Vencedores e vencidos 2004

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Fernando Calmon
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- O ano teve poucas novidades, mas nem por isso as disputas foram menores. O mercado, por sua vez, se encontra cada vez mais segmentado.

O fenômeno de crescimento da oferta, com uma multiplicidade de produtos e derivados, foi apontado pela filial brasileira da EDAG empresa alemã de projetos especiais no último congresso anual da SAE Brasil, como simplesmente explosivo.

Há 40 anos, mais de 90% das vendas mundiais dividiam-se entre sedãs, esportivos e conversíveis. Hoje existem pelo menos 13 categorias, inclusive a recente estréia dos híbridos, com previsão de ocupar 3% do mercado americano até 2010, o que não é pouco. No Brasil estes são os únicos ainda não aportaram. Outra tendência envolve os chamados crossovers ou modelos que mesclam diferentes características de duas ou mais categorias. Um bom exemplo aqui é o Fox, hatch de teto alto que se parece com monovolume.

O ranking desta coluna demonstra a complexidade do enquadramento da oferta atual. Sem contar os malabarismos mercadológicos da maioria das fábricas que tentam “criar” uma categoria baseada em preço, tipo de carroceria ou de motor e até número de portas na tentativa de melhorar o resultado de vendas. O Fox, por exemplo, apresentou grande desempenho em 2004, levando a Volkswagen a considerá-lo líder dos compactos acima de R$ 24.000,00.

No ano passado, vários outros carros tiveram desempenho bastante digno de nota: Fit, Corolla Fielder, Passat, Nissan 350 e Zafira assumiram o comando em seus segmentos. Outros continuaram inabaláveis como EcoSport, Omega, Palio Weekend, Volvo V70 e o 206 CC. A briga roda-a-roda continuou entre Gol e Palio+Siena, Astra e Corolla, Zafira e Picasso, S10 e L200, Blazer e Pajero. Outros mostraram quedas bem expressivas como Stilo e Marea Weekend. Sem contar a categoria Multiuso, quase em extinção só dois concorrentes.

Os resultados abaixo, baseados em porcentual de emplacamento nacional, representam a comparação entre mais de 270 modelos, seguindo os critérios de Alta Roda que, em alguns casos, não coincidem com os dos fabricantes.

Compactos: Gol, 18,8%; Palio+Siena, 18%; Corsa hatch+sedã, 13,2%; Celta, 12,9%; Uno, 9,8%; Fiesta hatch+sedã, 7,8%; Fox, 5,7%; Clio hatch+sedã, 4%; 206, 3,8%. Líder há 18 anos, Gol está ameaçado. Boa arrancada do Fox.

Médio-compactos: Astra hatch+sedã, 26,5%; Corolla, 24,7%; Civic, 13,7%; Focus hatch+sedã, 11,5%; Golf+Bora, 9,5%; Stilo, 6,7%. Corolla parou de crescer. Focus subiu duas posições.

Médio-grandes: Nacionais - Santana, 69%; Vectra, 31%. Importados – Passat, 21%; Mercedes C, 19,5%; BMW 3, 11,4%; Citroën C5, 11,2%. Santana estável. Passat veio de quinto para primeiro. Classe C reagiu.

Grandes: Omega, 55%; BMW 5, 17,5%; Mercedes E, 16%. Omega imbatível pelo preço e BMW passou Mercedes.
Topo: Mercedes S, 26%; BMW 7, 25%; Audi A8, 18%. Classe S venceu por uma unidade.

Station pequena: Palio, 61%; Parati, 39%. Líder caiu um pouco.

Station média: Corolla, 72%; Airtrek, 8,3%; 307, 7,7%. Domínio esperado da Corolla.

Station grande: Volvo V70/XC, 60%; Audi A6, 27%; Classe E, 13%. Pequena reação da Audi.

Monovolumes pequenos: Fit, 53%; Meriva, 37%; Mercedes A, 9%. Fit assumiu a ponta.

Monovolumes médios: Zafira, 34%; Picasso, 33%, Scénic, 31%. Zafira virou o jogo.

Pickups pequenas: Strada, 39%; Montana, 28%; Saveiro, 23%. Montana tentou e não deu.

Pickups médias: S10, 29%; L200, 26%; Ranger, 16%. Cada vez mais difícil para a S10.

Utilitários-esporte pequenos: EcoSport, 84%; %; Pajero TR4, 10%; Troller, 2%. EcoSport imbatível.

Utilitários-esporte médios: Blazer, 29,4%; Pajero Full/Sport, 29,2%; XTerra, 11%. Blazer reassumiu por pouco a liderança.

Multiuso: Doblò, 92%; Kangoo, 8%. Líder quase sem concorrente.

Esporte: 350 Z 21%; 911, 17%; Hyundai Coupé, 16%. Grande desempenho do Nissan.

Conversíveis: 206 CC, 54%; SLK, 17%; Z4, 8%. Boa arrancada do SLK, apesar do preço.


RODA VIVA

APESAR dos reestudos que estão atrasando o projeto smart formore em Juiz de Fora, MG, a Mercedes ainda continua empenhada em colocar sua marca dedicada aos microcarros nos EUA, como anunciou no Salão de Detroit. O formore, utilitário esporte que nem é tão pequeno, pode ter algumas de suas características originais modificadas.

FATO é que o mercado americano, o maior do mundo individualmente, mostra características únicas com o domínio de pickups e utilitários esportes. Renault, por exemplo, acaba de fechar seu escritório lá, ou seja, abandonou até mesmo as sondagens para um eventual retorno.

SEGUNDO nome na hierarquia mundial da Ford, James Padilla colocou México e China como concorrentes do Brasil na corrida para o compacto barato baseado no Ka. Mesma estratégia que a GM usou em relação ao Celta sedã para Gravataí, RS. Nem precisa dizer que é mais estratégia de negociação do que realidade técnico-econômica.

PNEUS não faltarão este ano, garante Eugênio Deliberato, presidente da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos, que trabalha 24 horas x 365 dias. Até 2007, investimentos de US$ 1,2 bilhão dão maior ênfase ao mercado interno. Exportações são 30%, mesmo porcentual da indústria de veículos.


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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon, engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Sua coluna semanal Alta Roda é publicada, desde 1999, em onze jornais brasileiros e no site WebMotors. Assina as colunas Direto da Fábrica na revista Carro e Roda Viva na revista Jornauto. Correspondente para América do Sul do site americano The Car Connection. Diretor editorial das oito revistas automobilísticas da On Line Editora. Consultor técnico, de mercado e de comunicação.




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