Dois lançamentos de peso

O torque da picape é igual de um caminhão médio, tanto que o motor é usado em vários Ford Cargo e VW
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José Mahar
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– O primeiro foi o da nova RAM 2500, a antiga Dodge Ram redenominada segundo a nova nomenclatura da Chrysler, que agora chama assim todas as sua picapes. A "pequenina" evoluiu bastante, com um motor Diesel Cummins de 6,7L e quase a mesma potência da anterior: 310 contra 330 cv da antiga. O que subiu muito foi um número importante para quem realmente precisa de um veículo desse tamanho: são quase 85 kgfm de torque para 3.250 kg e mais de seis metros de comprimento. Isso são valores de caminhão médio, tanto que esse motor é usado em vários Ford Cargo e VW Constellation de estrada para 40 toneladas.

Acoplada a essa usina de força vem uma nova caixa automática de seis marchas infelizmente com um comando meio impreciso na coluna de direção, imprecisão essa bem incomum nesse tipo de equipamento padrão em veículos americanos que permite o uso do banco dianteiro por três pessoas com muito espaço para estar confortável. Assim acontece com o banco traseiro, suficiente para três americanos criados a Toddy...

O delicado caminhãozinho, que remedia as saudades de quem gostava da F250 com motor MWM Sprint, com o mesmo som de caminhão pesado, pode puxar mais de seis toneladas com o gancho original de fábrica, e aí está seu grande gancho, se me perdoam o trocadilho. A Ram serve pra puxar peso, coisas como um reboque de quatro cavalos, um barco grande, um trailer com uma equipe de corrida completa e coisas do gênero. 

É óbvio que seu lugar não é nas grandes cidades de trânsito pesado, onde ela pode passar por cima de um Uno sem perceber e nenhuma vaga vai ser encontrada para o seu tamanho. É bem verdade que vai haver pessoas a comprá-la por compensação de ego ou de outras deficiências que não cabe aqui citar, mas sua pátria é a estrada.

Apesar de todas as defesas eletrônicas existentes, e até um freio motor que estrangula o escapamento para segurar a barca principalmente quando tracionando um peso qualquer não obstante seus enormes discos de freio com todo o ABS e controles de estabilidade e distribuição de frenagem que se tem direito, o eixo dianteiro ainda é rígido e seguro ao chassi por uma suspensão que prestigia o conforto e não a precisão. 

A RAM melhorou muito desde seu modelo antigo, mas o eixo ainda é um pesado DANA 60 que às vezes reclama por liberdade em cima das dez buchas macias que o unem ao chassi. Portanto, cuidado e discrição nos excessos de ousadia: isso ainda é um caminhão para carregar peso. É uma pena que ela seja rígida na frente por causa do 4X4, mas o sistema não seja permanente, o que lhe daria uma nova agilidade como dava aos antigos Cherokee que sofriam do mesmo problema, ainda que agora muito melhorado com uma suspensão replanejada e mais segura. Ao menos no curto test drive oferecido no Autódromo do Rio de Janeiro à imprensa especializada, que não tem CNH do nível “C”, indispensável ao dirigir um veiculo de mais de 3.500 kg de PBT. Em suma, se você puxa algo pesado, esse é o seu carro...

Na mesma semana a Volkswagen lançou a Amarok Automática. Foi uma pena que não consideraram necessário convidar ao colunista nem aos seus leitores, mas isso não faz com que consideremos a Amarok a melhor picape grande do nosso mercado. Projetada sem os compromissos dos tradicionais fabricantes desse tipo de veículo, a Amarok tem muito do conforto dos Volkswagen grandes e o novo câmbio, de oito marchas, deve suprir todas as opções de desmultiplicação necessárias ao relativamente pequeno motor de 2,0L biturbo, no que repete a versão anterior, a primeira com seis marchas do nosso mercado. A suspensão deve ser a mesma bem projetada do modelo passado, e agora o motor é mais espremido ainda, com 180 cv. Eu só não queria ter uma zica eletrônica no meio do interior do Brasil e chegar com ela em um concessionário que nuca viu um Diesel VW ultra mega super moderno....

As opiniões de nossos colunistas não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.

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José Rezende Mahar jrmahar@gmail.com tem uma longa história de participação no mundo dos motores. Desde 1980 escreve sobre veículos: carros, motos, lanchas, caminhões e ônibus, sejam eles atuais ou clássicos. Editou vários cadernos de automóveis ao longo de sua vida profissional, tais como a Manchete, Gazeta Mercantil, o setor de lanchas da Motor 3, além de colaborar frequentemente no Globo, Jornal Do Brasil, O Dia, Transporte Mundial, Mar, Vela E Motor, Automóveis Antigos e O Radiador, órgão do Veteran Car Club do Rio de Janeiro. Também foi piloto de moto, organizador de competições, chefe de equipe de corridas e mecânico. Em suma, um homem que viveu o encanto da máquina e o feitiço do asfalto em sua totalidade, que sente a emoção dos motores a fundo.

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