Parcela de responsabilidade

Medidas do Banco Central para conter a inflação encarecem os custos de financiamento de carros no Brasil
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– Parcelas mais caras e crédito menos acessível. Este é o resultado das medidas adotadas pelo Banco Central, em dezembro do ano passado, com a alegação de que era necessário controlar a inflação. O órgão aumentou o valor da entrada nos financiamentos de veículos e aumentou o compulsório dos bancos, o que reduziu a oferta de dinheiro no mercado. Agora, quem quer financiar um automóvel de 24 a 36 meses precisa apresentar pelo menos 20% do valor total. Entre 48 e 60 meses, a entrada mínima é de 40%. “O mercado de crédito mais livre estimula a aquisição de bens de consumo duráveis e, consequentemente, a abertura de mais financiamentos. O setor automotivo experimentou um aquecimento bastante significativo, o que contribuiu para o aumento da inflação”, explica Maria Beatriz David, professora do Departamento de Economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

A taxa média dos juros praticada pelas financeiras associadas à Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras Anef, que reúne as empresas ligadas diretamente às montadoras de veículos, fechou o primeiro trimestre de 2011 em 1,57% ao mês, ante 1,40% ao mês no mesmo período de 2010. “Ainda assim, os juros praticados pelos bancos de montadoras são inferiores aos dos bancos comerciais, porque essas financeiras têm recursos provenientes de suas matrizes”, afirma Sérgio Bessa, consultor da Fundação Getúlio Vargas FGV. Em 2010, as carteiras de financiamento movimentaram R$ 188,6 bilhões no Brasil. O primeiro balanço trimestral em 2011 aponta que os financiamentos continuam representando quase a metade dos veículos comercializados no país. De janeiro a março deste ano, cerca de 49% das unidades vendidas foram negociadas na modalidade de Crédito Direto ao Consumidor CDC, 6% foram financiadas através do leasing, 6% por meio de consórcio e o restante, 39%, pagos à vista. Em relação aos percentuais do ano passado, o CDC e o pagamento à vista cresceram ligeiramente, o consórcio se manteve estável e o leasing caiu expressivamente, de 11% para 6% das vendas totais.

Uma das vantagens do financiamento é a possibilidade de adquirir um bem de alto valor sem precisar abrir mão de um grande montante de dinheiro de uma só vez. “Contudo, é preciso ponderar se vale a pena deixar o dinheiro guardado. Se a poupança rende 0,6% ao mês e os juros de um financiamento ficam em 2%, a melhor alternativa é comprar à vista”, ensina Décio Carbonari de Almeida, presidente da Anef. Além de pesquisar as tarifas mais baixas, o consumidor deve optar pela modalidade de crédito que mais se aproxime de suas necessidades. O CDC é disponibilizado para a aquisição direta de um carro ou moto, novo ou usado, pelo cliente. Já no Leasing ou Arrendamento Mercantil, a arrendadora adquire um bem escolhido por seu cliente para em seguida arrendá-lo por um prazo determinado. “Ao término do contrato, o arrendatário poderá adquirir o bem pelo valor previamente definido no contrato”, define Fabio Torelli, superintendente comercial do Santander Financiamentos.

“A opção pelo arrendamento mercantil é mais indicada para empresas, porque o Leasing tem benefícios fiscais que são dedutíveis do imposto de renda. Já o CDC é mais atraente para os consumidores convencionais”, avalia Sérgio Bessa, da FGV. Apesar de a modalidade ter incidência do IOF, imposto ausente no arrendamento, o proprietário tem mais autonomia sobre o carro e não precisa da autorização da financeira para situações corriqueiras, como mudar a cor do automóvel ou acionar a seguradora.

Outro cuidado importante é na hora de assinar o contrato. A maioria das financeiras cobra taxas como abertura de crédito, aditamento de contrato, avaliação do bem e serviços administrativos. Uma resolução do Banco Central obriga as empresas financeiras a apresentarem a planilha de Custo Efetivo Total CET, que reúne os encargos vigentes no financiamento e o valor final que será pago pelo consumidor. “O Banco Central penaliza as financeiras que não apresentam o CET a seus clientes”, alerta Solange Nogueira, gerente de vendas da Abolição Veículos, que trabalha em parceria com o Banco Volkswagen.

Algumas empresas do mercado financeiro acreditam que os custos de financiamento de veículos encareçam ainda mais nos próximos meses. “A atual conjuntura exige cautela. O consumidor deve esperar os juros estabilizarem ao invés de arriscar um financiamento oneroso e afastar o risco de inadimplência”, afirma o consultor econômico Luiz Filipe Rossi, da PUC/RJ. Para quem não está disposto a esperar, a melhor opção é planejar o investimento e conhecer as taxas e opções de parcelamento disponíveis. “Pesquisar é o único modo de evitar as armadilhas do mercado financeiro”, aconselha Sérgio Bessa, da FGV.

Instantâneas
# Para firmar um contrato de financiamento ou arrendamento, o cliente deve ser maior de 18 anos, comprovar renda – ou faturamento, no caso de pessoa jurídica – e residência. A concessão do crédito ainda passa por análise e aprovação da instituição financeira.
# Em 2010, a inadimplência acima de 90 dias atingiu 2,6% dos contratos CDC. No mesmo ano, os planos médios contratados foram parcelados em 44 meses.

O velho e o novo
Quando o assunto é financiamento, adquirir um veículo zero km pode compensar mais do que os seminovos ou usados. Apesar do valor menor dos usados em relação aos novos, as taxas de juro mais flexíveis compensam quando se avalia o custo total. Uma das vantagens dos novos é a facilidade oferecida pelos bancos das montadoras, o que não acontece com os seminovos e usados. “Com o Banco Volkswagen, já conseguimos taxas de 0,99% ao mês para clientes que deram 56% do valor do veículo na entrada, o que representa um índice bem abaixo da média de mercado”, afirma Solange Nogueira, da Abolição Veículos.

Em algumas concessionárias, um VW Voyage zero km financiado em 24 meses, com 53% de entrada, tem taxas de 1,19% ao mês. Se o financiamento for finalizado em apenas 6 meses, a taxa mensal cai para 0,75%. No caso do mesmo modelo com 1 ano de uso, o financiamento em 24 meses, com 53% de entrada, recebe juros mensais de 1,73%, que caem para 1,65% se o seminovo for parcelado em 6 meses.

De acordo com a pesquisa de juros mensais da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade Anefac, se a ideia for financiar um automóvel usado, o consumidor encontrará ainda mais discrepância nas taxas praticadas. As taxas médias que incidem sobre um automóvel zero km variam de 2 a 2,5% ao mês, enquanto que no usado ficam entre 2,5 a 3,5%. “As financeiras levam em conta a depreciação maior do automóvel usado. Outra vantagem de optar por um veículo novo é o custo menor de manutenção”, explica Miguel de Oliveira, consultor da Anefac.

Nesse caso, um veículo popular novo avaliado em R$ 23 mil será financiado a taxas de 2% ao mês em 36 vezes com 30% de entrada. Nas mesmas condições, as prestações do mesmo modelo usado, estimado em R$ 17 mil, podem chegar a 4% ao mês. “O consumidor precisa avaliar se os custos cada vez mais dispendiosos de um financiamento valem a pena depois da medida do BC. O melhor mesmo é pagar à vista ou aumentar a porcentagem de entrada”, resume o consultor econômico Luiz Filipe Rossi, da PUC/RJ.

As opiniões expressas nesta matéria são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.
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