O grande duelo

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Fernando Calmon
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- O Salão Internacional da América do Norte, conhecido como Salão de Detroit, que termina no próximo dia 23, mostra menos novidades do que em anos anteriores, mas alguns temas foram discutidos com mais profundidade.

Os veículos de propulsão híbrida — motor térmico convencional em conjunto com um motor elétrico — continuam atraindo atenção, como solução intermediária até a chegada dos modelos puramente elétricos alimentados por pilha a hidrogênio em 20 a 30 anos.

Embora Toyota e Honda tenham partido na frente, acompanhas pela DaimlerChrysler, a Ford oferece agora o Escape e a GM apresentou o utilitário esporte SUV Graphyte como protótipo. Em Detroit, as duas marcas americanas anunciaram que em 2008 contarão com a segunda geração de híbridos. Pouco se falou, no entanto, que as baterias são muito caras e têm metade da vida útil do carro completo. A substituição em sete a oito anos pode gerar um problema financeiro ao proprietário.

Entre os veículos convencionais, os lançamentos inéditos limitaram-se ao Mercedes ML, que ficou refinado para enfrentar a forte concorrência entre os SUVs; Dodge Charger, relançando a moda dos sedãs americanos de potência bruta; Ford Fusion, equivalente ao Mondeo para o mercado local; reformulação total do Mitsubishi Eclipse e do Kia Rio. Do ponto de vista técnico, destaque para a primeira pickup Honda, a Ridgeline, modelo médio pioneiro na carroceria monobloco de cabine dupla, porta-malas fechado, suspensão independente nas quatro rodas e tração 4x4 a partir das rodas dianteiras. O Cadillac STS-V, de 440 cv, é uma inesperada resposta às séries M e AMG de BMW e Mercedes: não chega lá, mas está perto.

Quanto aos carros conceituais, quase todos sinônimos de lançamentos próximos, impressionaram o superesporte Ford Shelby GR-1, de 600 cv, com sua carroceria de alumínio polido só para o Salão; o Chrysler Firepower, que herda componentes do Viper, como resposta ao Corvette, este pré-reagindo com a nova série Z de 507 cv; o Lexus LF-A, reflexo do aprendizado da Toyota na F1. Interessantes também o Saturn Aura, espécie de Astra americano, e o Acura RD-X, uma station esportiva.

Dentro do campo da extravagância, o Jeep Hurricane dois motores, 670 cv, capaz de girar em torno de seu eixo vertical, o Infiniti Kuraza, de seis lugares e seis portas laterais e o chocante Ford SynUS que mais parece um carro-forte, porém com muita diversão eletrônica interna, para isolar os ocupantes do exterior mundo cruel. Apesar das formas estranhas, utiliza a mesma plataforma do Fiesta.

Lançamentos unidos aos shows continuam a marca registrada de Detroit, este ano menos espetaculares. A criatividade da Chrysler sobressaiu com uma carroceria de stock car trocando de “pele” com o Charger. A GM arranjou um sósia perfeito do seu vice-chairman, Bob Lutz, que brincou afirmando agora poder atender a todos os jornalistas.

Apesar do bom humor, coube ao próprio Lutz uma declaração algo bombástica. Admitiu que a GM pode perder mesmo o posto de maior fabricante mundial para a Toyota. Apesar disso, manterá o seu ritmo e tentará não se deixar ultrapassar. A situação de fragilidade dos “Três Grandes Grupos” pela primeira menos de 60% do mercado, em 2004 levou o governo americano a oferecer apoio técnico de cientistas, embora o problema maior seja financeiro. O grande duelo se aproxima.

RODA VIVA
PROVAVALMENTE no segundo semestre a Honda oferecerá motor 1.500 VTI, de 100 cv, para o Fit. Continua o atual motor de 1.400/80 cv. Motor flex álcool-gasolina ainda não sai este ano, mais por excesso de cautela. A marca está satisfeita com o desempenho de vendas e será a próxima a trabalhar em três turnos na fábrica de Sumaré, SP.

QUEM se impressionou com crescimento de 52% das exportações de veículos no ano passado, precisa saber que setor de motos aumentou em 57% as vendas ao exterior. Além de romper a barreira anual de um milhão de unidades produzidas. Em 2005, o mercado interno também deve passar de um milhão de motos, o que deve atrair novos fabricantes da China e Índia.

APESAR da suspensão elevada, Gol Rallye Total Flex perde muito pouco de sua dirigibilidade e estabilidade em curvas e direcional. Em compensação, enfrenta com galhardia a buraqueira e a proliferação irresponsável de quebra-molas, que deveriam ser motivo de vergonha nacional. Quanto ao visual, suspensão alta só para quem aprecia esse estilo.

EXPERIÊNCIA interessante no Espírito Santo: 50% de desconto no IPVA no primeiro licenciamento para estimular a compra de carros novos. Alíquota de 4% é muito pesada, só amenizada a partir do segundo ano com a forte desvalorização normal do bem. Governo espera não perder arrecadação, compensada pelo ICMS, já que as vendas devem subir.

OUTRAS vozes contra “novos” extintores de princípio de incêndio. Jair Roveri e Rolando Costa, do Jornal do Engenheiro, alertam: além de custar o dobro, o monofosfato de amônia libera, em contato com o fogo, gases tóxicos com danos respiratórios agudos. O pó, ao se transformar em líquido, causa queimaduras e irritações na pele.
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon, engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Sua coluna semanal Alta Roda é publicada, desde 1999, em onze jornais brasileiros e no site WebMotors. Assina as colunas Direto da Fábrica na revista Carro e Roda Viva na revista Jornauto. Correspondente para América do Sul do site americano The Car Connection. Diretor editorial das oito revistas automobilísticas da On Line Editora. Consultor técnico, de mercado e de comunicação.

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