Pneu está cada vez melhor e mais caro

Evolução na indústria automobilística exigiu pneus mais resistentes, e os fabricantes tiveram que investir em tecnologia
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Agência Infomoto
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- No começo dos anos 90, os automóveis passaram a chegar no mercado com uma ampla lista de acessórios e, conseqüentemente, ficaram mais pesados. Por isso, os fabricantes de pneus tiveram de se mexer e fazer produtos mais seguros.

Ao comparar um pneu fabricado em meados de 1990 e um produzido atualmente, o diretor de Assuntos Corporativos da Bridgestone Firestone, Raul Viana, ressaltou várias mudanças positivas, que melhoram até o conforto para os passageiros. De acordo com ele, os atuais produtos “são mais resistentes e duráveis, proporcionam maior dirigibilidade, menor balanceamento e pouco ruído”.

“O carro mais pesado exigiu uma resposta da indústria de pneus. Nessa época trouxemos para o Brasil pneus revestidos com sílica”, diz Renato Silva, gerente de Marketing Produto Pneus de Passeio e Caminhonete da Michelin América do Sul. A sílica é uma substância utilizada no revestimento do pneu. Com ela, o pneu desliza mais rápido no solo, reduzindo o consumo de combustível do carro e a emissão de dióxido de carbono em até 10%.

Novas tecnologias

Quando foi lançado, o pneu radial, que roda sem câmera de ar, representou uma evolução na indústria pneumática. Ele aposentou o pneu convencional, ou diagonal, que utilizava câmera. Mas isso foi só o começo.

Nos dias de hoje existe no mercado pneu que pode rodar sem ar, como o SSR Run-Flat, da Continental. Importado da Alemanha, ele pode percorrer até 80 quilômetros sem ar, a uma velocidade de 80 km/h.

O SSR é vendido com um sistema de monitorização que indica, em um monitor instalado no painel do carro, a calibragem, a temperatura e avisa ao motorista quando há vazamento. A instalação deve ser precedida de consulta técnica. Entre as vantagens de poder andar por 80 km/h sem ar, a segurança é a principal. A Continental destaca que, caso fure o pneu em uma rodovia, de noite, o motorista não precisa parar para trocá-lo, podendo chegar até um borracheiro.

A Bridgestone tem um pneu com três câmaras de ar. Uma delas fica no centro e as outras duas ficam nos lados, deixando o carro mais estável. Dessa forma, o pneu pode ser ajustado de acordo com as necessidades de uso e as exigências do solo. Outra vantagem é que, quando uma delas fura, as outras duas suportam o peso do automóvel.

A Michelin está com uma novidade no revestimento do pneu. O Pilot Exalto, que começou ser vendido neste mês, é revestido por um composto de borracha, o ALM, utilizado nos pneus de competição.

Em teste realizado na Alemanha, o Pilot Exalto 2 foi 1,8 segundo mais rápido em relação aos concorrentes. No teste de freagem, com os carros a uma velocidade de 80km/h, os que estavam com o pneu da Michelin paravam no momento em que os demais ainda estavam a 17 km/h.

O gerente de Marketing e Produto para Pneus de Passeio e Caminhonete da Michelin Brasil, Flávio Santana, ressaltou que, com o ALM, o Pilot Exalto 2 garante respostas rápidas e precisas, principalmente em curvas. “Ele dura de 15% a 45% mais em relação ao concorrente”, destaca.

A carona custou caro

Para Renato Silva, gerente de Marketing Produto Pneus de Passeio e Caminhonete da Michelin América do Sul, a indústria pneumática precisou pegar carona na automobilística. Ele lembra que “um carro popular custava, em média, em 1990, R$ 10 mil e hoje o seu valor ultrapassa os R$ 20 mil”.

Se o pneu atual é mais seguro em relação aos modelos antigos, ele também é mais caro. Valdecir Antonio Veloso, dono de uma loja de pneu no começo da década de 1990, lembra que, na época, vendia um pneu novo 175/70R 13 por R$ 80. Hoje, ele gira em torno de R$ 120.

E esse aumento continua. O índice IMC da AutoInforme, conhecido como Inflação do Carro, revelou que, de janeiro de 2003 a junho de 2006, o pneu teve uma alta de 92,3%. Na pesquisa, ele foi o terceiro item que mais subiu, ficando atrás da lona de freio e dos amortecedores.

O problema é que, enquanto o pneu ficou 92,3% mais caro, nos últimos três anos, o carro teve alta de 29,5%, segundo cotação da Molicar, empresa que presta serviço para seguradoras de automóvel.

Para Raul, da Bridgestone Firestone, a razão desse aumento é o investimento em tecnologia. “A diferença de qualidade entre o pneu velho convencional, ou diagonal, e o radial utilizado atualmente é muito grande.” A empresa soma US$ 460 milhões investidos no Brasil desde 2000. O valor foi destinado “a instalação de novas tecnologias para sua linha de produção em Santo André e também instalação de uma nova fábrica em Camaçari BA, que irá produzir pneus de alta-perfomance”.

A Michelin não fica atrás. Somente para 2007, a empresa prevê um investimento de US$ 138 milhões para aumentar sua produção no Brasil. Renato Silva, da empresa, utiliza outro argumento para justificar o aumento de preço: a matéria-prima, principalmente o petróleo, está mais cara. “O preço de um barril gira em torno de US$ 75, é muito caro.”

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