A parte de cada um

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Fernando Calmon
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- O tema segurança no trânsito vem crescendo em importância no mundo. Afinal, 1,2 milhão de motoristas, passageiros e pedestres por ano perdem a vida em ruas e estradas, além de mais de 50 milhões de feridos. Se nada for feito, esse balanço pode aumentar 60% até 2020.

No Brasil os números são ainda piores. Estimam-se 40.000 mortes/ano, segundo o critério da Organização Mundial da Saúde de óbitos ocorridos até 30 dias após o acidente. Estamos no mesmo nível absoluto dos EUA, mas sua frota é dez vezes maior que a brasileira. Considerando a relação entre mortos e distância anual percorrida — critério mais técnico — as estatísticas negativas do Brasil assombram de verdade.

Estimulada por bons resultados de seus novos modelos nos testes de colisão contra barreiras executados na Europa, o Grupo Renault decidiu instituir, em abril último, uma diretoria mundial de Políticas de Segurança Viária, a primeira formalmente criada por um fabricante. O executivo nomeado, Jean-Ives Le Coz, possui a formação acadêmica ideal já que é médico e engenheiro. Ele deu uma palestra na semana passada no Salão do Automóvel de São Paulo, quando destacou a importância da acidentologia, ciência recente que analisa as causas dos acidentes de trânsito e propõe mudanças nos veículos e nas vias. Avalia também o comportamento físico e psicológico dos entes envolvidos.

Le Coz destacou que a ingestão de bebidas alcoólicas é um problema mundial como causa primária de acidentes. E se impressionou com a estatística da Associação Brasileira de Medicina de Trâfego que atribui a motoristas alcoolizados metade dos acidentes mortais. “Mais do que discutir o nível permitido de álcool no sangue, o que importa é a fiscalização”, argumenta. Ele se surpreendeu com os argumentos jurídicos defendidos no Brasil, da prova contra si mesmo, em relação ao bafômetro. “Na França o teste é obrigatório, seguido por um exame de sangue para confirmação.”

Formação de motoristas e campanhas educativas são fundamentais para mudar a cultura de pouco destaque à segurança, comum nos países menos desenvolvidos. “É necessário ainda uma ação de longo prazo, orientada pela realidade científica dos fatos”, alerta. Os acidentes devem ser estudados no local onde ocorrem com o máximo de presteza e de informações recolhidas, inclusive de testemunhas. O uso mais intenso de veículos, como reflexo do progresso econômico, muitas vezes sem melhoria da infra-estrutura viária, exige atenção cada vez maior.

Apesar de citar o excesso de velocidade como uma das causas de acidentes, reconhece que a Alemanha é um dos países mais seguros do mundo para se dirigir, mesmo sem imposição de limites em algumas estradas. “Isso se dá pelo férreo apego germânico às leis de trânsito. Os motoristas respeitam as placas indicando velocidade menor, em estrada ou cidade.”

Numa rápida troca de idéias com esta coluna, o técnico francês admitiu mudanças nos automóveis para proteção do pedestre em caso de atropelamento. “Até 2006, a União Européia deverá apresentar uma diretriz e um cronograma para 2010 em diante. Há estudos desde airbags externos a um volume frontal deformável maior. Existe preocupação para que os veículos não encareçam demais. Deve-se esperar, porém, melhor organização dos deslocamentos urbanos e mais disciplina dos pedestres ao circular”, afirmou.

Em suma, os esforços serão menos recompensadores, se cada um deixar de fazer a sua parte.

RODA VIVA

Presidente da Associação de Vítimas de Trânsito, Dr. Salomão Rabinovich, credita a uma discussão bizantina a polêmica sobre a recusa de o motorista embriagado soprar um bafômetro. “Se é para evitar auto-incriminação, então todos os radares fotográficos estariam na mesma situação.” E ainda passando recibo, acrescentariam os mordazes.

2005 será o ano dos motores flex de 1.000 cm³. Fiat, que disseminou estes motores no Brasil, vai oferecê-lo ainda no primeiro trimestre no Palio hatch. Trabalha também no lançamento simultâneo para o Mille. GM deve chegar em seguida. VW prepara segunda geração do motor do Fox maior taxa de compressão, até hoje primeiro e único flex de baixa cilindrada.

Recente diminuição do IPI, apenas para neutralizar carga tributária maior da nova Cofins, deixou de fora motores a gasolina acima de 2.000 cm³. Atinge em cheio quase a totalidade de automóveis importados. No extremo, a diferença agora chega a 15 pontos percentuais no preço final do carro. Uma enormidade, fora o imposto de importação.

Segundo Thierry Morin, presidente mundial da Valeo, se nosso mercado interno se recuperar e passar dos 2 milhões de unidades, acabará por viabilizar novas tecnologias hoje restritas aos carros europeus de preço médio. Ele esteve no Brasil para comemorar os 30 anos da filial brasileira.

Especialistas chamam a atenção para falhas graves de algumas empresas de blindagem, quando disponibilizam pneus com proteção contra balas. Solução é mal projetada e simplesmente não cumpre o que promete. Quem pensa estar imune, em caso de fuga, e receber tiro no pneu, pode ser obrigado a parar logo com um pneu destroçado.
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon, engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Sua coluna semanal Alta Roda é publicada, desde 1999, em onze jornais brasileiros e no site WebMotors. Assina as colunas Direto da Fábrica na revista Carro e Roda Viva na revista Jornauto. Correspondente para América do Sul do site americano The Car Connection. Diretor editorial das oito revistas automobilísticas da On Line Editora. Consultor técnico, de mercado e de comunicação.

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