Mercado exportador começa a declinar

Baixa nos negócios em abril confirma dificuldades das fabricantes em vender para fora do País, por conta da taxa cambial.
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- A queda nas exportações de veículos verificada no mês de abril, em relação ao mesmo período do ano passado, já era esperada, mas é vista com certa preocupação pelos dirigentes do setor automobilístico. Segundo Rogelio Golfarb, presidente da Anfavea Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, “a pressão sobre as vendas para o mercado externo está muito forte e vai continuar enquanto o câmbio continuar nos níveis atuais”.

Comparado com o resultado de março, o volume de exportações recuou 9,4%. O setor faturou US$ 906,6 milhões em abril, ante os US$ 1.000,7 milhões registrados no mês anterior. Em relação ao mesmo período de 2005, quando o número chegou a US$ 917,4 milhões, a queda é menor, de apenas 1,2%.

No acumulado do ano, o setor apresentou alta de 8% nas vendas para fora do Brasil, comparando os primeiros quadrimestres de 2005 e 2006. Mesmo assim, isso comprova a tendência de queda. O ritmo de crescimento vinha diminuindo a cada mês neste ano, mas era sempre positivo. Abril registrou a primeira baixa no mercado. Em janeiro, o aumento das exportações foi de 20,1%, em relação ao mesmo mês do ano passado. Em fevereiro, esse número chegou a 17,3% e, em março, a 11,6%. Ou seja, cada vez mais o volume se aproxima da projeção feita pela Anfavea no final do ano passado, que era a de crescer 2,7% em 2006.

O valor do dólar em relação ao real caiu 21% desde janeiro de 2005. Esse foi o principal causador das dificuldades encontradas pelas empresas para exportar veículos. O quadro provocou um abalo nas fabricantes, como a Volkswagen, que planeja demitir milhares de funcionários por conta das baixas sofridas em suas vendas para fora do País. Segundo sindicalistas, os cortes podem chegar a 5.773.

O número de empregos oferecidos pela indústria de autoveículos sofreu queda de 0,3% em abril, comparado com março. Hoje 107.312 pessoas trabalham no setor. “Não dá para fazer uma projeção para saber se esse número vai continuar caindo”, disse Rogelio Golfarb, “mas a taxa de câmbio preocupa também nesse sentido”.

Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, considerou a hipótese de reduzir o Imposto sobre Produto Industrializado IPI dos automóveis para amenizar o problema. Essa foi uma sugestão apresentada pelos dirigentes da Anfavea, com quem Mantega tem reunião hoje.
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