Você, cliente, que faz pesquisa e/ou busca a compra de SUVs para PCD (pessoa com deficiência) pode ter notado que as opções caíram pela metade nos últimos meses. É estranho noticiar que a categoria que mais cresce no Brasil teve o número de escolhas reduzido ao longo de 2020.
Em contato com concessionários, a equipe do WM1 notou que somente dois dos cinco principais modelos do segmento de SUVs compactos (Jeep Renegade, Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta, Nissan Kicks e Chevrolet Tracker) não tiveram as vendas suspensas das respectivas versões para deficientes: os carros de Hyundai e Jeep. Mas por qual motivo o mercado enfrenta essa queda?
Acredite, até o Volkswagen T-Cross, que disputa mensalmente a liderança da categoria e em julho conquistou o feito inédito de ser o carro mais emplacado do país (quando consideramos todos os segmentos), já não existe mais. As reservas da versão Sense - grande responsável pelo número "gordo" do mês histórico - foram suspensas "temporariamente" em fevereiro, sem data de retomada.
Portanto, todos os registros de T-Cross apontados pela Fenabrave em julho foram de estoques atrasados e desovados após o período de pausa motivado pela quarentena no novo coronavírus. E o "sumiço" não é só do carro da Volks. Nissan Kicks e Chevrolet Tracker (quarto e quinto colocados do mercado brasileiro na categoria de SUVs compactos) também estão indisponíveis.
Amplie o escopo para fora do Top 5 e repare que há ainda menos oportunidades: de 11 configurações automáticas de utilitários pequenos à venda no Brasil, cinco saíram do catálogo - some a T-Cross, Kicks e Tracker a dupla Citroën C4 Cactus e Renault Duster.
Jeep Renegade, Hyundai Creta, Ford EcoSport, Renault Captur, Caoa Chery Tiggo 2 e Peugeot 2008 são os que ainda mantêm versões que dão direito a todas as isenções fiscais (IPI, ICMS e IPVA).

A Anfavea (Associação dos Fabricantes) é categórica ao dizer que as versões PCD devem sumir do mercado até o fim de 2020 se o teto de R$ 70 mil (que dá isenção total dos impostos para esse público) for mantido. Vale lembrar que essa regulamentação foi criada e estabelecida há 11 anos pelo Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), quando o dólar custava entre R$ 2,20 e R$ 2,30.
Atualmente, as versões PCD respondem por mais de 40% de todas as vendas de alguns modelos, como o próprio T-Cross, Renegade e Kicks. Anfavea, Abridef (Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia Assistiva para Pessoas com Deficiência) e outras entidades afirmam que já negociam com o conselho federal a revisão deste valor máximo.
Por outro lado, quando consultadas, a resposta das fabricantes é de que a "alta demanda" motivou a interrupção temporária das vendas. As marcas que encerraram as ofertas ainda têm oferecido descontos para versões acima de R$ 70 mil - somados à isenção única do IPI, como manda a legislação.
Vale lembrar que das configurações 2020 que ainda existem de Renegade, Creta, EcoSport, Captur, Tiggo 2 e 2008, grande parte delas perdeu - ou vai deixar de oferecer - equipamentos para continuarem à venda.
Na contramão dessa onda de sumiços, felizmente para o público PCD a Volkswagen lançou a linha 2021 do T-Cross com a opção Sense, que precisou perder a central multimídia, as rodas de 16 polegadas e até logotipos da carroceria para conseguir ser posicionada abaixo do teto de R$ 70 mil - o preço exato é de R$ 69.990.
Apesar das perdas, há novidade: o ajuste de altura para os faróis dianteiros. Ele segue com seis airbags (frontais, laterais e de cortina), ar-condicionado, controles de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa, bloqueio eletrônico do diferencial, iluminação diurna em LED, direção elétrica, sistema Isofix para fixação de cadeirinhas e faróis de neblina.
Já de acordo com revendas da Jeep, o Renegade posicionado abaixo dos R$ 70 mil, para se manter disponível a este público, deve perder dois anos de garantia (antes eram três, agora vai ser apenas um) e itens como o tampão do porta-malas, alças de teto e luz de cortesia traseiros - e até o suporte de óculos que fica no teto acima do banco do motorista.
O Creta foi outro que perdeu equipamentos - no caso do carro da Hyundai, falamos do sistema stop-start, que desliga e liga o motor automaticamente em paradas rápidas para economizar combustível; de um friso nas barras de teto e da cobertura do porta-malas. Por outro lado, ele ganhou volante multifunção e novo acabamento de tecido nos bancos.
Por fim, o Peugeot 2008 2021 para PCD segue à disposição, mas na versão Allure, mais simplificada da que já existia, a Allure Pack - ele até manteve a central multimídia, contudo ficou sem a câmera de ré, as rodas de liga leve e os faróis de neblina. E o Ford EcoSport SE Direct também já está na linha 2021 com os mesmos equipamentos do 2020, mas com espera de até 60 dias.
Em suma, a situação atual é a seguinte: todo SUV compacto que consegue oferecer uma versão com preço abaixo dos R$ 70 mil na linha 2021 perdeu uma série de equipamentos para chegar a este valor. Os que não conseguiram remover itens deixaram (ou deixarão) de ser oferecidos - com o pretexto de "alta demanda" dado pelos fabricantes. E os que ainda existem, na linha 2020, têm fila de espera.
