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País produziu mais de 200 mil veículos em maio

Foi o melhor volume registrado no Brasil em 2022; resultado foi acompanhado de crescimento também nos emplacamentos

por Evandro Enoshita

Pela primeira vez em 2022, a indústria automobilística brasileira conseguiu fechar um mês com volume de produção acima de 200 mil unidades. Foram 205,9 mil automóveis e veículos comerciais no período. Volume 10,7% superior ao de abril, quando foram fabricados 186 mil. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (7/6) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Segundo a entidade, o maior número de dias úteis e o aumento da produção tiveram impacto também no crescimento das vendas. Os 187,1 mil veículos licenciados em maio representaram uma média diária de 8,5 mil unidades negociadas - a melhor do ano! Na comparação com abril, o resultado foi 27% superior.



Em relação aos estoques, o mês de maio fechou com um volume equivalente a 20 dias de vendas, sendo 14 dias de estoque nas concessionárias e seis dias nos pátios dos fabricantes.

- Como a tendência histórica do nosso setor é de um segundo semestre mais robusto que o primeiro, estamos muito otimistas quanto à manutenção desse bom ritmo de recuperação - destacou o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite.

Apesar do resultado considerado positivo pela entidade, os números poderiam ser ainda melhores se não fossem fatores como a crise dos semicondutores e o conflito militar entre a Ucrânia e a Rússia. De acordo com a Anfavea, entre janeiro e maio deste ano as fábricas brasileiras deixaram de produzir 150 mil veículos por conta das dificuldades com o suprimento de componentes, como chips e chicotes elétricos, além de insumos como resinas, borrachas e solventes.



Preços

O resultado disso é sentido diretamente pelo consumidor. De acordo com dados da consultoria JATO Dynamics, o valor médio gasto na compra de um automóvel zero-qiolômetro, que era de R$ 86.400 em 2020, fechou o ano passado em R$ 111.950.

- O esforço para manter a produção tem sido muito maior. A guerra é um problema que sem dúvida impactou, mas o quanto impactou acaba se misturando com os problemas que temos com outros insumos. Estamos conseguindo retomar o ritmo de produção, mas com um custo mais alto - ressaltou o presidente da Anfavea.

Além do aumento no custo da produção, o gerente de desenvolvimento de novos negócios da JATO Dynamics, Milad Kalume Neto, destaca que essa elevação nos preços também está relacionada a uma mudança de estratégia por parte dos fabricantes.

- Com a produção restrita, é normal que os fabricantes acabem concentrando a oferta em modelos mais caros e que tragam maior lucratividade. Isso está acontecendo no Brasil e também em outros mercados - explica ele.
Ainda de acordo com Kalume Neto, a expectativa para o pós-crise é de uma desaceleração no ritmo de alta dos preços, que será acompanhado de uma melhora nas condições de negociação para a compra de um automóvel.

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