Riversimple quer transformar carros em serviço

A exemplo de internet, luz, água e telefone, mobilidade também pode ser garantida de modo ininterrupto de um jeito diferente
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Gustavo Ruffo
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- Em tempos de constantes ataques aos automóveis, quem ama a liberdade de escolher seu próprio caminho sente cada vez mais o cerco se apertar. Defende-se o transporte coletivo como a única opção aceitável para ir de um ponto a outro de modo motorizado. Se por um lado realmente não faz sentido carros enormes, como utilitários e outros, se deslocarem por centros urbanos com apenas uma pessoa a bordo, por outro os sistemas coletivos pecam por desconsiderar que cada pessoa tem necessidades muito particulares de locomoção. A boa notícia é que está nascendo uma ideia inovadora para resolver este problema. Formulada pela Riversimple, do Reino Unido, ela consegue conciliar a liberdade que o carro proporciona com responsabilidade social. E pretende fazer isso transformando o automóvel não em um bem, mas em um serviço, a exemplo do que já ocorre com água, luz, internet e telefone.

Isso acontecerá do seguinte modo: todo interessado em um veículo da Riversimple terá de alugá-lo por meio de leasing. Os períodos e condições do contrato vão variar de pessoa para pessoa, como os planos existentes na telefonia móvel, por exemplo. Uma das possibilidades seria um leasing por três anos. Ao final deste prazo, o motorista pode trocar de carro ou continuar com o mesmo por mais tempo. O custo, neste caso, seria de 200 libras esterlinas por mês, algo em torno de R$ 650.

Quando dizemos que o custo seria esse, não é força de expressão. É esse mesmo. Toda a manutenção, seguro e até abastecimento do carro ficarão a cargo da Riversimple. Tudo pelo valor mensal. Isso, segundo a empresa, promove a necessidade de melhorias contínuas no veículo, tanto em termos de segurança e dirigibilidade quanto de consumo de hidrogênio. Afinal de contas, como o carro é da empresa e é ela que paga a conta do posto de abastecimento, o interesse em um veículo eficiente é mais dela do que de qualquer outro envolvido no processo.

Essa necessidade de melhorias contínuas tem outro efeito benéfico: a promoção da longevidade do automóvel. Atualmente, um modelo lançado há três anos já pode ser considerado obsoleto ou ultrapassado em muitos aspectos. Os veículos da Riversimple serão feitos para durar 20 anos, pelo menos. Isso poupará recursos naturais.

Primeiro modelo

O primeiro veículo da empresa é o Riversimple Urban Car RUC. O protótipo, apresentado no dia 16 deste mês, tem apenas dois lugares, o que o torna a escolha ideal para a maior parte das pessoas que vivem em cidades grandes.

Feito de fibra de carbono, um elemento que, além de extremamente leve e resistente, também retira gás carbônico da atmosfera, ele pesa apenas 350 kg. Só para comparar, um smart fortwo pesa 770 kg, mais do que o dobro.

Com menos massa para carregar, o RUC consegue usar uma das tecnologias mais avançadas do mundo para gerar energia, as pilhas a combustível. Já existem modelos que a empregam, como o Honda FCX Clarity, mas o carro só é repassado a um número muito pequeno de clientes, em caráter experimental.

Calcula-se que cada FCX Clarity custe US$ 1 milhão, coisa de R$ 2 milhões. Isso se deve, em boa medida, ao fato de as células precisarem de metais nobres, como platina. Os tanques de hidrogênio, pesados e caros, contribuem com outro tanto.

Como já dissemos, o RUC é leve. Isso permite a ele usar uma unidade pequena de pilhas a combustível, que gera 6 kW. A economia de combustível que ela consegue obter é equivalente a 106,2 km/l em um carro a gasolina. Com isso, os tanques de hidrogênio também são menores, mais leves e mais baratos. E a autonomia, mesmo assim, é boa: 320 km.

O RUC não tem motor na frente nem na traseira. Ele tem um em cada roda, o que permite a ele ter uma frenagem regenerativa de energia muito mais eficiente que a de outros sistemas. Em veículos equipados com esse sistema, atualmente, a taxa de reaproveitamento de energia é de 10%. No RUC, de 50%.

Em relação ao desempenho, o carrinho consegue acelerar de 0 a 56 km/h em 5,5 s. Como ele conta com ultracapacitores, equipamentos que conseguem liberar uma grande quantidade de energia com rapidez, a boa aceleração não penaliza as pilhas a combustível. A velocidade máxima é de 80 km/h, boa para um carro pensado apenas para deslocamentos urbanos, como o RUC.

Planos futuros

Depois da apresentação do protótipo, a Riversimple pretende fabricar cinco veículos para testes até o final do ano que vem. No final de 2011 serão feitos 50 RUC, que serão entregues a consumidores comuns no início de 2012 em cidades britânicas. É destes testes que deve nascer o modelo definitivo da empresa, que não deve ficar apenas em veículos para as grandes cidades, mas também em modelos familiares.

Como sempre acontece, o leitor vai se perguntar: e quando o carro chega ao Brasil? A resposta é tão revolucionária quanto a proposta do carro: quando alguém resolver fazê-lo por aqui.

Assim como softwares de código aberto, como o Linux, os desenhos e especificações técnicas do RUC estarão à disposição de qualquer empresa que se disponha a seguir os princípios da Riversimple. Há até uma fundação que cuida da licença de fabricação do carro, a “The 40 Fires Foundation”. Com ela, a Riversimple espera acelerar o desenvolvimento do carro, criar veículos mais limpos pelo mundo todo sem os custos de uma fabricante tradicional e estabelecer padrões universais para eles.

Não se poderia esperar nada diferente de uma empresa que resolveu se chamar Riversimple, algo como Rio Simples, em português. Rio porque ele flui com elegância. Simples porque assim são as coisas que realmente funcionam.

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