Lancia Haizea

A força do vento
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Fernando Calmon
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- Os estilistas brasileiros vêm conseguindo destaque no exterior. Dois deles, Luiz Veiga, da Volkswagen, e Raul Pires, da Bentley, saíram do País para iniciar uma carreira com horizontes bastante ampliados. É natural que uma nova geração de desenhistas queira seguir seus passos e procure aperfeiçoamento nas melhores escolas européias de desenho. É o caso de Sabrina Raso, paulistana de 25 anos. Ela se graduou no Centro Universitário Belas Artes, em 2004, e partiu para Europa com aquela sede de aprender e ajudar a desenvolver novos produtos.

Sabrina está concluindo um curso máster no Instituto Europeu de Design IED, em Turim, e pôde participar do projeto do Haizea Vento, na língua basca. O carro conceito foi uma das atrações do 76º. Salão de Genebra, encerrado no último dia 12 de março e que completou 100 anos. É um modelo que homenageia outro centenário, o da marca italiana Lancia, do Grupo Fiat. Apresentado como uma maquete em escala real — comprimento de 4,695 m, largura de 1,935 m, altura de 1,42 m e entreeixos de 2,72 m, ou seja, porte aproximado de um Passat — exibe conceitos mecânicos e de segurança muito avançados, além de estilo e arranjo internos futurísticos.

Essa brasileira esbelta, formada em desenho industrial, descobriu que forma e função dos automóveis não podiam mais deixar de fazer parte de sua vida. Desde pequena gostava de esboçar carros e agora participar de um projeto ousado era tudo que queria:

“Trabalhar em grupo, reunindo gente de diferentes partes do mundo, foi uma experiência enriquecedora. Nossa equipe incluiu pessoas do Japão, Espanha, Bulgária, México, Índia e Turquia. Achei interessante interagir com outra mulher, a Lilia Chernaeva, representando outra cultura, embora mostrasse entusiasmo igual ao meu pelo mundo do automóvel. Além dos alunos, havia engenheiros e estilistas. Minha atuação se focou na parte interna, mas também participei da criação de alguns detalhes do exterior, além do planejamento inicial do projeto, ou brainstorming.”

A determinação está no DNA de Sabrina. “Escolhi o IED por ser uma escola conhecida mundialmente. Neste momento meu objetivo é trabalhar num estúdio de design onde eu possa desenvolver minha visão automobilística, adquirir conhecimentos e experiências. Olho com entusiasmo o Raul Pires, que começou sua carreira na Volkswagen de São Bernardo do Campo e hoje é muito respeitado na Bentley”. E não se furta em apontar alguns modelos que aprecia, do passado e da atualidade: Citroën DS, Lamborghini Countach, conceitos da Audi, Porsche 911, Mini e Renault Espace.
A idéia por trás do Haizea é seguir as melhores tradições da Lancia quanto à esportividade e luxo, garantindo ao mesmo tempo níveis elevados de segurança passiva e ativa. O projeto foi liderado pelo argentino Hernan Charalambopoulos, coordenador do curso para os estudantes, e que já trabalhou na própria Lancia e na Mitsubishi. Um aluno de pós-graduação, Ikker Lopez Totorika, optou por um conjunto motriz híbrido. O motor a combustão interna está montado na posição central traseira e à frente vão dois motores elétricos, cada um deles acionando uma roda. Assim se conseguiu um ótimo compromisso em distribuição de massas e a eficiência da tração nas quatro rodas. As potências não foram reveladas.

É de Lopez também o estilo externo, com a parte frontal lembrando um tubarão. Agrega uma solução interessante: ausência de grade e tomadas de ar. De acordo com o IED, a estrutura particular do chassi facilita o uso de uma carroceria que destaca o equilíbrio arquitetônico. Por meio da disposição assimétrica dos diferentes volumes induz uma forte sensação de movimento, a quem observa o veículo. Na traseira há menos ousadia, porém nem por isso deixa de impressionar pelo estilo limpo e traços retos.

O interior, cujo desenho básico é de Yavuz Akyldiz, teve participação intensa dos estudantes. Sem coluna central, as portas se abrem paralelamente ao carro e em sentidos opostos dianteiras, para frente; traseiras, para trás a fim de garantir máximo conforto de acesso. O compartimento de passageiros está construído em volta da estrutura longitudinal central do chassi, à qual são ancorados o painel de instrumentos e os quatro bancos individuais. Dessa forma, consegue absorver energia em caso de choque frontal, além de dotar a estrutura não apenas de boa estética, mas também de funcionalidade e resistência.

Extravagância é o mínimo que se pode comentar sobre o Haizea. Por isso mesmo, nunca passaria despercebido como um vento qualquer.

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