Investimentos no exterior dão força ao álcool combustível

  1. Home
  2. Bolso
  3. Investimentos no exterior dão força ao álcool combustível
Fernando Calmon
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

- Duas notícias recentes, envolvendo o álcool combustível no exterior, dão ainda mais força ao combustível de origem vegetal. A empresa estatal japonesa Nippon Alcohol Hanbai e a Petrobras assinaram um convênio para desenvolver o mercado japonês de álcool, especificamente nosso etanol. Em 2008 a previsão é de exportar 1,8 bilhão de litros/ano para iniciar a adição de 3% à gasolina. Esse volume equivale a 11% da atual produção brasileira, que já está em forte expansão com mais de 30 novas destilarias em construção. O objetivo é vender, em prazo mais longo, 6 bilhões de litros/ano aos japoneses, pois pretendem ampliar a adição para 10%.

Bill Gates, dono da Microsoft e considerado o homem mais rico do mundo, vai investir na produção de álcool. Serão cinco novas destilarias, no Estado da Califórnia, tendo o milho como matéria-prima. Esse é mais um sinal de que os EUA tendem, rapidamente, a se tornar o maior produtor mundial. Para o Brasil, que produz a partir de cana-de-açúcar, é um grande acontecimento. Os custos no País, sem subsídio, limitam-se a um terço do álcool de milho subsidiado americano. Além das pesquisas contínuas nas áreas agrícola e industrial, a produção daqui é imbatível pela combinação única no planeta de extensão territorial, área agricultável, clima e água, ideais para a plantação de cana.

Desde a criação do Proálcool, em 1975, vozes isoladas pregavam que não deveríamos ter motores a álcool. A tese exótica era de limitar a adição de álcool à gasolina em 10% e exportar o restante. Só que no passado o preço do álcool não conseguia competir com o da gasolina e, portanto, inexistia mercado. Além de se perder todo o esforço tecnológico no desenvolvimento de engenharia. Aliás, o esforço acabou prejudicado porque o gerenciamento errado do governo liquidou com o álcool, antes do início da fundamental era eletrônica.

Hoje, os motores flex promovem o suporte correto ao álcool pelas forças de mercado. Ainda falta, porém, um cenário que dê ao combustível o status de commodity internacional mercadoria cotada em bolsa. Os países não desejavam trocar a dependência estrangeira do petróleo para cair nas mãos do Brasil. As coisas vêm mudando rapidamente. O álcool de cana está mais barato que a gasolina; há crescente demanda por combustível que evite o efeito estufa e as mudanças climáticas; o flex é realidade, permitindo adaptação às condições de cada nação.

Se mais países passam a produzir ou importar álcool, o País só tem a ganhar. Com exportações em alta, cotação em bolsa e produção crescente os preços internos não vão variar tanto. Os fabricantes de veículos serão pressionados a melhorar o desempenho dos motores flex, quando utilizando exclusivamente o combustível vegetal, ao contrário da situação atual que favorece a gasolina do ponto de vista de consumo/autonomia. Os flex possuem um importante potencial de ganho em autonomia/consumo e no custo por km rodado. Para tanto é necessário investir, no lugar da atitude de coelho assustado, que passa longe de qualquer justificativa racional.

RODA VIVA

EMBORA a Peugeot ainda desminta, está certa a fabricação em Porto Real, RJ da versão sedã do 206, mas somente em 2007. O fato é que os mercados latino-americanos apreciam este tipo de compacto com porta-malas saliente, ao contrário da Europa. A Volkswagen chegou a exportar o Polo sedã para o velho continente no final de 2003. O modelo não foi bem aceito lá e não está mais à venda.

CHEGADA, no mês passado, das primeiras unidades do sedã grande Chrysler 300 C — muito bem-sucedido nos EUA — trará resultados ainda melhores, em 2006, para as marcas americanas da DaimlerChrysler. Em 2005, vendas anuais de Jeep, Dodge e Chrysler no mercado brasileiro já mostravam tendência de superar as da Mercedes-Benz.

ALGO que se deve impedir: crianças ocuparem o compartimento de bagagem, mesmo em pequenos trajetos. No Brasil, terra dos hatchs de utilitários a compactos, isso pode ser uma tentação. O risco é grande, pois nos carros modernos os dois extremos da carroceria são projetados para fácil deformação no intuito de absorver forças geradas por colisões. O proprietário também fica sujeito a multa, prevista no Código de Trânsito.

TRABALHO técnico de alto nível produzido por uma comissão da Delegacia Sindical do Grande ABC, do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo, concluiu por uma enérgica condenação de recauchutagem ou remoldagem de pneus de motocicletas. Essa prática está proibida, mas o Contran adiou por quatro vezes a entrada em vigor da resolução. Agora, finalmente, a interdição foi confirmada.

INTERESSANTE ação de marketing da Webasto. Tetos solares de sua fabricação dispõem de garantia vitalícia, enquanto o motorista mantiver o veículo em seu nome. Esse equipamento ainda mostra grande potencial de venda em um país com tanto sol, onde os conversíveis, além de caros, são menos adequados. Em países do Hemisfério Norte, os automóveis sem teto conquistaram seu público.
____________________________________
E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors