Presidente da Abeiva critica novo IPI: “Querem voltar para os anos 90”

Durante apresentação, José Luiz Gandini afirmou que medidas não contaram com participação dos importadores
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Rodrigo Ribeiro
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– Menos de 24 horas depois do governo anunciar a nova tabela do IPI para carros importados exceto os oriundos da Argentina e México, a Abeiva – Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores – promoveu uma coletiva de emergência para comentar a polêmica decisão do governo.

Presidente da entidade e da Kia do Brasil, José Luiz Gandini foto mostrou-se surpreso com a mudança. “Não sei o que houve na discussão entre a Anfavea e o governo”, afirmou o executivo. Sérgio Habib, presidente da JAC no Brasil, foi mais incisivo: “Essas medidas são resultado do lobby da Anfavea no Planalto”.

Durante a apresentação, Gandini repetiu alguns índices apresentados pelo colunista do WebMotors Joel Leite, onde foi apontado que quase ¾ dos carros vindos de fora são importados pelas associadas da Anfavea e, em sua maioria, não sofrerão com o aumento do IPI. O executivo também questionou o alcance da medida no sentido de estimular a inovação. “As montadoras nacionais querem voltar para a década de 90, antes da abertura das importações”.

Gandini mostrou-se preocupado com o novo cenário econômico para as empresas associadas da Abeiva. “Fico em uma situação onde não sei como manter os 8 mil funcionários da Kia do Brasil. E não tenho como impedir que meu concessionário demita parte de sua equipe caso as vendas caiam.”

Cancelamento de fábrica
Visivelmente mais angustiado com o aumento do IPI, Habib foi ainda mais longe. “Do jeito como está, a fábrica da JAC no Brasil ficou inviável”, declarou, para, em seguida, mostrar-se esperançoso. “Não irei mudar meus planos por enquanto porque acho que o governo irá mudar o decreto”. Ainda sem local definido para a planta, a JAC e a SHC que representa a marca no Brasil pretendiam investir US$ 600 milhões em uma fábrica com 3.500 funcionários e capaz de produzir até 100 mil carros por ano.

Habib afirmou que apenas 3,3% dos carros importados possuem equivalentes nacionais. Para ele, esse percentual “não é invasão e não gera desempregos, mas regula preços e impede aumentos por parte das fabricantes”. Após o lançamento do J3, a Ford abaixou o preço do Fiesta RoCam e equipou o hatch com o mesmo nível de acessórios do concorrente chinês.

O empresário fez críticas duras sobre a alteração. “O que ocorre na verdade é que quem já tem fábrica no Brasil pode continuar, mas ninguém de fora pode entrar”, declarou. “Virou um clube do bolinha”.

A rapidez com que o decreto foi firmado foi outro ponto comentado na coletiva de imprensa. “Temos o equivalente a um mês de vendas no mar, e outro mês em encomendas. Todo esse volume sofrerá com o aumento”, afirmou Habib. A Abeiva afirma que a mudança no imposto com menos de 90 dias de antecedência é ilegal e seria contestada judicialmente pela entidade na segunda-feira 19. O WebMotors tentou entrar em contato com a associação, mas não obteve a confirmação disso até a publicação dessa matéria.

Aumento de preços
Em entrevista exclusiva ao WebMotors, Leandro Radomile, diretor de marketing e vendas da Audi do Brasil, declarou não acreditar em um suposto benefício da medida. "Ela a alteração não incentiva a indústria nacional, só a protege". 

Enquanto a Anfavea vê a medida como uma forma de estimular a produção nacional, a Audi do Brasil não vê motivos em voltar a fabricar no País, devido ao baixo volume individual de seus modelos.

Radomile negou que a medida altere os planos da Audi para o Brasil pelos próximos anos. "Todos os nossos lançamentos seguem intocados", disse. Mas o executivo crê como "inevitável" uma queda nas vendas da marca no Brasil, pois "é quase impossível não repassar esse aumento do IPI ao preço do carro".

Quando indagado sobre um possível aproveitamento dos concessionários com a mudança, cobrando um preço maior nas unidades que já foram faturadas e, portanto, livres do aumento, Radomile afirmou ser uma tática desleal, mas que não pode ser impedida pela fabricante. "Só podemos sugerir os preços, já que tabelá-los vai contra os direitos do cliente", explicou.

Para o executivo, os carros importados dão competitividade ao setor e que, no final, "quem irá pagar essa conta será o consumidor".

Fique por dentro da recente mudança no IPI nas últimas matérias que o WebMotors publicou sobre o tema:

Anfavea se pronuncia sobre o aumento do IPI e “não vê prejuízo ao consumidor”

Governo atende as fabricantes, mas ignora o consumidor

Governo estuda medidas para conter invasão de carros importados

“Não há invasão. Os chineses são apenas 2% do mercado”

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