SpaceFox: rótulos não interessam

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Fernando Calmon
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- Foram-se os velhos tempos em que era possível bater os olhos em um carro e dizer logo o tipo de carroceria ou para qual segmento de mercado se destinava. Essa onda nasceu da crescente concorrência mundial e da necessidade de criar fatos novos, atrair o comprador, sacudir o marasmo e abandonar a mesmice. Em um primeiro momento, a inspiração veio do passado com o New Beetle, de 1998, livremente calcado no Fusca. O PT Cruiser seguiu o mesmo rumo: um hatch com ares dos anos 1930/40 e que desde 2000 conseguiu vender um milhão de unidades.

Há quatro anos se ouviu pela primeira vez, no Salão de Detroit, a referência a crossover, neologismo da língua inglesa, mais para confundir do que explicar. Ainda sem tradução fácil — talvez cruzamento ou mistura de estilos — foi a única forma de classificar algo quase inclassificável. As carrocerias já não apresentavam definições próprias de sedã, hatch, station wagon, minivan ou utilitário. A idéia era mesmo cruzar as características de duas ou mais dessas soluções e criar uma sexta nova carroceria, capaz de atender um público ávido por versatilidade e conveniência, sem se ater a qualquer tipo de rótulo.

Os crossovers estão avançando rapidamente nos EUA. Já existe certa conscientização de que utilitários ou modernos jipões e jipinhos com perdão da palavra são um estorvo no trânsito das cidades por seu porte, altura e acessórios às vezes agressivos, além de limitações quanto à dirigibilidade e estabilidade, mesmo com as inteligentes muletas eletrônicas de hoje. Os minivans ou monovolumes sofrem de problemas semelhantes, embora menos preocupantes. Por isso, as velhas e honestas stations estão reinspirando os projetistas e suas características dinâmicas, próximos às de um sedã ou hatch tradicionais, entram na formulação dos crossovers.

No Brasil, o Fit foi o primeiro a trazer alguma dúvida quanto ao formato de carroceria. Apresentado no resto do mundo como um hatch de teto alto, a Honda aceitou de bom grado a reclassificação ou reinterpretação como monovolume/minivan por iniciativa do mercado. Afinal, correndo em raia própria, só tinha o Mercedes Classe A como adversário direto, seguido depois pelo Meriva e o Idea. Bem mais fácil liderar um segmento com menos concorrentes. O Fox também ensaiou algo diferente com sua carroceria de, digamos, um volume e meio. Na realidade preparou o terreno para o SpaceFox, primeira incursão dos desenhistas brasileiros na seara dos crossovers graças ao seu jeito de meio station, meio minivan.

O novo carro da Volkswagen, que chega este mês ao mercado, tem no estilo marcante uma de suas atrações. Une a conveniência de um porta-malas de volume próximo ao das stations ou peruas compactas com o bom espaço interno e a posição mais alta ao volante dos monovolumes para melhor visibilidade. O motor 1.600/103 cv, igual ao do Fox, acusa os 60 kg extras de peso, mas o novo VW ainda demonstra agilidade. Em breve oferecerá também um motor mais forte. Ao utilizar o eixo traseiro idêntico ao do Polo além de toda sua arquitetura e melhor distribuição de peso, mostra ótimo comportamento em curvas. E preocupa a concorrência, qualquer que seja seu rótulo.

RODA VIVA

MERCADO interno continua dando sinais positivos. Primeiro trimestre de 2006 foi 12,6% melhor que o de 2005. E este trimestre manterá o ritmo, segundo a indústria de autopeças. Bons lançamentos e financiamentos criativos ajudam. As produções de março e do trimestre passado, melhores resultados da história, continuam sustentadas pela exportação. Ainda encorajadora, apesar do câmbio.

RUMORES apontam que a nova pickup S10, que ainda demora uns dois anos, poderá ser produzida na Argentina, embora projetada no Brasil. Mesma opção da Volkswagen, com o SpaceFox. A marca alemã, que lançará uma pickup média no início de 2008, oscila entre a fábrica de Resende RJ e a de General Pacheco, Grande Buenos Aires. Para fortalecer o Mercosul.

PALPITE dos filhos — e não apenas das mulheres — são também considerados na escolha do carro novo da família. Ainda não há dados no Brasil, porém na França uma pesquisa apontou que 40% dos pais aceitam suas opiniões. Na Índia, 88% dos entrevistados confessaram ser totalmente influenciados pelos filhos. Motorização é fenômeno recente por lá.

ESPECIALISTAS em iluminação advertem: kits de xênon à venda no Brasil lâmpadas e reatores para adaptação a faróis não-projetados para esse fim emitem mais luz, sem aumento da área iluminada, com pouco resultado prático. Lâmpadas de xênon provocam forte ofuscamento para quem trafega em sentido contrário, pois exigem refletor específico e regulagem automática de altura do farol.

CONTRARIAMENTE ao que se esperava com a disparada momentânea do preço do álcool, a adaptação de motores ao gás GNV caiu 8% entre o primeiro bimestre de 2006 e de 2005. O combustível líquido tem preço sazonal, mas o GNV depende — mais de 60% — de fonte externa. E a política de preço da Bolívia, principal fornecedor, traz insegurança.
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.

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