Sólido patrimônio da indústria nacional

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Fernando Calmon
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- A excessiva concentração do mercado brasileiro em modelos compactos, afinal, é ou não é uma vantagem competitiva da nossa indústria automobilística? Na realidade, em poucos países os veículos pequenos — e seus derivados — têm uma participação tão elevada, próxima aos 80%. Nessa proporção enquadram-se pickups, stations, monovolumes e utilitários derivados de arquiteturas de automóveis compactos, além dos hatchs tradicionais. Qualquer que seja a resposta, há de se reconhecer: não existem alternativas quando preço e poder aquisitivo comandam rigidamente as decisões de compra.

Em uma indústria mundial preocupada em aumentar volumes de produção, o Brasil aparece bem no cenário. Os modelos pequenos, desde que robustos e baratos, são os preferidos — mesmo por limitação financeira — pelos países emergentes. É nesta classe de veículos, portanto, que estão as oportunidades de crescimento. O desafio para a engenharia nacional é aprofundar essa especialização. O País já conta com quatro centros de desenvolvimento de nível mundial — Volkswagen, General Motors, Ford e Fiat — e dois campos de prova — GM e Ford — que garantem os pré-requisitos necessários. Marcas recém-chegadas também começam a aplicar mais em conhecimento local.

Ao longo de 50 anos conseguiu-se desenvolver um sólido patrimônio técnico. Permanece atuante de forma eficiente, bastante competitivo em custos e mostrando criatividade para produzir modelos novos a partir de arquiteturas menos sofisticadas. O País demonstra competência inquestionável em estilo, motores, suspensões, derivações de modelos, robustez e preço acessível. Tudo isso são qualidades fundamentais para o mercado interno e certamente encontrarão também muitos interessados no exterior.

Nessa faixa de entrada, o Celta 2007 que acaba de ser lançado é uma boa referência. A exemplo do chamado Gol Geração 4, não recebeu tantas mudanças assim. Mas o que foi feito, foi bem-feito. Pequenos aperfeiçoamentos de estilo e um interior com cuidados em materiais, acabamento e painel indicam o caminho da evolução contínua do produto. Coisas irritantes como acionamento da buzina na alavanca lateral ou consulta deficiente do marcador de combustível estão solucionados. As condições de concorrência fizeram a GM baixar os preços em cerca de 2%, estratégia positiva considerando os investimentos feitos e algum aumento de custo que deixou de ser repassado. O motor flex de 1.400 cm³ ainda não foi oferecido, ficando para a versão sedã que chega no início do segundo semestre.

Ray Young, presidente da GMB, comentou que a empresa tentará até o final do ano equacionar investimentos em dois novos produtos, se as condições econômicas do País e as vendas internas confirmarem o atual bom caminho e com indicadores de continuidade firme. Nada quis revelar sobre os modelos. Um deles é o carro mais barato que o Celta, desafio ainda a vencer, porém com enorme mercado potencial dentro e fora do Brasil. O outro, a coluna antecipa: a versão hatch do atual Vectra. Automóveis médios garantem melhor margem às fábricas e criá-los a preço competitivo é a missão sempre perseguida.

RODA VIVA

FORD confirmou o fim da versão do motor de 1 litro de cilindrada com compressor no Fiesta e no EcoSport. Termina assim a era dos motores básicos mais sofisticados, que já incluíram turbocompressores e cabeçotes multiválvulas estes mantidos apenas pela Renault. Isso se deu, basicamente, pela diminuição do incentivo fiscal aos propulsores de 1.000 cm³.

IDEAL seriam todos os motores até 2.000 cm³ receberem a mesma tributação e igual aos de menor cilindrada. Ao contrário do que se pensa, não seria o fim do motor “1.0”. Eles estariam reservados às versões de entrada e com poucos equipamentos, além de voltados, de fato, para a economia de combustível. Carros desse tipo ainda responderiam por 35 a 40% das vendas, contra 55% de hoje.

SEMINÁRIO organizado pela Universidade Estadual de Campinas SP, em 5 de maio próximo, discutirá propostas ao Contran sobre o transporte em automóveis de crianças até dez anos de idade. Até agora falta uma regulamentação clara sobre os meios de retenção corretos para o caso de acidente. Iniciativa meritória do prof. Celso Arruda.

MICROS de mão encontram aplicações em várias atividades, inclusive atendentes nos restaurantes. Até agora ninguém havia pensado em utilizá-los situações mais úteis, como os consultores das concessionárias. A Audi acaba de iniciar a implantação do sistema na sua rede brasileira. A velocidade de atendimento sobe até 50% em relação ao sistema antigo, permitindo mobilidade e interatividade.

EQUIPE do Guia Rodoviário 2006, já nas bancas, constatou que houve uma redução de 40% nas más condições das rodovias de maior movimento, no ano passado. Ainda assim, existem 3.176 quilômetros muito ruins. Não se sabe, entretanto, quanto tempo vai durar o que foi consertado. As seis melhores estradas estão em S. Paulo. A primeira rodovia fcaptional só aparece em sétimo.
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.

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