Para onde vai a tecnologia

Feito o balanço dos 50 anos da indústria nacional, o que o futuro nos reserva? Veja abaixo as tendências que a indústria brasileira deve seguir
  1. Home
  2. Bolso
  3. Para onde vai a tecnologia
Fernando Calmon
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

- Ser influenciado, mas também influenciar. Esse é o provável rumo que veículos projetados e fabricados no Brasil seguirão nas próximas décadas. Tudo graças aos investimentos consolidados e mesmo em expansão por parte dos grandes grupos automobilísticos aqui instalados. O Brasil já conta com quatro centros de desenvolvimento de nível mundial — Volkswagen, General Motors, Ford e Fiat — e dois campos de prova — GM e Ford — que garantem os pré-requisitos necessários. Marcas recém-chegadas também começam a aplicar mais em conhecimento local.

Serviços de engenharia, aliás, tendem a se tornar um crescente produto de exportação brasileiro e com futuro brilhante. Trata-se de verdadeiro patrimônio técnico, atuante de forma criativa e eficiente, extremamente competitivo em custos. O País demonstra competência inquestionável, na classe de veículos pequenos ou compactos, em estilo, motores, suspensões, derivações de modelos, robustez e preço acessível. Na categoria de caminhões também surpreende com os exemplos claros de Volkswagen, Ford e Agrale, além da Troller, entre os utilitários. O esportivo Lobini e o microcarro Óbvio tentam conquistar um espaço como marcas nacionais, voltando-se ao mercado externo. Espera-se, no entanto, que em médio e longo prazo as condições macroeconômicas permitam evoluir além dos dois extremos do mercado, mirando-se no caso recente do novo Vectra.

O futuro parece reservar boa presença aos crossovers. As carrocerias já não apresentam definições específicas de sedã, hatch, station wagon, minivan ou utilitário. Ao cruzar as características de duas ou mais dessas soluções, cria-se uma sexta carroceria, capaz de atender um público ávido por versatilidade e conveniência. A primeira incursão dos desenhistas brasileiros na seara dos crossovers é o SpaceFox, graças ao jeito de meio station, meio minivan. Suas dimensões atendem bem um mercado ainda bastante concentrado em modelos compactos e derivações, que respondem hoje por cerca de 80% das vendas de veículos leves, incluindo pickups e utilitários derivados de automóveis. O EcoSport, certamente, terá concorrentes nos próximos anos.

Papel-chave dos motores

A propulsão dos veículos é um elemento fundamental no mundo todo. A explosão dos preços do petróleo e os cuidados com o meio ambiente vão permear as decisões e os pesados investimentos para garantir o futuro da mobilidade. Existe uma divisão, quase cisão técnica, entre os maiores pólos produtores mundiais. Na Europa, o gás carbônico CO2 tornou-se o grande vilão pelos temores sobre mudanças climáticas de longo prazo. Nos EUA, a disparada da gasolina pode levar a uma reviravolta em direção a motores mais econômicos e veículos menores.

Os europeus insistem na opção pelo diesel para automóveis, enquanto americanos e japoneses apostam na solução híbrida, associando um motor elétrico e outro a combustão ainda a gasolina. Será muito difícil o diesel subsistir sozinho e, embora mais eficiente, seu preço tende a superar o da gasolina, além de encarecer os carros em até mais de 25%. Os híbridos, por sua vez, já são questionados. Custam bem caro para o que devolvem em economia de combustível, apresentam manutenção complexa e problemas com a reciclagem das baterias.

Motores flexíveis álcool/gasolina dominam praticamente a totalidade da produção brasileira. É a resposta racional, a um custo de fabricação desprezível, para um país de dimensões continentais, onde o combustível verde não consegue ser competitivo todo tempo e em todo lugar. No exterior desperta interesse cada vez maior. Significaria a transição suave e parcial de combustíveis fósseis a renováveis, no ritmo e na vocação de cada país, reduzindo a quase zero as emissões de CO2, se a fonte do álcool for de plantações.

Domínio da eletrônica

O papel reservado à eletrônica de bordo permitirá evoluções capazes de enrubescer as imaginações férteis. O avanço foi enorme nos últimos tempos, desde os sistemas antitravamento dos freios ao controle das caixas de câmbio automáticas, passando pelos navegadores por satélites com mapas digitais ou mesmo as opções de entretenimento e telefonia sem fio. Em termos de segurança ativa e passiva a ajuda tende a atingir os limites do fantástico. Radares e gerenciadores eletrônicos manterão distâncias seguras e até atuarão no sistema de direção a fim de reduzir drasticamente as possibilidades de acidentes. Isso ocorrerá logo que o processo de massificação derrubar os preços.

Outras vertentes do conhecimento humano também têm funções a cumprir no futuro. Alumínio e materiais plásticos, compostos e cerâmicos darão forte contribuição. Mas é a nanotecnologia que pode reservar conquistas no campo do inimaginável, talvez rivalizando com a eletrônica na capacidade de surpreender.

Este texto é parte integrante do especial WebMotors sobre os 50 anos da indústria nacional. Para ler a primeira parte, "Evolução da espécie", em que o autor fala sobre a história do automóvel brasileiro, clique aqui.

Leia também:

Lamborghini Miura

Woodies: antigos que gostam de madeira

Museo Lamborghini

Encontro de Antigos de Araxá

Gurgel Van
_______________________________
E-mail: Comente esta matéria

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors