Lançamento antecipado confunde o consumidor

Na Argentina é diferente: o ano-modelo só pode ser batizado com o ano seguinte a partir de 1º de abril
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- O lançamento do ano-modelo antecipado é uma ferramenta de marketing, incentiva o comprador à compra e dá a idéia de que ele terá um carro novo por mais tempo. Mas confunde o mercado e pode prejudicar muito o consumidor.

Veja o caso do Ka novo, que começou a ser fabricado este ano já como modelo 2009! Quase mil unidades do carro foram produzidas no ano passado, portanto 2007/2008. Essas unidades - destinadas a test-drive e frota da empresa – em alguns meses estarão sendo vendidas no mercado de usados como “Ka Novo”, mas ano de fabricação 2007 e modelo 2008. O desavisado que comprar um carro desses vai tomar prejuízo, pois no mercado de usados o que vale é o ano-modelo.

Uma portaria do Detran e duas resoluções do Conselho Nacional de Trânsito, permitem que a montadora batize o carro com o ano-modelo do ano seguinte a partir do dia 1º. de janeiro. Portanto, qualquer modelo lançado este ano pode se chamar 2009.

Na Argentina é diferente: o ano-modelo só pode ser batizado com o ano seguinte a partir de 1º de abril. Quer dizer, o Ka, que já é 2009 no Brasil, até 31 de março é vendido na Argentina como 2008. Mas o mais importante da lei argentina é que o carro não pode sofrer nenhuma alteração técnica, estética ou mecânica no prazo de um ano. Isso é uma garantia pra quem compra o carro: o consumidor sabe que ele não vai mudar nos próximos doze meses: não muda o ano-modelo nem mudam os aspectos físicos do carro.

No Brasil, ao contrário, o consumidor está desprotegido, porque as montadoras podem batizar o carro com o nome do ano seguinte já a partir de 1º de janeiro e podem fazer as mudanças que quiserem em qualquer época do ano.

Pode lançar, por exemplo, um carro modelo 2009 em janeiro e um mês depois mudar a linha do carro, ou lançar um motor novo, uma carroceria modificada etc.

E realmente fazem isso: a GM lançou o Celta 2007 com motor 1-litro a gasolina em abril; em junho, dois meses depois lançou o motor flex. Quem comprou o modelo a gasolina dançou.

A Ford lançou a versão nova da Ranger em julho de 2004, como modelo 2005 e em outubro três meses depois, passou a equipar a picape com o motor eletrônico 3-litros, mais moderno.

O caso do Clio foi pior. Em 2005 - como o Clio novo chegaria somente em novembro e a concorrência já tinha a linha 2006 - a Renault batizou o Clio velho como modelo 2006, a partir de agosto. Três meses depois, com a chegada do modelo novo, o mercado tinha dois carros um velho e um novo, ambos modelo 2006. Houve até um caso de duas irmãs que compraram dois Clios no mesmo dia: uma recebeu o novo e a outra, o velho.

Antes disso, a Fiat tinha feito o mesmo: lançou no Palio 2003 velho como ano-modelo 2004 no segundo semestre e em dezembro chegou o carro novo. Quer dizer: existem o 2004 novo e o 2004 velho no mercado.

Se isso é um problema para quem vai comprar um carro novo, é pior para o consumidor de carro usado, quando esses modelos forem revendidos. Ao ler um anúncio de um Clio 2007, por exemplo, o consumidor não saberá de qual carro se trata. E poderá comprar velho por novo.

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Joel Leite joelleite@autoinforme.com.br é diretor da agência de notícias especializada no setor automotivo AutoInforme. Produz e apresenta o quadro sobre automóveis no programa Shop Tour e fornece informações para vários veículos de comunicação. É especialista no mercado de automóveis desde 1984, quando começou no Jornal do Carro do Jornal da Tarde. Joel é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e pós-graduado em Comunicação e Semiótica.

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