O Brasil tem vez: de Frankfurt para nosso mercado

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Fernando Calmon
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- A grandiosidade do Salão de Automóveis de Frankfurt, quatro vezes maior do que o realizado em São Paulo em termos de área de exibição, vem se somar ao palco de grandes discussões estratégicas, exposição de novas tecnologias e debates sobre as perspectivas da indústria. A feira, a se encerrar neste domingo, mostrou que se a política de acordos pontuais de produção de modelos específicos entre fabricantes se acentua, por outro lado continuam as divergências sobre a melhor forma de enfrentar os desafios.

Nos dias anteriores à abertura do salão, anunciaram-se dois acordos. Fiat e Ford vão projetar juntas dois subcompactos inteiramente novos: o relançamento do Cinquecento parou em 1977 e a substituição do Ka. Ambos são produtos sem adequação ao Brasil. A BMW se juntará à GM e à DaimlerChrysler para desenvolver modelos híbridos que combinam motores a combustão e elétrico. Já no salão, Volkswagen/Audi e Porsche também confirmaram um acerto idêntico. Tudo visando economizar combustível e diminuir poluição.

A indústria automobilística mundial sabe dos problemas da disparada do preço do petróleo. Enquanto a Europa insiste na solução diesel, EUA e Japão acham os híbridos mais eficientes. A Peugeot-Citroën alega que o preço a pagar pelo veículo não compensa a economia obtida. Na Suécia, onde o diesel tem mínima presença, o entusiasmo é pelos motores flex álcool-gasolina, a exemplo do novo Saab 9-5 BioPower. A Volkswagen aposta na convergência tecnológica: motores a gasolina ou combustível vegetal que dispensem velas de ignição como os diesels. O fato é que os carros estão mais econômicos e isso, ainda, sustenta as vendas. Mas há um clamor na Europa pela redução dos impostos para compensar parte do preço da gasolina, que superou R$ 4,00 o litro.

E, afinal, a ameaça chinesa é verdadeira? Geely, Brilliance e Landwind são três marcas que aparecem pela primeira vez em Frankfurt. Acabamento e qualidade parecem toscos. Fabricantes garantem que não ccaptionão tecnologias sensíveis e apontam dificuldades de transporte e logística até a Europa. Uma indústria de futuras 10 milhões unidades/ano sempre impõe cautela...

Uma tendência são os conversíveis utilizarem capotas rígidas, em carros médios VW Eos, Astra Twin Top e até pequenos Mitsubishi Colt e Nissan Micra. Automóveis mais caros, como o novo Mercedes Classe S, avançam nos controles automáticos de distância de segurança para evitar colisões e de visão noturna. Carros conceituais novamente indicam desde evoluções próximas Ford Iosis, BMW Z4 cupê, Jeep Compass até idéias de puro show, caso dos Peugeots 20Cup e Moovie.

Neste salão, finalmente, a vez do Brasil com meia dúzia de modelos de interesse. Todas as fábricas negam, mas Fiat Grande Punto, Peugeot 206 sedã, novo Civic o sedã, não o hatch de Frankfurt e pickup Isuzu substituta da S10 são modelos certos. A Renault descartou o novo Clio III com tanta veemência que o efeito acaba invertido. O Dodge Caliber, apresentado com olho na Europa, pode perfeitamente ter uma versão produzida na fábrica mineira da DC.

RODA VIVA
PLANOS para o Golf atualmente produzido no Paraná existem pelo menos até 2011, segundo Paulo Kakinoff, diretor de vendas e marketing da Volkswagen. Já se sabe que haverá, ao longo do período, pelo menos uma modesta revitalização de linhas, a primeira já no próximo ano. Ele atribui as quedas recentes de venda do modelo à ênfase dada à produção do Fox para os mercados interno e externo.

VIDA começa difícil para o recém-lançado Renault Logan, apenas montado na Colômbia com peças importadas da Romênia. Preço baixo é seu ponto forte, mas os coreanos da ex-Daewoo agora Chevrolet esperaram a definição e estão oferecendo o também sedã Aveo, de aspecto moderno, um pouco mais barato. O Logan brasileiro deve ser um hatch e o alvo é o preço do Mille, em 2007.

CONTINUAM os palpites sobre o uso de álcool e gasolina em motores flex. A revista do IDEC Instituto de Defesa do Consumidor aconselha abastecer uma vez com gasolina a cada dez vezes com álcool e não deixar o carro parado mais de quatro dias, quando se usam álcool e gasolina juntos no tanque. Duas tolices, sem base técnica, sobre eventuais problemas de campo.

SEMANA Nacional de Trânsito 18 a 25 de setembro deste ano apresenta o tema relevante "No Trânsito somos todos pedestres". Iniciativa meritória do Denatran exige além de simples palavras. Faltam campanhas permanentes de segurança para motoristas e pedestres. Nunca se aplicaram a pedestres multas previstas no código de trânsito, mas se exigem dos motoristas cursos de direção defensiva e de primeiros socorros. Todos não são iguais perante a lei?

PROJETO de lei do deputado Wilson Cignachi PDMB-RS estende os benefícios legais dos chamados carros de coleção — mais de 30 anos de fabricação — aos “personalizados”. Ele se refere aos “hot rods” que mantêm carroceria original, porém com motores e equipamentos novos. Claro, isso divide opiniões entre antigomobilistas e exige muita discussão.
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection

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