Perigo oculto

Tecnologia da Fórmula 1 é aplicada em veículos para aumentar segurança infantil
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Fernando Calmon
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- Viajar no banco traseiro dos carros pode parecer mais seguro e os ocupantes tendem a relaxar, dispensando o uso dos cintos de segurança. Mas essa não é a realidade. Estudos de acidentologia — nova ciência dedicada a todos os aspectos que envolvem os desastres automobilísticos — concluíram que 70% das mortes e ferimentos graves em rodovias ocorrem com adultos no banco traseiro, em geral sem a proteção dos cintos.

Também se observou uma alta incidência de passageiros que deslizam sob o cinto em fortes impactos frontais, fenômeno conhecido como submersão. Automóveis modernos utilizam cintos com pré-tensionadores pirotécnicos pequena detonação acionadora e apoio adicional no assento que firmam o passageiro contra o banco para evitar que o corpo escorregue para frente. Além disso, a ancoragem do cinto é estudada para que este se mantenha firmemente sobre as coxas e a pélvis, sem passar pelo abdômen, parte frágil do corpo. Estudos indicam que se todos os carros usassem esse sistema e os passageiros, os cintos, as mortes cairiam 39% e os ferimentos graves, 30%.Cerca de 30% dos passageiros que viajam no banco de trás, em veículos envolvidos em acidentes rodoviários na Europa, são crianças abaixo de 10 anos. Quando os projetistas desenvolvem sistemas de segurança para os baixinhos, sabem que o corpo de uma criança não é o de um adulto em escala reduzida. A coluna cervical de um bebê, por exemplo, não resiste ao efeito chicote, ou seja, o movimento da cabeça para frente e para trás no processo de impacto. Também a espinha dorsal não está totalmente formada junto à pélvis, uma diferença morfológica que traz vulnerabilidade adicional. Por razões como essas, precisam de bancos especiais adaptados à sua anatomia.

Cerca de 60.000 crianças são feridas em acidentes nas estradas todos os anos na Europa, muitas vezes em razão direta da ausência ou má adaptação de sistemas de segurança. Em 22% dos casos, uma proteção adequada já preveniria ferimentos graves. Crianças precisam estar sempre firmemente atadas ao seu banco, utilizando o sistema adaptado à sua idade. O ideal é usar um banco que disponha de fixação Isofix, dispositivo de ancoragem normatizado existente em vários automóveis fabricados nos últimos oito a dez anos. Esse sistema busca evitar uma fixação incorreta e, portanto, minimiza os riscos de ferimentos em colisões.

A Isofix proporciona uma interface padronizada entre o banco infantil e o veículo, com dois anéis de encaixe na junção do encosto com o assento e um terceiro para bancos que são fixados na direção contrária ao movimento do carro. Alguns fabricantes incluem um terceiro ponto também para os bancos convencionais, colocados na direção do movimento, a fim de garantir mais firmeza. Como a morfologia da criança muda rápido, o sistema Isofix foi projetado para três faixas de idade: até 2 anos proteção maior para o pescoço, de 2 a 4 cuidado especial com a cabeça e de 4 a 10 anos prioridade para evitar submersão e danos no ventre.O novo Renault Clio III introduziu um inédito conceito de banco infantil, na posição central traseira, especialmente para crianças entre 6 e 10 anos. A almofada do assento é mais curta para que elas possam se acomodar de modo apropriado. As fivelas estão colocadas mais à frente e abaixo, assegurando o posicionamento correto do cinto junto à pélvis. Uma guia adicional do cinto, acima do encosto, previne o desconforto na região do pescoço.

Porém, ainda mais interessante é o sistema opcional de retenção da cabeça da criança, obtido com o rebatimento da parte anterior do encosto de cabeça central do banco traseiro do veículo. Essa proteção extra recebeu inspiração do dispositivo de segurança, batizado de HANS, obrigatório em algumas categorias do automobilismo de competição e que, no caso, se integra ao capacete do piloto. HANS é a sigla em inglês para Head and Neck Support Apoio para Cabeça e Pescoço. Foi concebido para evitar movimentos bruscos e estiramentos que podem ser fatais em acidentes na pista. É a primeira adaptação aos carros de rua que se tem notícia e sem dúvida pode colaborar essencialmente para reduzir lesões graves em crianças.

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