IPI: 14 carros ficaram mais caros!

Numa lista de 77 carros, só quatro são vendidos com desconto de mais de 10%. 14 estão mais caros.
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Auto Informe
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Com a redução (eliminação no caso do motor 1.0) do IPI e a redução da margem das montadoras – medidas anunciadas na semana passada – os carros vendidos no Brasil ficaram mais baratos, certo? O propósito do governo foi este: baixar o preço para o consumidor. Mas um levantamento feito pela Agência AutoInforme, com base na cotação de preços da Molicar, mostrou que uns poucos modelos baixaram efetivamente de preço, enquanto a maioria teve uma queda de preço menor do que se supunha com a renúncia fiscal e a queda da margem dos fabricantes. Pior: da lista de 77 carros pesquisados, 14 estão custando hoje mais caro do que na semana passada, antes da redução do IPI.


Apenas quatro carros têm hoje – conforme a tabela oficial divulgada pelas fábricas – descontos de mais de 10% em relação ao preço anterior. O primeiro da lista é o March S 1.0. O carro da Nissan custava R$ 34 mil e hoje R$ 29.990,00, está portanto 11,8% mais barato.


O Ka caiu 11,5% (de R$ 24 mil para R$ 21.240,00), o Fiesta hatch 11,4% (de R$ R$ 28 mil para 24,8 mil) e o March1.0 de R$ 27.880,00 para R$ 24.990,00, ou -10,4%.


Dois deles, o Sentra SL e o Sandero estão exatamente 10% mais baratos e outros oito carros ficaram com desconto entre 8,1% e 9,1%: o Palio Attravtive 1.0, o Sandero Privilege 1.6, os Tiida hatch SL 1.8 (manual e automático), o Livina SL 1.8, o Uno Evo Vivace, o Mille Economy Fire 1.0 e a picape Montana LS 1.4 (veja tabela completa).


Dos 14 carros com os maiores descontos em relação ao preço praticado antes das medidas, seis são da Nissan, três são da Fiat, dois da Ford, dois da Renault e um da GM.


Na outra ponta da lista aparecem os carros que, mesmo com a redução do IPI e da margem das montadoras, ficaram mais carros em relação ao preço praticado na semana passada. O modelo que mais subiu foi a picape Saveiro 1.8, da Volkswagen, que saltou de R$ 31 mil (preço praticado segundo a Molicar) para R$ 32.966,00, conforme tabela oficial da fábrica. Em seguida veio o Clio hatch 1.0, da Renault, com aumento de 6,3% e o Corsa sedã Premium 1.4, + 6,2%.


Onde está o dinheiro?


O comerciante João Fouad, que trabalha no mercado paralelo, vendeu na semana passada em São Paulo um Civic LXL automático por R$ 73 mil, R$ 2,9 mil a menos que o preço de tabela, que era R$ 75,9 mil. O preço de tabela caiu para R$ 69,9 mil e o carro agora é ofertado por R$ 69 mil.


Civic LXL Automático

 

 

 

 

 

Data

Preço oficial

Preço praticado

Diferença

16/mai

R$ 75,9 mil

R$ 73 mil

R$ 2,9 mil

25/mai

R$ 69,9 mil

R$ 69 mil

R$ 0,9 mil

Desconto

R$ 6 mil

R$ 4 mil

 



Observe que o preço de tabela caiu R$ 6 mil, enquanto o Preço de Verdade, isto é, o preço realmente praticado, caiu apenas R$ 4 mil. Quer dizer: o governo abriu mão de parte do imposto, o fabricante abriu mão de parte da margem de lucro, mas essas renúncias não foram revertidas para o consumidor. Veja que o exemplo é de um carro que já era vendido com desconto, portanto com baixa procura no mercado. Que dirá dos carros mais procurados pelo consumidor, que já eram comercializados a preço acima da tabela? Com certeza também terão o desconto engolido no trajeto da fábrica até a casa do comprador.


Fábricas e concessionárias estão divulgando a nova tabela com estardalhaço, anunciando os descontos ao consumidor. Mas, como se vê, nem sempre o comprador ficará com todo o benefício que reveriam resultar das medidas do governo. À vezes sem nenhum.


Portanto é preciso ficar atento na hora da compra e optar por aquelas marcas que estão de fato repassando as vantagens previstas. Ainda há muitas dúvidas que devem ser esclarecidas na hora da compra. Algumas delas:


1) O preço de tabela divulgado pelas montadoras após as medidas será respeitado? Provavelmente não, pois o que determina o preço é a oferta e a procura; não existe lei que obrigue as concessionárias a praticar o preço oficial.


2) Ao comparar o carro anterior e o posterior à redução do preço, questione se a montadora manteve as mesmas características técnicas e os mesmos equipamentos, se nada foi eliminado ou alterado.


3) Cheque se os dois carros (o anterior e o atual) são o mesmo ano modelo: 2012/2012 ou 2012/2013. Você sabe que o 2013, mesmo que seja idêntico ao 2012, pode custar mais caro, pois terá mais valor na hora da revenda.

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