors Corporation (KMC), depois de ter realizado um dos maiores programas de reestruturação da indústria automobilística mundial. Em 1992 ela lançou oficialmente suas bases por aqui, na cidade de Itu (SP) e pátio de importações de veículos localizado em vitória (ES). Suas operações começaram, de fato, em janeiro de 1993, quando os primeiros modelos da marca – o SUV Sportage e o sedan Sephia – começaram a desembarcar no porto capixaba.

Uma nova opção

Aliás, o Sportage talvez tenha sido o responsável por alavancar a imagem – e as vendas – da marca no país, pois graças a seu estilo aventureiro, motor diesel com tração 4x4 e preço competitivo, passou a atrair a atenção de uma significativa parcela de consumidores jovens que buscava uma opção às pick ups. Além disso, para demonstrar confiança em seus produtos, a Kia foi uma das primeiras a oferecer cinco anos de garantia.

Os primeiros Sportage que chegaram por aqui eram modelo DLX e tinham motorização diesel 2.2, em linha, que gerava 65,3 cv de potência, que logo foi considerado fraco demais pelos brasileiros. Logo depois a Kia trazia o Sportage movido a gasolina, com motor 2.0 16V, de 128cv e que oferecia a opção da transmissão automática. Em 1999, o antigo motor diesel aspirado dava lugar ao novo turbo diesel, que então passava a gerar 87 cv e neste mesmo ano era importada a versão Grand, com porta-malas de 520 litros (a versão normal oferecia capacidade para 384 litros), enquanto que o ar-condicionado, de opcional, passava a ser item de série no Sportage.

Mas a vida do Sportage com motor a gasolina encerrou-se em 2001 e dois anos mais tarde o board brasileiro da empresa, em conjunto com a matriz coreana, decidiu que era hora de suspender a importação do carro e assim, a partir de 2003, o Brasil deixava de receber o SUV, após terem sido vendidas por aqui 15.300 unidades.

Dois anos depois, a subsidiária brasileira da Kia anunciou a chegada da segunda geração do carro, que compartilhava sua plataforma com o Hyundai Elantra e com um dos SUVs da marca, o Tucson. O carro tinha ganhado novas linhas mas parece que seu design não entusiasmou o consumidor brasileiro, que a esta altura, começava a se engraçar com o próprio Tucson, que vinha mais equipado e tinha seguro, em média, mais baixo. Aliás, muitos dos admiradores da primeira geração do Sportage, dizem que esta segunda geração não foi capaz de conseguir manter a personalidade que o carro tinha até então. O carro vinha equipado de série com ar-condicionado manual, preparação para som, freios ABS, controle de tração e duplo air-bag frontal e tinha duas opções de motorização: V6 2.7, de 175cv (O mesmo que no Tucson gerava 180 cv) e o 2.0, de 142 cv.

Lindo e pecador

Mas foi em 2010 que a Kia conseguiu de vez resgatar a imagem de seu SUV, muito disso, graças ao talento do projetista Peter Schreyer, que vindo da Audi, conseguiu, após quatro anos de trabalho, conferir uma nova personalidade aos carros coreanos. Apresentado no Salão de Genebra de 2010, o carro apresentava linhas futuristas que remetiam à ideia dos carros-conceito que se vê nas pranchetas e devaneios dos estilistas, mas a terceira geração do Sportage era isso e mais um pouco, pois tão logo foi visto em solo europeu e asiático, passou a arrancar suspiros e a conquistar consumidores. Nos Estados Unidos chegou a ganhar o Top Safety Pick, pelo Insurance Institute for Highway Safety (IIHS), após receber nota máxima em crash test de segurança frontal, lateral traseira e capotamento.

Com linhas bastante marcantes ao longo de seu corpo e uma cintura alta e vincada, o Sportage também trazia farol dianteiro bastante delineado com máscara negra e um capô e traseira elevados, que lhe conferiam um porte avantajado e invocado, complementado pelas rodas de 18 polegadas calçadas com pneus 235/55 Hankook em todas as três versões de acabamento. No motor, o carro também estava melhor, equipado com um propulsor 2.0 16V alimentado a gasolina, capaz de desenvolver 166 cv a 6.200 rpm e torque de 20,1 kgf.m a 4.600 rpm, 24 cv a mais que a versão anterior.

Na primeira, ar-condicionado, trio elétrico, direção elétrica, som, entrada para iPod e MP3, alarme, rack de teto, sensor de estacionamento, entre outros mimos. Na intermediária, tração 4x4 para o modelo com câmbio automático, repetidor de piscas nos espelhos retrovisores, assento do motorista com ajuste elétrico e controle de estabilidade. Na versão topo de linha, além dos itens citados nas duas anteriores, airbags laterais e de cortina, câmera de ré e teto solar.

Apesar de tudo, houve quem reclamasse da falta de outros itens que podem ser encontrados em outros veículos do mesmo padrão – além de considerarem o carro caro pelo que oferece, sempre em comparação com concorrentes da mesma categoria. Por exemplo, nem a versão top do carro vem com ajuste de profundidade do volante, saída traseira de ar, paddle-shifts (troca de marchas no volante), piloto automático com mostrador de ajuste de velocidade, GPS ou mesmo tela touch screen no painel. Um dos “pecados” do carro seria a falta de um freio de estacionamento elétrico – no lugar existe um de pedal, semelhante ao empregado em caminhonetes desde os anos 70. Além disso, não existe uma versão a diesel e tampouco marcha reduzida para o veículo.

Em 2012 a Kia apresentou outra novidade no Sportage: o motor bicombustível Theta no lugar do Nu, que fez com que o carro atingisse, alimentado com álcool, 178cv a 6.200 rpm e torque de 21,4 kgf.m a 4.700 rpm. Além de melhorar a performance do carro, o motor flex é um bom apelo ao consumidor brasileiro, que vê nesta motorização o modelo ideal para um mercado onde a instabilidade de preços dos combustíveis é normal.

Fique Atento

Para comprar um Sportage é bom ficar atento a alguns detalhes. Se o alvo for um Sportage de primeira geração, é bom saber que o acabamento não é o item pelo qual a Kia mais prezou no desenvolvimento do carro, além do desempenho dos motores a diesel e a gasolina (ambos aspirados) deixar um pouco a desejar.

A falta dos itens acima mencionados na última geração do carro associados a seu preço, fazem com que o consumidor analise outras opções na mesma faixa de preço e ainda em relação ao Sportage 2011, não há opção de motor a diesel e nem mesmo uma marcha reduzida para facilitar a vida no fora de estrada – se bem que 99% dos compradores deste carro agora o utilizam somente em vias pavimentadas.

Recall

Até hoje não houve convocação de recall para este carro no Brasil. Na Europa já houve algumas convocações, entre elas, para troca da lâmpada de freio e do sensor de controle de estabilidade.

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