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Audi RS4 Avant: uma perua esportiva de exceção

Audi RS4 Avant troca o V8 pelo V6, vai de 0 a 100 km/h em 4,1 segundos e custa R$ 546.990

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Redação WM1
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Escrever um texto em primeira pessoa, tempos atrás, era violar uma regra básica do Jornalismo. O repórter, como diz o próprio nome, é apenas o intermediário entre o fato e o leitor. Nunca quem escreve é notícia. Nos dias de hoje, com toda revolução na escrita e no modo de se comunicar, o interlocutor se colocar como parte da história já não é uma heresia. Mesmo assim ainda existe a recomendação. Por isso, de antemão, já peço desculpas por abrir uma exceção ao falar da Audi RS4 Avant, que estreia agora no Brasil por salgados R$ 546.990.

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Legenda: Audi RS4 Avant
Crédito: Divulgação

Sempre fui um admirador desse tipo de carroceria. Estate, Shooting Brake, Avant, Sport Turismo... A nomenclatura não importa. Elas são práticas, tem ótimo comportamento dinâmico e, além de tudo, são belíssimas do ponto de visto estético. Bom, voltando a RS4 Avant... Eu estava lá na primeira vez que essa quarta geração foi mostrada, no Salão de Frankfurt, na Alemanha. Em um lugar de destaque, a wagon girava lenta e impacientemente no palco para que todos pudessem vê-la de qualquer ângulo. E não era qualquer uma. Tinha a clássica cor azul Nogaro, remetendo a RS2, primeira perua com a sigla RennSport.

Vagarosamente ela completava os 360° exibindo traços finos, sem muitos exageros, mas ao mesmo tempo imponente. Seu olhar era hipnotizante com faróis recortados, para-choque com largas entradas de ar e tradicional grade Singleframe em colmeia. O perfil, então, de tirar o fôlego. Os arcos ganham 30 cm a mais para abrigar as grandes rodas de 20 polegadas calçadas em pneus 265/30. Atrás, ela é mais enxuta que a irmã RS6. Destaque para as saídas ovais do escapamento, o difusor para gerar mais downforce e as discretas tomadas conectadas às lanternas. E não era só eu que a cobiçava. Um exército de jornalista de diversas partes do mundo estavam lá para testemunhar a mais recente sucessora espiritual da lendária RS2.

 Audi RS4 Avant
Legenda: Audi RS4 Avant
Crédito: Divulgação

Lá em cima, no entanto, não era possível perceber que ela é feita sobre a estrutura modular MLB Evo, do Grupo Volkswagen, usada em modelos da Porsche, Lamborghini e também da Bentley. Mas a impressão que ela era maior que antecessora. E é. São 4,78 metros de comprimento e 2,82 m de distância entre-eixos – 6 cm e 1 cm a mais, respectivamente. Nesta última medida, há mais espaço para os dois ocupantes que vão atrás. Isso mesmo. O túnel central protuberante inviabiliza uma terceira pessoa ali... Ela também fez dieta de 80 kg, o que a leva para o peso total de 1.715 kg. O porta-malas ainda cresce de 490 para 515 litros – podendo ultrapassar os 1.500 litros com os bancos traseiros rebaixados.

E sabe porque ela girava impacientemente? Simples. São 450 cv desperdiçados em cima de um palco girante a 3 km/h. E, assim com a RS2 lá atrás, a RS4 Avant usa um motor que tem ligação com a Porsche, o EA839. A perua relutou, mas entrou para a era downsizing ao trocar o girador V8 4.2 aspirado da geração anterior por um moderno V6 2.9 litros soprado por dois turbos com pressão de 1,5 bar – unidades também usada pela Panamera. A potência obtida é a mesma de outrora, mas o torque cresce exponencialmente: de 43,3 para 61,1 kgf.m. O V6 ainda é 31 kg mais leve que o oito cilindros. Outra mudança é na transmissão: sai a dupla embreagem de sete marchas e entra um convencional automático de oito velocidades com conversor de torque. O que permanece é a famosa tração integral quattro.

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Legenda: Audi RS4 Avant
Crédito: Divulgação

E CHOVE...

Quase um ano e meio após o debute, lá estava eu frente a frente com ela novamente. E dessa vez não era só para admirar suas linhas ou o histórico tom azuk. Durante o lançamento, a Audi jogou para escanteio a praticidade. A começar pelo local: o autódromo Velo Città, no interior de São Paulo. O desafio de domar os 450 cv em um circuito se tornou ainda mais complicado pela forte chuva que açoitou o asfalto da pista em Mogi Guaçu – daquelas que Ayrton Senna se esbaldaria. A RS4 Avant me recebe com um rouco e intimidador barulho ao apertar o botão de partida. O interior não causa surpresas, é igual a maioria da linha atual: cluster digital com tela de 12,3 polegadas e grafismo específico dos modelos RS, volante multifuncional e central multimídia sem aceitar comandos por toques. Já os bancos esportivos estão 11 mm mais largos nos apoios laterais para não deixar o corpo escorregar.

Modo Dynamic selecionado e saio dos boxes com cautela. A primeira volta é apenas para se familiarizar com o circuito, decorar as curvas, onde frear, onde retomar... Chego na reta e afundo meu pé do acelerador. A perua é catapultada de forma impressionante e quase atinge os 200 km/h antes da primeira curva. O 0 a 100 km/h é vencido em 4,1 segundos – 0,6 s a menos que a RS4 V8.

 Audi RS4 Avant
Legenda: Audi RS4 Avant
Crédito: Divulgação

Freada forte e a Avant mantém a compostura e entra na primeira curva com uma velocidade impressionante sem perder aderência. Confesso que é um desafio para quem está no comando – principalmente quem não tem experiência de pista como este escriba aqui – chegar perto daquilo que o carro pode realmente fazer. Não sei nem se cheguei perto, porém o meu limite eu ultrapassei. Mesmo com a chuva, a RS4 desfila.

A direção é cautelosa, claro, mas a perua não dá nenhum sinal de perder aderência – pelo contrário. A tração integral consegue mostrar seu valor aqui ao dividir a tração entre as rodas e manter a estabilidade excepcional. A direção tem relação bem direta e o carro exibe um belo equilíbrio, mesmo com mais de 1.700 kg mudando bruscamente de rumo. A transmissão não mostra buracos, com trocas rápidas e nos momentos certos. Sem falar nos pipocos que saem do escapamento.

 Audi RS4 Avant
Legenda: Audi RS4 Avant
Crédito: Divulgação

Nas curvas seguintes vou ganhando confiança para sempre frear um pouco mais dentro, entrar mais rápido e voltar a espancar o acelerador. Mesmo inebriado com o viciante ruído, a atenção é máxima devido às gotas que caem em maior quantidade na terceira e última volta.

A confiança dá lugar ao atrevimento a bordo da perua. E é aí mora o perigo. Entro demasiadamente ligeiro em uma das curvas do autódromo, a RS4 sai de frente, espalha e sou salvo pelas babás eletrônicas que entram rapidamente em ação e colocam o carro novamente na direção certa.

Em tempos onde os SUVs dominam, a RS4 Avant é uma boa opção para quem quer misturar diversão, emoção e versatilidade seja andando nas ruas ou em um trackday, por exemplo. Se for só para viajar e levar as crianças na creche, garanto que elas nunca vão chegar atrasadas.

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