Pneus verdes: outras bandas

Fabricantes lançam produtos ecologicamente corretos de olho em mudança de imagem
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– Após décadas rotulados como grandes vilões do meio ambiente, os pneus tentam aos poucos reconstruir sua imagem. Para conquistar o valorizado status de "amigos da natureza", os fabricantes apostam cada vez mais em variadas iniciativas ambientais em todo o ciclo de vida do produto, desde a matéria-prima até o pós-uso. Mas os pneus que ainda hoje equipam os carros nacionais não podem ser considerados exemplos em ecologia. Em média, cada pneu consome 25 litros de petróleo e diversas outras matérias primas. No entanto, os novos pneus trazem embutidas uma "preocupação verde" que procura distanciá-los da fama de poluidores incorrigíveis. "A tendência do mercado é ter cada vez mais produtos que, de alguma forma, não sejam tão agressivos ao meio ambiente", explica Rui Moreira, diretor de marketing da Goodyear.

A olho nu, todo pneu parece igual. Mas a composição dos modelos mais recentes esconde tecnologias que prometem menores agressões ao meio ambiente. A sílica, por exemplo, é cada vez mais utilizada em substituição ao negro-de-fumo, insumo utilizado como agente reforçante na fabricação de pneus e responsável por 1/4 do peso total. Ela começou a ser utilizada em pneus esportivos e permite uma redução da resistência ao rolamento, o que diminui o consumo de combustível e de emissão de gases pelo motor. Atualmente, essa redução do consumo figura entre 4% e 5%, porém estudos indicam potencial para se atingir algo como 10%."Todo pneu é composto de borracha natural e sintética. A natural não pode ser modificada, por isso empregamos nossa tecnologia no desenvolvimento da parte sintética", esclarece César Maldonado, gerente de serviços ao consumidor da Continental Pneus.

Os pneus de baixa resistência ao rolamento estão em alta entre as fabricantes, já que os pneus, de maneira geral, são responsáveis por 20% do consumo de combustíveis dos automóveis – o que corresponde a 4% de todas as emissões de gás carbônico CO2 no mundo. Apesar de contar com uma tecnologia avançada, estes pneus "verdes" ainda despertam algumas dúvidas na cabeça dos consumidores. A principal delas é se a baixa resistência ao rolamento diminui a aderência dos pneus. Neste ponto, todas as fabricantes são enfáticas ao responder que não. "A composição desses pneus segue um equilíbrio de baixo consumo de combustível – e consequentemente menores emissões de CO2 –, segurança em piso molhado e durabilidade", revela Renato Silva, gerente de marketing de produtos da Michelin. Todos os pneus de todas as marcas instaladas no Brasil têm garantia contratual de cinco anos. "A data de fabricação do pneu é gravada em sua lateral e constituída de quatro algarismos, onde os dois primeiros identificam a semana de produção e os dois últimos, o final do ano de fabricação", esclarece Giovanni Carlo Rossi, consultor técnico da ANIP – Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos.

A utilização da sílica e de polímeros de cadeias longas também contribuem para reduzir o atrito e o aquecimento. A fim de minimizar esses problemas, as fabricantes estão desenvolvendo pneus que aqueçam menos sem comprometer a aderência ao solo. Outro fator determinante para o consumo é o formato dos pneus. Os mais altos e estreiros consomem menos matéria-prima e permitem que carros de maior potência rodem com menor consumo de combustível. "As soluções futuras envolvem pneus menores com a mesma capacidade de carga", antecipa Renato Silva, da Michelin.

A preocupação ambiental também envolve o pós-uso dos pneus. A Reciclanip, entidade criada pela própria associação das fabricantes, coleta e destina de forma ambientalmente correta os pneus que não podem mais ser usados para rodagem. "Com as recentes técnicas de reciclagem, que transformam o pneu em asfalto, por exemplo, ele não pode mais ser considerado um vilão", conclui Roberto Falnkenstein, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Pirelli.

Instantâneas
# Segundo a Continental, se toda a frota de automóveis do Brasil – 28 milhões segundo dados de 2008 – rodasse com pneus de baixa resistência ao rolamento, aproximadamente 553 milhões de litros de combustível seriam economizados por ano.

# A Michelin utiliza sílica na mistura das bandas de rodagem dos pneus fabricado desde 1992.

# Pneus com pressão 30% menor que a recomendada aumentam o consumo de combustível em até 2,5%. Além disso, 25% descalibrado, o pneu dura quase 50% a menos.

# A Bridgestone tem como meta melhorar a eficiência e durabilidade dos pneus em 25%, o que diminui a emissão de CO2 e prolonga a vida desses produtos.

# A Genecor, empresa americana, está desenvolvendo um pneu "verde" que possui entre seus principais ingredientes um composto derivado de plantas. No caso do Brasil, a matéria-prima renovável pode vir da cana-de-açúcar.

Outro lado da moeda
O consumidor também tem papel importante na utilização do pneu. Para se ter uma ideia, um terço dos proprietários de veículos de passeio nos principais mercados da América Latina trafegam com pressão baixa em pelo menos um deles, segundo um estudo da Bridgestone. Os pneus devem ser calibrados semanalmente de acordo com a indicação do manual do veículo e indicações do fabricante. "A baixa pressão é especialmente nociva, pois torna a direção pesada, aumenta o consumo de combustível e o desgaste dos pneus. E a pressão dever regulada com os pneus frios", orienta Giovanni Carlo Rossi, da ANIP – Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos.

O alinhamento e balanceamento é outro ponto importante que muitas vezes é esquecido pelos proprietários dos automóveis. Pneus desalinhados e desbalanceados são um perigo, já que sofrem desgastes irregulares e afetam a suspensão do veículo. "O balanceamento dos pneus e o alinhamento das rodas do veículo deve ser realizado a cada 10 mil quilômetros rodados, quando surgirem vibrações ou mesmo em caso de impactos na suspensão", adverte Giovanni Carlo Rossi, da ANIP.

A modificação de alguns carros busca de uma aparência mais esportiva também pode ser sinônimo de problema. Cada carro é planejado para rodar com um tipo específico de pneu. Portanto mudanças de aros de rodas e perfis comprometem itens como suspensão e até a dirigibilidade do veículo. “Se o diâmetro é muito alterado, é importante procurar profissionais especializados que adequem o conjunto aos novos aros”, adverte César Maldonado, gerente de serviços ao consumidor da Continental Pneus.

O pneu, por muitas vezes colocado em segundo plano pelos motoristas, têm uma importância crucial em diversos pontos, como na estabilidade do veículo.“Pneu é parte da suspensão. É como se enrijecesse toda a suspensão do veículo”, resume Flavio Santana, gerente de marketing de produto de pneus de passeio e caminhonetes da Michelin.

As opiniões expressas nesta matéria são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.
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