Seminovo automatizado vale a pena?

Modelos com câmbios robotizados costumam exigir manutenção periódica e desvalorizam mais que os manuais

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Renan Rodrigues
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A procura por veículos equipados com câmbio automático tem crescido no Brasil. Os consumidores cada vez mais buscam conforto, no entanto, ainda é consideravelmente mais caro optar por uma versão do modelo sem o pedal da embreagem.

Para tentar resolver esse problema, as marcas apostaram durante muito tempo nos famosos automatizados. Esse tipo de câmbio tem componentes da embreagem e transmissão idênticos ao da versão manual.

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Legenda: Fiat Mobi Drive GSR adota botões no lugar da manopla
Crédito: Fiat Mobi Drive GSR

Porém, em vez do pedal de embreagem, há um sistema auxiliar - um robôzinho - para desacoplar o motor e engatar as marchas. Por isso essa caixa também é chamada de robotizada. Mas será que um seminovo automatizado vale a pena?

O preço era - e ainda é - consideravelmente mais barato que uma transmissão com conversor de torque ou até mesmo um automatizado de dupla embreagem, mas como diz o ditado "o barato pode sair caro". E é exatamente isso que vem acontecendo com esse tipo de veículo.

Manutenção

Câmbios automatizados, como GSR (ex-Dualogic) da Fiat e I-Motion, da Volkswagen, necessitam de manutenção a cada 60.000 ou 70.000 km. Já os automáticos, de fato, são projetados para aguentar 200.000 km - alguns modelos é necessária a troca do óleo da transmissão.

Porém, apesar de se assimilar com um câmbio manual - o que sugeriria uma manutenção simples e barata - os diversos componentes eletrônicos encarecem especialmente a mão de obra. O custo chega a ser três vezes maior, segundo oficinais consultadas em São Paulo.

Defeitos comuns

Entre as falhas mais comuns de câmbios automatizados estão o vazamento de óleo do sistema hidráulico e queima da bomba de pressão do mesmo óleo. Nos dois casos, é impossível realizar as trocas das marchas e o carro deverá ser rebocado.

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Legenda: Câmbio completo pode custar R$ 7 mil

Dependendo do caso, algumas oficinas sequer trabalham com o câmbio. Além disso, com o passar dos anos e o desuso desse tipo de tecnologia, as peças ficam mais raras e caras de se encontrar. Um câmbio novo inteiro pode custar até R$ 7 mil em anúncios na internet.

Desvalorização

Outro ponto bem relevante dos automatizados diz respeito à desvalorização. Segundo os números obtidos junto à Agência Auto Informe, do jornalista Joel Leite, as unidades robotizadas desvalorizam mais que as com transmissão manual.

Pegamos cinco exemplos dos últimos anos e procuramos anúncios similares aqui na Webmotors. O Volkswagen up! desvaloriza, em média. 8,1% com câmbio manual, já os I-Motion têm perda média de 10,7%.

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Legenda: Volkswagen Up! com câmbio I-Motion
Crédito: Divulgação

Um High up! I-Motion 2015 com 22.000 km está anunciado por R$ 37.500, enquanto a mesma configuração com câmbio manual e 35.500 km é vendido por R$ 42.000.

A diferença é ainda maior no caso do Fiat Mobi com motor Firefly. Na versão automatizada, é possível encontrar um 2017 com 34.500 km por R$ 36.200. Outro do mesmo ano, manual, com menos itens e 6.000 km é vendido por R$ 42.900. A desvalorização é de 12,9% do GSR contra 10% do manual.

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Legenda: Fiat Mobi Drive Gsr
Crédito: Fiat Mobi Drive GSR

De volta à Volks, o Fox tem média de desvalorização de 9,6% com caixa manual, enquanto o I-Motion desvaloriza 11,2%. Em nossos anúncios, foi possível encontrar a versão Connect automatizada com 8.000 km por R$ 46 mil, enquanto a manual é vendida por R$ 50.990.

A dupla Argo e Cronos ainda é vendida com opção do câmbio GSR - ao contrário dos VW, que não têm mais essa opção. Os modelos da Fiat atingem desvalorização média de 11% e 10%, respectivamente, mas aumentam essa perda de valor para 14,9% no caso do hatch e 11,8% para o sedã.

Isso faz com que um Argo GSR com 15.000 km seja vendido por R$ 45.990 e um manual, com mesmo pacote, por R$ 52.900. No sedã, a diferença nos anúncios também é menor, sendo que o manual sai por R$ 58.900 e o automatizado custa R$ 52.000.

Dicas de uso

Para ampliar a vida útil da embreagem do câmbio automatizado, há três dicas básicas. A primeira delas é fazer a redução manualmente em subidas, evitando o deslizamento desnecessário do disco da embreagem.

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Legenda: Evite segurar o veículo parado na ladeira usando o acelerador

A segunda é não segurar o veículo em ladeiras com o acelerador, pois esse comportamento superaquece a transmissão. Por fim, em paradas mais longas ou semáforos, o ideal é acionar o neutro, já que o automatizado funciona como um manual e deixar engatado acarretará em maior desgaste da embreagem.

Marcas apostam em CVT e caixa com conversor de torque

Todos os problemas citados geram um desgaste da imagem dos veículos, por esse motivo, cada vez mais marcas apostam em soluções tradicionais. Atualmente, apenas a Fiat mantém câmbio automatizado em sua linha de 0 km. A primeira a desistir foi a Chevrolet, que trocou o Easytronic por câmbio AT6.

A Volkswagen seguiu o mesmo caminho nos veteranos Gol e Voyage, enquanto Fox e up! só são vendidos com câmbio manual. Já a Renault aproveitou a reestilização da dupla Sandero e Logan para abandonar o Easy'R e apostar no câmbio automático do tipo CVT.

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