Sonho ainda distante

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Fernando Calmon
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- Janeiro começou muito bem para o mercado de veículos, se comparado ao mesmo mês do ano passado. O crescimento de quase 25%, no entanto, traz uma distorção na base comparativa. Em janeiro de 2005 o número de unidades emplacadas foi muito baixo em razão da antecipação promovida por disputas pela liderança em 2004. A GM adota, globalmente, o critério de considerar o mercado inteiro, incluindo caminhões e ônibus, como mais representativo, mesmo sem ter produtos para oferecer nessas categorias. Assim, fica mais difícil obter a liderança absoluta e, para compensar, muitas unidades foram emplacadas em dezembro de 2004 sem, efetivamente, terem sido vendidas. A empresa alcançou o objetivo, mas teve um janeiro tão fraco que deprimiu os números da indústria.

Outros indicadores confirmam que 2006 pode surpreender positivamente. A principal referência ainda é janeiro último, o segundo melhor da história em vendas, perdendo apenas para o ano-recorde de 1997. As encomendas à indústria de autopeças, já colocadas para o primeiro trimestre, apontam novo recorde de produção. Como as exportações perderão um pouco do ritmo, significa que mais unidades atenderão o mercado interno. As projeções apontam um crescimento firme de 10%, um dos melhores do mundo, mas reconquistar os números de 1997 talvez só em 2007.

Um dos motivos para o dinamismo atual é o aprofundamento de promoções e feirões. Quase todas as fábricas recuperaram a lucratividade, ainda modesta, mas suficiente para acirrar a briga pelos compradores. Isso significa também investimentos adicionais em novos produtos. Sintomático o fato de a Fiat ter anunciado agora os planos para o triênio 2006/2008 com o dobro dos valores antes cogitados. A Renault também seguirá esse viés, guardadas as proporções, apesar dos prejuízos persistentes.

O crescimento sustentado das vendas depende da oferta de crédito, juros menores e, principalmente, prazos maiores. Sempre se deve repetir: as prestações têm que caber no bolso dos consumidores. Orçamentos domésticos, nos últimos anos, foram inflados por tarifas telefônicas fixo e celular, Internet, TV por assinatura e novas tecnologias, como DVD. Hoje, planos de financiamento com mensalidades em torno de R$ 300,00 para automóveis básicos são comuns. Isso equivale ao que a classe média gasta com banda larga e dois telefones fixos na residência, por exemplo.

Na medida em que os juros caírem, maior volume de crédito será ofertado, mas os prazos precisam ser dilatados. Planos de até 60 meses existem, desde que o interessado esteja disposto a bancar uma entrada de 50% do preço sugerido. Quem possui um carro usado de valor razoável pode optar pela troca, aproveitando soluções criativas que não param de surgir.

Infelizmente, ainda estamos distantes do ambiente econômico que estimule as pessoas a fazer investimentos de longo prazo nos bancos e estes repassá-los aos compradores de bens duráveis. São de novos clientes que a indústria precisa. Para tanto, o governo necessita equilibrar suas contas ainda por vários anos e, conseqüentemente, poder pagar menos juros e deixar de sugar os recursos que deveriam estar financiando a produção e os consumidores. Por enquanto, só esperança.

RODA VIVA

Leitor atento dessa coluna Fernando Beretta afirma que cruzou com o novo Honda Civic, com poucos disfarces, e notou que a frente é a do modelo vendido no Japão e não nos EUA, como se pensava. Diferenças estão no pára-choque, faróis e entradas de ar que formam um conjunto mais harmonioso. A conferir dentro de no máximo três meses, no lançamento.

Até concessionárias estão com dificuldades em saber qual é mesmo o preço atual de mercado para vários modelos. Sérgio Reze, presidente da Fenabrave associação do setor, estrila: “Feirões eram mensais, depois passaram a semanais e agora tendem a ser diários.” Segundo ele, condições de vendas mudam a cada momento.

Sexta geração do Passat impressiona pela presença marcante. Embora o espaço para as pernas seja igual, há um pouco mais de largura interna e um enorme porta-malas de 565 litros. Primeiro motor de injeção direta, vendido no Brasil 2 litros/150 cv, mostra bom desempenho e consumo contido 13 km/l, estrada. Escapamento permite sonorização esportiva em fortes acelerações, sem chegar a incomodar.

Repercutiu nos EUA a notícia de que a Ford Brasil desenvolve um novo EcoSport, de dimensões maiores, específico para o mercado americano. A empresa desmente, pois é provável que seja fabricado apenas no México. Isso traz dúvidas sobre quais unidades produtivas serão fechadas na América do Norte, em negociação com sindicatos. O novo modelo substituirá o Escape.

Mercado de reposição de autopeças está estagnado no Brasil. Em relação a 1997, o gasto médio anual por veículos era de R$ 600,00 e hoje caiu para R$ 500,00, segundo a consultoria Booz Allen. Não é só por relaxamento ou descuido do motorista. Automóveis precisam de menos idas às oficinas e durabilidade dos componentes também é maior.

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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection

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