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As leis da Física

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Fernando Calmon
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- Depois de 10 anos em que a Inspeção Técnica Veicular ITV foi regulamentada pela primeira vez, o Brasil vai deixar passar 2006 sem uma solução para o problema. Provavelmente esse tenha sido o programa de segurança mais discutido, debatido, contestado, controvertido e mesmo conversado, nos três níveis de governo. A primeira decisão, de 1995, encarregava os Estados de gerenciar a ITV, desde as concorrências públicas às auditorias. Em algumas ocasiões, houve uma tendência em favor da pior das soluções: deixar os municípios conduzirem o processo. O resultado seria uma pulverização muito difícil de controlar e custos elevados para os proprietários dos veículos.

O programa continua sob jurisdição do Contran. Trata-se de um conselho que, definitivamente, não funciona pelo modo como foi mal concebido na lei. O tempo se encarregou de comprovar. Por sua vez, o Denatran deveria ter um papel importante de apoio ao Contran, mas permanece sem estrutura e poder político. A administração fcaptional atual tornou o cenário ainda mais confuso. Confiou a possível solução ao Congresso, onde se discute um projeto de lei há quase quatro anos, sem perspectiva de aprovação, embora o Contran detenha legitimidade para decidir sozinho.

Muito já se falou da importância da ITV, inclusive dos aspectos sociais e ambientais, além da óbvia prioridade de segurança da frota. Hoje, não existe certeza nem mesmo sobre o número de veículos em circulação. A referência mais confiável — 22 milhões de unidades — é o estudo matemático da indústria de autopeças, que precisa descobrir quanto e para quem produzir. Dois conceitos recentes sobre o imbróglio começaram a circular.

A primeira tese defende que só modelos mais novos deveriam, no início, ser inspecionados, a fim de se criar a consciência de manutenção entre os motoristas. Enquanto isso carros mal conservados, em geral vergados pelo tempo, continuariam poluindo, quebrando no meio dos congestionamentos de ruas e estradas e, pior, causando acidentes. Trata-se de uma idéia de interesse econômico, longe de resolver a situação. Ao contrário, o alvo prioritário é a frota com mais de quatro ou cinco anos de uso.

Também há alguns que sugerem a avaliação sem cobrança de tarifa e obrigatória para todos. Soa bem melhor, porque ninguém agüenta pagar mais nada aos governos. Há muito dinheiro arrecadado em impostos sobre propriedade IPVA e combustíveis CIDE que poderiam bancar a vistoria por empresas especializadas escolhidas em concorrências. Evitaria-se, assim, que a ITV fosse confundida com outro imposto, a exemplo do que ocorre de forma equivocada em relação ao seguro obrigatório DPVAT. Trata-se de uma boa idéia, talvez boa demais para um dia se tornar realidade.

Realidade da qual, certamente, estamos longe, em pleno ano eleitoral e a sua tradição de baixa produtividade legislativa. Difícil, ainda mais, acreditar que políticos reunirão coragem de condenar ao ferro-velho veículos que deveriam, há muito tempo, ter tomado esse caminho por total impossibilidade técnica e financeira. Como afirma o especialista Roberto Scaringella, as leis da física desconhecem a falta de renda da população.

RODA VIVA

MEIO a contragosto, a Peugeot também partirá para a onda da aparência aventureira, ainda neste trimestre. Quase uma conseqüência ao anunciado pela marca do mesmo grupo, a Citroën, que repete agora o conceito já lançado na Europa com a versão XTR do compacto C3. Vai oferecer na 206 SW um pacote visual semelhante ao da Palio Weekend Adventure e da antiga Parati Crossover.

MESMO afastado da arquitetura mecânica do modelo europeu, o novo Vectra evoluiu em termos tecnológicos quando comparado à geração anterior. Foi além dos novos equipamentos e da sofisticação dos acessórios. Seu conteúdo de alumínio, um metal leve e quase sempre mais caro, atinge 81 kg. Isto é quase o dobro da média atual dos automóveis fabricados no Brasil.

CONSTATAÇÃO da companhia ambiental paulista Cetesb em parceira com a Fundação Hewlett, dos EUA, após medições em campo, na cidade de São Paulo: entre 114 carros escolhidos aleatoriamente, os sete em piores condições geravam o mesmo nível de poluição dos outros 107 juntos. Mais uma situação em que só a Inspeção Técnica Veicular pode, se não resolver, pelo menos atenuar bastante.

ENTRE as razões do preço alto do álcool — demanda aquecida, final da safra e queda da produção — há outra menos evidente. A adição do corante laranja ao anidro misturado à gasolina inibe bastante a fraude fiscal e técnica com o álcool hidratado. Este continua incolor e fácil de constatar no densímetro ao lado da bomba. Só começou agora, cortando a oferta de combustível barato, mas que danifica o veículo.

QUEM sempre se pergunta o porquê da preferência maciça do pelas cores preto e prata ditadura do PP, precisa ficar sabendo. As concessionárias têm quase nenhum interesse na diversidade. Isso as obrigaria a elevar os estoques. Portanto, algo mais do que desinteresse do consumidor.

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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection

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