Michelin Challenge Bibendum 2006

Evento tenta mostrar futuro de mobilidade sustentável no mundo
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Gustavo Ruffo
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- Foi encerrado no último dia 12, em Paris, um dos eventos mais importantes do mundo no que se refere à mobilidade sustentável: o Michelin Challenge Bibendum 2006. Criado em 1998 para comemorar o centenário do mascote da famosa marca de pneus, o Bibendum, o evento se tornou anual devido à repercussão positiva que causou, num ambiente cada vez mais preocupado com o impacto das emissões de gás carbônico e com a esgotamento das reservas de petróleo.

Dedicado à memória de Edouard Michelin, que morreu num acidente no final de maio, o Michelin Challenge contou com cerca de 2.500 participantes, entre empresas, fabricantes de automóveis e entidades de proteção ao ambiente, todos com o mesmo objetivo: debater a mobilidade sustentável e testar as alternativas possíveis com o grande público, aproximando-o do que deve ser o futuro dos automóveis.

Esse futuro, pelo que se pôde sentir no evento, já é realidade no Brasil. Trata-se da queima de combustíveis renováveis, como o álcool, o hidrogênio, o gás metano e o biodiesel, facilitada pelos sistemas flexíveis em combustível ou pelos multicombustíveis. A diferença entre eles é que os primeiros podem usar indistintamente dois ou mais tipos de combustível, mesmo misturados, enquanto os segundos estão preparados para consumir dois ou mais combustíveis, mas um de cada vez. Há também o uso de combustíveis fósseis menos poluentes, como o GLP e o gás natural.

O problema que existe na queima de combustíveis fósseis é que esse processo devolve à atmosfera mais carbono do que ela costuma suportar, uma vez que ele estava aprisionado sob a terra, na forma de petróleo. É justamente o aumento de gás carbônico que agrava o efeito-estufa na Terra.

Outra alternativa, mais próxima dos norte-americanos, é o uso de veículos híbridos, que misturam a força motriz gerada por motores a combustão e por motores elétricos. Esses veículos são, em geral, muito mais caros que seus congêneres a gasolina ou diesel.

Apesar de acessíveis aos europeus, os carros híbridos não foram, até agora, tão bem aceitos no Velho Continente por uma razão simples: movidos a gasolina, eles geram custo inicial por quilômetro rodado semelhante ao proporcionado por automóveis a diesel, que também se notabilizam, cada vez mais, por um nível baixíssimo de emissões.

O próximo passo, com relação aos veículos híbridos, será a combinação de motores a diesel com os motores elétricos, ou seja, híbridos movidos a diesel e eletricidade. A PSA-Peugeot Citroën, dentro do programa “Voiture Hybrid Diesel”, ou carro híbrido diesel, do governo francês, já anunciou a intenção de comercializar 3.000 híbridos movidos a gasóleo em 2010. Cada um deles teria um consumo médio de 30 km/l, mas o melhor nem é isso: em 2012, esses veículos chegarão ao consumidor comum fazendo 33 km/l, o famoso veículo de três litros consumidos a cada cem quilômetros rodados para ler mais, acesse o site www.techtalk.com.br, de nosso colunista José Luiz Vieira.

Pilha a combustível

O verdadeiro pulo do gato, que consistirá no abandono dos motores de combustão interna, depende do desenvolvimento e barateamento das pilhas a combustível. Esses sistemas gerarão energia limpa a partir da reação entre o oxigênio e o hidrogênio, tendo como subproduto apenas água. Em vez de um motor só, os automóveis terão quatro, um em cada roda, e não haverá mais sistemas de esterçamento, visto que a diferença de rotação de cada roda será o suficiente para que o veículo faça curvas. O veículo mais próximo dessa realidade futura é o Hy-Wire, da GM leia mais sobre ele aqui.

O problema, por enquanto, são os custos dessa tecnologia. Cada pilha é composta de diversas placas nas quais um dos materiais utilizados é a platina, metal tão nobre quanto caro. É entre essas placas que o hidrogênio H reage com o oxigênio O, gerando apenas água H²O e energia elétrica.

Outro problema sério é a manipulação do hidrogênio, tanto na rede de abastecimento quanto dentro do carro. Esse gás é altamente inflamável; para mantê-lo em estado líquido, é necessário atingir -253ºC, temperatura que apenas tanques caríssimos, preparados para pressões nada menores, poderiam suportar. Há estudos avançados nessa área, mas nada ainda pronto para ser produzido em série.

De qualquer forma, as fabricantes de automóveis mais importantes do mundo estão preocupadas em chegar primeiro no domínio dessa tecnologia, em especial a DaimlerChrysler, que inventou o automóvel como ele é hoje. “As pilhas a combustível representam uma tecnologia chave para o transporte sem emissões no futuro. Nossa frota mundial de testes está nos fornecendo informações valiosas que serão utilizadas no desenvolvimento dessa tecnologia”, afirmou Herbert Kohler, vice-presidente de pesquisas e engenharia avançada da empresa.

Veja abaixo a descrição de alguns dos carros mais interessantes do evento:

Vauxhall Zafira HydroGen3: essa Zafira, baseada no modelo inglês daí a marca Vauxhall, tira sua força de uma pilha de combustível colocada sob o capuz do carro. Elas alimentam o motor elétrico de 81,6 cv, bem fraquinho para um carro do porte da Zafira, mas suficiente para um modelo de estudos. Com ele, a minivan chega a 160 km/h de velocidade máxima e atinge os 100 km/h em cerca de 16 s. Sua autonomia, com hidrogênio líquido 4,6 k, é de 400 km.

Michelin Hy-Light: o fabricante de pneus resolveu desenvolver um automóvel com pilha a combustível para mostrar sua crença num futuro sem emissões. Foi assim que nasceu o Hy-Light, literalmente um Aquamóvel de gente crescida. A célula de combustível é alimentada por hidrogênio e oxigênio provenientes da decomposição de moléculas de água no próprio carro, por meio de energia elétrica fornecida por células fotovoltaicas, ou seja, que geram energia elétrica por meio de luz solar. Essa eletricidade poderia ser armazenada em baterias, dirá o leitor, mas as baterias são justamente o que torna carros elétricos convencionais veículos desinteressantes. Primeiro, porque as baterias contêm metais pesados, que poluem. Segundo, porque são, elas próprias, “um chumbo” de pesadas, o que compromete o desempenho e a autonomia do veículo. Os tanques de hidrogênio e oxigênio são uma forma mais limpa e eficiente, quem diria, de armazenar eletricidade, que pode ser gerada mesmo com o carro estacionado sob o sol, lógico.

Volkswagen Santana 3000 Fuel Cell: vejam só como esse veterano parece ter sete vidas. Não no Brasil, onde ele já saiu de linha, mas na China, onde até a primeira versão do carro, a quadradona, continua em produção. Naquele país, a Universidade Tongji criou um veículo movido por pilhas a combustível com a aparência de um Santana 3000 comum. As fotos comprovam que os carros andam mesmo. E que o Santana ganhou Paris...

smart fortwo cdi hybrid: esse típico urbanino, que ficou mais conhecido no Brasil por ser o carro usado por uma das personagens principais do filme “O Código Da Vinci”, combina, como todo híbrido, dois motores. Um, a diesel, gera 40,8 cv e o outro, elétrico, rende mais 27,2 cv. Esses 68 cv são mais do que suficientes para deixar o carrinho, que pesa pouco mais de 700 kg, muito divertido. Fora que o consumo, de 34,5 km/l, é de deixar qualquer um de queixo caído.

Fiat Tetrafuel: a Fiat faz jogo duro no Brasil para apresentar seu sistema tetrafuel, mas a Magneti Marelli não perdeu tempo em exibir, em Paris, como funciona o sistema que ela desenvolveu. Por isso é que você pode ver nas fotos, em plena Cidade das Luzes, um Siena e uma picape Strada. Esses veículos não são vendidos ali. O sistema tetrafuel consome gasolina pura vendida na Argentina, por exemplo, gasolina com álcool, álcool e gás natural. A maior novidade é que não é necessário usar uma chave para escolher o gás, o carro decide sozinho. Como, e se o tanque de gás foi instalado de alguma forma inovadora, sem ocupar espaço no porta-malas, é coisa que só se conhecerá na próxima semana, quando o carro já tiver sido oficialmente apresentado em Araxá, Minas Gerais.
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