Autorizada: Ferrari e Maserati

Dia-a-dia de funcionários na oficina é padecer no paraíso
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Oficina Brasil
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– Um pátio com nove automóveis da marca Ferrari e dois modelos Maserati aguardam os experientes técnicos mecânicos da Via Italia SAT para receberem minuciosas revisões e reparos. Esse é o cenário que o Oficina Brasil encontrou na única oficina autorizada das marcas italianas no Brasil, aberta em março de 2001 e que conta com 14 funcionários.

Por mês, a oficina contabiliza cerca de 50 a 60 passagens de veículos para algum tipo de serviço. Um software que gerencia as informações dos carros dos clientes, possibilita à empresa informar sobre a necessidade de uma revisão.

A primeira revisão dos carros da Ferrari e da Maserati é feita com mil quilômetros ou uma vez por ano, já que os proprietários não rodam muito com os veículos. Quando há a necessidade de uma revisão ou um pequeno reparo em outras cidades, a oficina envia um técnico até o cliente em poucos dias.

Mulher no comando

E como a Ferrari e a Maserati são diferenciadas em diversos aspectos, até mesmo a sua administração chama atenção. A oficina é gerenciada por uma mulher. Luciana Cardoso entrou na empresa como secretária da diretoria e depois de oito meses, em 2001, ela foi transferida para a oficina. "A gente tem um relacionamento com a fábrica que é muito importante, tanto eu, quanto o chefe de oficina, Mauri de Souza", diz Luciana.

Sobre trabalhar em uma área onde grande parte dos profissionais são homens, Luciana conta que não teve problemas com relação a essa disparidade. "É até interessante, porque quando a gente vai aos encontros mundiais, onde comparecem cerca de 60 pessoas, eu sou a única mulher", afirma a gerente. Ela conta que, por ser responsável pela comunicação entre a oficina e a montadora, começou a aprender sobre a parte técnica.

Para se manterem atualizados a respeito das novidades das montadoras, Souza e Luciana participam todo ano de dois eventos da Ferrari e outros dois da Maserati, na Itália. Nesses eventos, são discutidos problemas e melhorias das questões relacionadas aos veículos. "É a oportunidade de cada representante apontar as informações do semestre. É interessante porque podemos trocar experiência", fala Luciana.

Para cada modelo de carro lançado pelas montadoras é organizado um curso específico, com exclusividade para profissionais da rede autorizada de todo o mundo. Nesses treinamentos, os participantes têm a oportunidade de conversar com os engenheiros que projetaram o carro para buscar as mais diversas informações a respeito de cada tecnologia utilizada. "Se a gente não faz o curso lá na fábrica, a montadora não nos permite mexer no carro, além de não fornecer as peças", diz Souza. Com relação à funilaria, ocorre o mesmo. Se a oficina não tiver um profissional treinado pela fábrica em solda ou pintura não é autorizada a prestar os serviços e, para cada modelo há um curso específico.

Recentemente, a Maserati lançou um programa que classifica os profissionais como mecânico máster, o que exige uma série de cursos concluídos, e Souza já possui todos os certificados. Antes de entrar na Via Italia SAT, ele trabalhou 10 anos na autorizada BMW, que anteriormente prestava serviços para as marcas italianas no Brasil e passou por outras marcas como Volkswagen e Mercedes-Benz. Souza é certificado em mais de 30 cursos na Itália desde que começou a trabalhar na empresa, em 2001. Para isso ele precisou aprender o idioma italiano e, atualmente, possui o conhecimento necessário da língua para se comunicar durante as viagens.

Os mecânicos que completam a equipe de profissionais são selecionados pelo próprio Souza. "De acordo com a necessidade da empresa selecionamos alguns currículos, onde damos preferência ao conhecimento técnico de cada candidato e, em seguida, o profissional selecionado passa por um período de experiência", diz.

Os outros mecânicos da oficina vão duas vezes por ano à fábrica para treinamento. São oferecidos cursos classificados como básicos, intermediários e avançados, que são divididos por categorias sobre motor, eletrônica e funilaria. A rotatividade dos funcionários na empresa é muito baixa, sendo que o profissional que está a menos tempo na oficina entrou em 2005.

Todos os detalhes da oficina são padronizados pela montadora, desde o uniforme dos funcionários à pintura das paredes, da cor amarela clara, com uma faixa azul e a outra vermelha, as quais possuem espaçamento milimetricamente medido para ficarem de acordo com as especificações das montadoras. "Há três semanas recebemos a visita de um inspetor técnico da Ferrari para fazer a vistoria aqui da empresa", conta Luciana. Nessas vistorias são verificadas as ordens de serviço, a comunicação visual do layout da oficina.

As peças que são solicitadas pela oficina são enviadas por intermédio de transportadoras internacionais e variam sua forma de transporte de acordo com o tamanho de cada uma. O processo de entrega é concluído em cerca de 30 dias após a solicitação da oficina. Porém, as peças de giro possuem disponibilidade imediata como pastilhas de freio, filtros, óleos, embreagens.

Rede Autorizada

No Brasil existem algumas oficinas independentes, que não fazem parte da rede autorizada, que oferecem alguns serviços, como troca de pastilha de freio, mas os proprietários de Ferrari e Maserati são clientes muito exigentes e não se arriscam a levar o carro nessas oficinas. Além disso, os serviços de reparo e revisão desses carros exigem aparelhos especiais de diagnóstico, como o SD 3, que são fornecidos pela montadora apenas à rede oficial. "Nós possuímos três aparelhos SD 3. Sem ele não é possível configurar uma embreagem, por exemplo, ou seja, sem essa ferramenta as outras oficinas não conseguem mexer no carro", conta Luciana.

O SD 3 é um aparelho de diagnóstico que faz a leitura de todo o carro. Como o sistema desses veículos são eletrônicos e hidráulicos, a ferramenta é utilizada para checagem de freios, reprogramação e atualização dos dados da embreagem para troca. Ela analisa os parâmetros dos componentes eletrônicos, detecta erros em sensores, entre outras diversas informações do carro. Esses dados são enviados ao sistema da montadora, onde são analisados para detectar algum tipo de problema ou necessidade de atualização de software no carro.

Mercado

No Brasil existe cerca de 680 veículos da marca Ferrari. Destes, 367 foram vendidos de 1993 até hoje, de acordo com dados da Abeiva Associação Brasileira de Empresas Importadoras de Veículos Automotivos. O modelo 360 Modena é a que mais possui maior número de exemplares no País, com um total de 133 carros e avaliada pela FIPE Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas entre R$ 500 e 650 mil. Desde 2005, a F430 F1 e a F430 Spider F1 são as mais procuradas e não saem por menos de R$ 1,3 milhão. Já a Maserati começou a ser comercializada por aqui em 1999 e já são mais de 170 veículos vendidos.

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