Presidente da Bolívia nacionaliza gás natural

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Gustavo Ruffo
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- Aconteceu o que a Petrobras e os donos de carros a gás mais temiam: o presidente da Bolívia, o ex-líder cocaleiro Evo Morales, decretou no dia 1° de maio a nacionalização das reservas de gás natural do país. Não só das reservas, mas também das refinarias, muitas delas pertencentes ao maior investidor que o país vizinho tem, a estatal brasileira.

Essa é a terceira nacionalização que as reservas de petróleo sofrem na Bolívia. Evo Morales, que contou com apoio público do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em sua campanha, venceu as eleições com a promessa de nacionalizar as reservas de petróleo do país. Dois outros presidentes, Sanchéz de Lozada, em outubro de 2003, e Carlos Mesa, em junho de 2006, foram derrubados por revoltas sociais que exigiam a nacionalização.

Segundo a Petrobras, 20% de todos os investimentos diretos na Bolívia e 18% do PIB daquele país são resultado de sua ação. Das reservas de petróleo e gás natural bolivianos, 46% eram produzidos pela estatal. Desde 1996 a empresa investiu mais de US$ 1 bilhão em solo boliviano. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reunirá com assessores, ministros e com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, para tentar encontrar uma saída para a questão.

A estatal afirma que os fluxos de gás natural continuam os mesmos, mas, com as mudanças estabelecidas pelo decreto, os preços devem sofrer aumento. Antes dele, o governo boliviano ficava com 18% dos valores obtidos com a venda do gás e de outros derivados de petróleo, enquanto as empresas ficavam com 82%. Com a nacionalização, a relação se inverteu e as empresas ficarão com 18% do valor de venda dos produtos, ou seja, as empresas vão ter de tirar de algum lugar o dinheiro que ganhavam antes.

Caso elas não o façam, o que é pouco provável, isso ficará a cargo do governo boliviano, já que agora cabe à estatal de petróleo daquele país, a YPFB Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos, a determinação dos valores cobrados pelos combustíveis. Apesar de auto-suficiente em petróleo, o Brasil ainda dependerá do gás boliviano pelo menos até o final desta década.

Com Agência Brasil

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