Mudar ou morrer

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Fernando Calmon
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- O Salão do Automóvel da América do Norte, em Detroit, que termina este domingo, não foi marcado apenas pela crise financeira, queda de vendas e mudanças nos gostos dos consumidores do maior mercado de veículos do mundo. Claro que a época de opulência, combustível barato, modelos enormes e mudando todo ano se encerrou nos EUA. Deve-se ressalvar, no entanto, que ao contrário da GM e da Ford que não param de encolher, a divisão Chrysler da DC alcançou em 2005 um bom aumento de vendas e até avançou em participação de mercado. Indicação de que nem tudo está perdido.

Internacionalização parece ser a palavra-chave para a recuperação. O presidente mundial da GM, Richard Wagoner, anunciou que pela primeira vez na história o grupo vendeu mais unidades no exterior do que no país de origem, inclusive a inédita liderança na China, terceiro mercado mundial. A Ford aprofunda o tema, com reflexos diretos para o Brasil, por incluir o México na estratégia. Confirmou em Detroit a chegada, no segundo semestre, do Fusion — antecipado pela coluna há três meses —, sedã médio-grande na faixa de preço do novo Vectra. O engenheiro brasileiro Marcos Oliveira liderou o desenvolvimento do carro no México e está indo bem em vendas nos EUA.

Os mexicanos já exportam para cá VW Bora, Nissan Sentra, Honda Accord, Chrysler PT Cruiser e Dodge Ram. Em breve, o VW Jetta. Mas, a engenharia da Ford, em Camaçari, BA está projetando um EcoSport maior a ser produzido no México e exportação para os EUA. O novo Nissan Sentra apresentado em Detroit, por suas linhas marcantes, equipamentos e preço vai incomodar aqui. Outro mexicano, Nissan Versa, também vem para concorrer na faixa do Golf, Astra, Stilo e Focus. Do mesmo porte, o Dodge Caliber, sucessor do Neon, porém bem melhor e mais barato mesmo fabricado nos EUA, terá várias versões, uma delas provavelmente a ser produzida na fábrica da DC, em Juiz de Fora, MG.

Difícil para as marcas americanas é lidar com sinais contraditórios do mercado. Apesar da grande queda, ainda há espaço para massudos utilitários esporte SUV, em inglês derivados de pickups, como o novo Chrysler Aspen. Continua a aposta na futura propulsão híbrida combustão/eletricidade, mas a equação financeira está difícil de fechar para o consumidor. Solução mais barata é o corte eletrônico de metade dos cilindros dos motores V8, em situações de baixa necessidade de potência. Além disso, há quase certeza de que Camaro e Challenger, exibidos ainda como estudos inspirados no passado, sendo o segundo bem mais fiel às linhas originais, entrarão em produção. Com motores na faixa dos 400 cv, haja combustível...

Ao mesmo tempo, cresceu bastante a procura por crossovers: SUVs derivados de automóveis, mais leves e econômicos, como o Ford Edge, um dos destaques. Sem contar o aumento da demanda por carros menores. Estavam no salão Honda Fit igual ao nacional e Toyota Yaris eterno candidato a ser feito aqui. Japoneses e coreanos são mais ágeis na oferta, mas não se pode dizer que a GM está parada, pois tem o compacto Aveo, vindo da Coréia do Sul. Se a tendência persistir — ninguém sabe ao certo — pode abrir caminho a modelos brasileiros.

Muito bem-recebido foi o inteiramente novo e elegante Toyota Camry, automóvel mais vendido nos EUA também em 2005. Produzido lá e em breve com versão híbrida, trata-se de exemplo vivo dos temores de Mark Fields, vice-presidente da Ford para as Américas: “É mudar ou morrer.”

RODA VIVA

ANUNCIADO em Detroit, GM decidiu cortar grande parte dos descontos e oferecer preços sugeridos mais realísticos, dividindo opiniões sobre aceitação do mercado. Será que a tática funcionaria no Brasil, com clientes acostumados a promoções de todos os tipos? No passado, a tabela não diminuía por causa dos consórcios. O momento, no entanto, é atípico: preços estão ligeiramente acima dos sugeridos pelas fábricas.

CITROËN vai parar de negar a produção do C4 sedã na Argentina logo que começar a produção na China, ainda nesse semestre, e as primeiras fotos circularem oficialmente. Previsto para 2007, será um pouco maior do que o novo 307 sedã argentino, que chega em meados deste ano. A idéia é combater de frente o sucesso do Vectra, igualmente derivado de um médio-compacto esticado, no caso o Astra, que também originou o Zafira.

ENQUANTO o atual preço do combustível vegetal é prova cabal da oportunidade dos motores flex, em especial nessa pressionada entressafra da agricultura energética, vem a notícia do uso da mesma tecnologia também em aviões de pequeno porte. Centro Técnico Aeroespacial, onde nasceu o motor a álcool, já começou o desenvolvimento em colaboração com a Neiva, subsidiária da Embraer.

REPORTAGEM do Jornal Nacional só lançou confusão sobre o banimento teórico dos pneus de motos recauchutados ou remoldados. Ouviu motoboys, Contran e um fabricante do produto. Esqueceu de consultar um engenheiro que diria: não é possível produzir tal tipo de produto sem comprometer a segurança da moto.

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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection

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