Detroit 2007, o salão da austeridade

  1. Home
  2. Lançamentos
  3. Detroit 2007, o salão da austeridade
Fernando Calmon
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

- Os cem anos de existência do Salão do Automóvel de Detroit — oficialmente batizado de Salão da América do Norte e que termina no dia 21 — foram insuficientes para mudar os novos tempos de austeridade. Pressionados por vultosos prejuízos financeiros e de queda de participação, GM, Ford e Divisão Chrysler/Dodge da DC trataram de se concentrar mais nas novidades e menos em apoteóticas apresentações nos estandes transformados por momentos em palcos. Afinal, em 2007 e pela primeira vez na história, estrangeiras com produção local e importação vão superar as tradicionais marcas americanas dentro do maior mercado automobilístico do mundo — cerca de 17 milhões de unidades/ano.

Fechar fábricas e demitir funcionários não significa que nada esteja avançando. A GM aproveitou pesquisas da Opel, na Alemanha, para apresentar um conceito diferente de carro elétrico compacto de quatro lugares. O Volt, uma das grandes atrações da exposição, usa baterias de íon de lítio e um motor turbo de 1.000 cm³ para recarregá-las depois dos primeiros 65 km. Não se trata de um híbrido e sim de um sedã elétrico com autonomia estendida, além da conseguida por seis horas na tomada. Previsto para 2011/2012, esbarra como sempre na viabilidade de preço, peso e volume das baterias.

A Ford, que renovará toda a sua linha até 2010, apresentou o Airstream, um crossover futurístico elétrico com um sistema criativo de acesso por porta lateral única, pivotada no teto e na soleira. Usa pilha a hidrogênio evoluída para alimentar baterias. O novo Focus manteve a arquitetura atual, mas está totalmente reformulado de acordo com o padrão estilístico americano. A empresa decidiu corretamente que, no mercado sul-americano, esse médio-compacto seguirá o modelo europeu em 2008.

Automóveis americanos médios e grandes vêm evoluindo em desenho. O Malibu 2008 exibe a nova identidade da marca Chevrolet — grade frontal bipartida antecipada no Prisma Y exibido no Salão de São Paulo em outubro último. O novo Cadillac CTS, por exemplo, poderia encontrar interessados aqui. Richard Wagoner, presidente da GM, afirmou em Detroit que o mercado brasileiro já atingiu nível de volume e rentabilidade que permite importar modelos específicos. Talvez até o Hummer H3 e o futuro H4.

Entre os carros exibidos como conceituais, mas já bem perto das versões definitivas, três se destacaram. Accord Coupé, antecipando o jeitão do sedã, é o melhor exemplo do novo estilo japonês. Jaguar C-XF, primeiro sedã-cupê da marca, representa um passo bastante arrojado sobre o atual S Type. Volvo XC 60, crossover compacto, também mostra ousadia, dividindo arquitetura com o Land Rover Freelander. Já o Chrysler Nassau, um "falso" compacto premium as aparências enganam: tem 3,05 metros de distância entre eixos de estudo de tendências, surpreendeu positivamente.

Dois conversíveis roubaram a cena: o conceito Mercedes-Benz Ocean Drive baseado no Classe S e o inédito Rolls-Royce Phantom Drophead, que resgata as portas dianteiras de abertura invertida, típica dos clássicos esportivos ingleses.

Os chineses da Changfeng exibiram os utilitários esporte Liebao pela primeira vez ao público americano. Foram estréias mundiais, mas o caminho de aprendizado a percorrer será tão longo como a Grande Muralha.

RODA VIVA

CABERÃO à GM brasileira outros desenvolvimentos, além da arquitetura básica das futuras pickups e utilitários médios S10 e Blazer que serão fabricados inclusive nos EUA. Um desses produtos, o Hummer H4 menor que o H3, manterá referências de estilo do jipão militar. O Hummer pequeno concorrerá em 2009 com o Jeep Wrangler, que volta ao mercado brasileiro este mês.

HONDA CR-V, hoje importado do Japão, passará a vir do México no segundo semestre com isenção de imposto previsto em acordo comercial. Preço deve cair. Já o Accord pára de ser produzido na fábrica mexicana. Tendo origem em outros países, o sedã médio-grande pagará mais imposto e perderá a vantagem de preço hoje existente.

TENDÊNCIAS apontadas no Salão de Detroit pela consultoria CSM: acesso facilitado dos ocupantes ao interior dos veículos por meio de portas maiores; tonalidades diferentes de iluminação interna; vidros laminados laterais; mais motores a gasolina com turbocompressores; câmbios automatizados com duas embreagens e automáticos de variação contínua CVT, como no Honda Fit.

CHAMAR de biodiesel um combustível que só recebe de 2% a 5% de óleo de origem vegetal em mistura ao diesel petrolífero parece algo sem lógica. Gasolina contém até 25% de álcool e continua sendo conhecida tão-somente como... gasolina. Gasool seria denominação mais adequada, raramente utilizada fora de meios acadêmicos e técnicos.

PESQUISAS nos EUA apontam que grandes picapes de cabine dupla têm público certo entre quem não as utiliza em serviço comercial. Representam 14% do mercado americano total. Metade das mulheres jovens entrevistadas afirmam, mesmo envergonhadamente, que se sentem atraídas por homens que dirigem esse tipo de veículo. Ou seja, trata-se mesmo de discutível e má formação cultural.

Leia outras colunas de Fernando Calmon aqui

________________________________

Receba as notícias mais quentes e boletins de manutenção de seu carro. Clique aqui e cadastre-se na Agenda do Carro!
________________________________
E-mail: Comente esta matéria

Envie essa matéria para uma amigoa

_______________________________
Fernando Calmon fernando@calmon.jor.bré jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, no WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do sites Just Auto Inglaterra e The Car Connection EUA.

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors