Peças de reposição: necessidade de controle

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Fernando Calmon
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- De tempos em tempos, volta-se a discutir o problema de preço e qualidade das peças de reposição que impactam diretamente nas despesas de manutenção dos automóveis. Há cerca de dois anos, a Fenabrave — Fcaptionação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores — lançou um programa, que batizou de Peça Genérica, para aumentar a compra direta de componentes dos fornecedores e dessa forma tentar maior atratividade nas revisões e consertos nas oficinas autorizadas. O processo, mal conduzido, criou atritos com os fabricantes de veículos e acabou não vingando.

Deve-se ressaltar que, além dos proprietários de carros, as seguradoras têm grande interesse no assunto. Afinal, peças de lataria e mecânicas formam um custo pesado a ser enfrentado após os acidentes. Já se comentou aqui a solução adotada em alguns países da Europa, onde empresas desmontam, avaliam e classificam as peças de veículos sinistrados, oferecendo-as ao mercado com garantia. Assim, se assegura a boa procedência de um componente usado, sua integridade e a um preço bastante atraente.

A Argentina implantou por lei recente essa atividade e, de quebra, resolveu em grande parte a atividade ilegal de desmanches. Estes, aliás, são um cancro dentro da sociedade brasileira. Uma solução igual por aqui também dependeria de lei específica e uma férrea vontade política para eliminar as feiras conhecidas como “robautos”. Sem essas premissas, nenhuma atividade séria no ramo subsistiria.

Agora, ressurge a idéia de certificação por meio de selos de qualidade para peças novas não-originais. A inspiração, outra vez, vem da Europa, que fomentou a criação de um mercado mais aberto e transparente, no qual fornecedores diretos ou mesmo independentes das fábricas de veículos ganharam competitividade. Segurança, claro, continuou sendo prioritária. De início, houve invasão de peças asiáticas em diferentes níveis de qualidade. Logo órgãos certificadores surgiram, estabelecendo critérios e separando o joio do trigo.

O Cesvi Brasil — Centro de Experimentação e Segurança Viária — apresentou, no início do ano, o mesmo conceito. Ligado às companhias seguradoras, realizou um estudo comparativo entre peças originais e não-originais. Escolheu capô, pára-lama e painel dianteiro de um Gol III para desenvolver a metodologia de avaliação. Incluiu seu reconhecido teste de impacto a baixa velocidade contra barreira fixa, seguido pelo levantamento rigoroso dos custos de reparação. Preferiu não divulgar o resultado, mas consultou representantes do comércio, oficinas independentes, fabricantes de autopeças e até o Procon. Todos concordaram sobre a validade da iniciativa e a necessidade de um órgão nacional se encarregar de coordenar e estabelecer parâmetros. Anfavea e Fenabrave mantiveram o silêncio: mau sinal.

Hoje, no Brasil, só pneus recebem algum tipo de controle oficial. Qualquer outro componente, bom ou ruim, pode ser livremente comercializado. Peças originais têm garantia de fábrica, mas são caras. Certificação de qualidade para produtos não-originais estimularia a concorrência entre fornecedores com reflexos positivos nos preços ao consumidor.

RODA VIVA

SUCESSO no exterior do Aveo sedã e do Kalos hatch, compactos projetados pela antiga Daewoo na Coréia do Sul, está inspirando as mudanças de desenho no Corsa daqui. O modelo é vendido em todo o mundo, inclusive nos EUA, sob a marca Chevrolet. Mas os estilistas de São Caetano do Sul providenciam seu toque pessoal. Estará à venda em meados do próximo ano.

POUCOS notaram, no balanço mensal da Anfavea, a queda brusca de quase 3 pontos percentuais na participação dos carros de motor 1-litro. Representaram 53,7% das vendas em abril, igualando o menor patamar de fevereiro de 2005. Em agosto de 2002, quando diminuiu a diferença de imposto sobre motores abaixo de 2 litros, chegava a superar 70%.

PEUGEOT aproveitou a forte valorização do real frente ao peso e oferece o 307 argentino 2007 R$ 1.000,00 abaixo do modelo 2006. O hatch médio-pequeno ficou idêntico ao modelo francês. Traz equipamentos sofisticados como ar-condicionado digital de duas zonas e rádio-CD indexado ao computador de bordo. Motor 2.0 ganhou cinco cavalos, passando a 143 cv e tem excelente torque de 20 kgfm.

APESAR da sazonalidade — cinco dias úteis a menos — as vendas de veículos usados no Estado de São Paulo em abril subiram pouco mais de 1% em relação a março, segundo a Assovesp, associação dos lojistas. Esse é um bom termômetro para indicar sustentação de mercado nos próximos meses, inclusive de carros novos, que no primeiro quadrimestre superaram em 8% os números de 2006.

ACERCA do episódio da prisão do presidente da Hyundai-Kia na Coréia, é bom relembrar a exportação para o Brasil do monovolume Kia Carnival com motor diesel há cerca de dois anos. A fábrica declarou capacidade de carga de 1.000 kg, cerca de 50% a mais, algo impossível tecnicamente sem grandes alterações no projeto. Tudo para driblar a norma brasileira sobre motores diesel.


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Fernando Calmon fernandocalmon@usa.neté jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.

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