Fiat Mobi: ele é apenas mais um?

Preço, motor e visual controverso complicam a vida do subcompacto
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Karina Simões
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Menos é mais? Algumas vezes sim. Neste sábado (16) chega às lojas de todo o Brasil o pequeno Mobi, subcompacto da Fiat que utiliza a base do Uno, porém é 23 cm menor em comprimento. Desenvolvido e fabricado no Brasil, o Mobi nasce para ir matando aos poucos o Palio Fire e o Uno Vivace, tornando-se o carro de entrada da Fiat. Oi? Mas ele é mais caro que seus irmãos maiores? Sim. São seis versões (Easy, EasyOn, Like., LikeOn, Way e WayOn) que partem de R$ 31.900. E é exatamente por isso que a Fiat quer te convencer de que menos é mais.

A montadora, que já acumula anos de experiência no segmento de populares, agora vai tentar colocar na cabeça do consumidor que um carrinho pequeno, e que traz soluções inteligentes no interior, é o que ele precisa para o deslocamento urbano. Compartilho da mesma opinião, mas será que esses atributos são suficientes pro Mobi convencer o brasileiro?

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Dentro da própria gama da Fiat, o Mobi tem que enfrentar dois concorrentes na mesma faixa de preço. Se você quer fugir do design cansado do Palio ou não aguenta mais o “quadrados arredondados” do Uno, o Mobi, sem dúvida, é uma opção mais moderna. Mesmo que ele seja um pouco menor, e, embora compartilhe o mesmo conjunto mecânico dos irmãos, o acerto um pouco mais refinado do Mobi, aliado à ideia de se ter um carro que é pura novidade, pode atrair alguns compradores, mas ainda não nos convenceu.

Polêmico

O motor é o velho conhecido 1.0 FireFlex de 4 cilindros, sem alterações. Ele gera até 75 cv aos 6.250 rpm e 9,9 kgf.m de torque aos 3.860 giros no etanol, acoplado a um câmbio manual de 5 velocidades (sem alteração na relação das marchas). Embora o motor não seja o tricilíndrico que muitos esperavam, ele é honesto e dá conta dos 946 kg do Mobi LikeOn, versão avaliada por nós. A Fiat não fez festa em cima dele não. O propulsor sequer foi citado na apresentação do veículo. Ele não tem mesmo muita expressividade, mas atende bem à proposta de um carrinho urbano.

A febre dos três cilindros

O Kia Picanto e Hyundai HB20 têm motor de três cilindros desde 2011/2012. Depois disso, muitas outras montadoras aderiram ao tipo de propulsor que tem se mostrado mais eficiênte. A Ford apostou no Ka e a Volkswaguen no Up!, um dos principais rivais do Mobi. Mas e a Fiat?

O 1.0 tricilíndrico da família GSE da marca italiana está em desenvolvimento e deve chegar primeiro ao Uno e só em 2017 equipar o Mobi. Hoje, a marca desconversa, e inclusive explica que o consumidor não vê diferença se o motor é de três ou de quatro cilindros, o que importa mesmo são os números de consumo. Legal, caro leitor, todos queremos gastar menos no posto de gasolina e o consumo do Mobi é de: cri, cri, cri... A Fiat ainda não divulgou os dados. Mas para não te deixar na mão, apostamos que ele fará uma média de 13 km/l cidade/estrada, como faz seu irmão Uno.

Minhas primeiras impressões foram: “Estou dirigindo um Uno”. Estruturalmente, a Fiat afirma que o único elemento comum à plataforma do Uno é a parede corta-fogo e o para-brisa. Mas embora a Fiat explique que o Mobi tem apenas 30% de carry on em relação ao irmão maior (isso quer dizer o tanto que eles compartilham de peças), a posição de dirigir, disposição dos pedais, câmbio e motor, e por fim, o desempenho, é difícil dissociar o comportamento de ambos.

A direção é hidráulica e não elétrica. Os freios são à disco na dianteira e a tambor na traseira, e a suspensão é independente na dianteira e com eixo de torção na traseira – como no Uno -, mas uma grata exceção que afasta os irmãos é o acerto da suspensão. Como o assoalho também é novo, os pontos de apoio das suspensões mudaram, o que exigiu um novo acerto. O Mobi é um pouco mais firme que o Uno e isso foi perceptível quando guiei o carro. A parte boa é que mesmo mais rígido, ele não deixou de ser confortável.

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Sim ou não?

O visual é uma das características que a Fiat reforça no Mobi. Tem muita gente torcendo o nariz, mas eu, particularmente, gostei. E digo mais: ao vivo ele é mais bonito do que nas fotos e dá a imprenssão de ser maior do que realmente é. A dianteira é imponente, conta com faróis grandes que lembram os do Freemont. A lateral parece a do Uno e a traseira destaca-se pela porta em vidro. A solução que elimina 6 kg de peso da traseira não conta com uma estrutura em aço. É apenas o vidro temperado de 5 mm e, segundo a Fiat, é seguro.

Pensando em batidinhas menores, há uma alma de aço por dentro do para-choque avantajado e isso protege a tampa em pequenas colisões - imaginem o preço de uma nova? Ainda é cedo, mas vamos descobrir.

 

Onde o Mobi perde mais é no espaço para carga. São 235 litros de capacidade - 45 litros a menos que o Uno. A partir da versão Like, o modelo vem de série com uma caixa chamada Cargo Box, que leva 14 litros. Ela pode ser retirada do carro, utilizada como um fundo falso ou mesmo como uma caixa para transportar o que quiser ou simplesmente deixar o espaço mais organizado.

O acabamento do interior é simples, com bastante plástico como esperado, mas é bonito. O entre-eixos é de 2.305 mm, 7,1 cm menor que o irmão, e isso faria mais diferença não fosse as soluções que a Fiat encontrou. Volante, alavanca de câmbio, botões do ar-condicionado, entre outras peças, são emprestadas do Uno. No entanto, o desenho do painel é totalmente diferente. As saídas do ar-condicionado, que ficam na parte central do painel, tem formado retangular e estão ao lado da tela do rádio. E  pode apostar que ele é eficiente. Filmamos em um dia de calor extremo e o Mobi parecia um freezer por dentro.

O plástico que reveste as portas e painel contam com textura, uma alternativa boa para melhorar a impressão de qualidade. Para compensar a perda de espaço na cabine, os bancos são finos, inteiriços, e o melhor, confortáveis. Outro ponto forte é a acessibilidade para quem vai no banco de trás, a porta tem abertura de 75 graus. 

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Conectividade mesmo, só em junho

Outra característica que a Fiat aposta para o Mobi é a conectividade. Por isso, a marca desenvolveu uma  nova central multimídia chamada Live on. Ela utiliza seu smartphone como “tela” e um aplicativo desenvolvido pela montadora para fazer a conexão carro/celular. O carro conecta-se ao smartphone via Bluetooth e o aparelho fica posicionado no painel, encaixado em uma peça desenvolvida pela Fiat que consegue “segurar” até aparelhor grandes como o iPhone 6 e o Samsung Galaxie Note.

A interface é intuitiva, bonita e com botões grandes, o que garante uma boa visibilidade do motorista e ela traz funcionalidades, como a que ajuda o motorista a encontrar o carro. O que é frustrante é que não pudemos testar a central ainda, pois ela chega apenas em junho e ainda não tem preço definido (cri, cri, cri... de novo).

Estimamos que a central LiveOn custe cerca de R$ 1.500. Pelo pouco que eu pude conhecer da central, ela é muito legal, mas agora, explicar para o usuário que ele vai pagar para usar seu celular exposto no painel como tela e ainda achar uma grande vantagem, é um trabalho que eu deixo para a Fiat.

Briga por território

Dentro da própria Fiat, o Mobi tem que convencer dois compradores, o do Uno e o do Palio. A marca entende que o comprador do Palio é mais racional e o do Uno quer mais espaço, já o Mobi vai atrair aquele cara ávido por novidade, jovem, descolado, outro público. Nós, da WebMotors, não entendemos bem assim, Fiat.

Mais que isso, não podemos esquecer que este segmento é muito concorrido e oferece inúmeras opções, muitas vezes com mais espaço para acomodar a família e por um valor mais acessível. O Up!, seu principal rival, não tem tanto apelo visual para uns, mas sem dúvida tem um motor muito eficiente, ele parte de R$ 32.450 para uma versão duas portas sem ar condicionado nem direção - e que também não existe na loja. Agora, falando na vida real de um sujeito que quer enfrentar o calor no trânsito com dignidade e vai gastar cerca de R$ 40 mil por um carro, vale dar uma boa olhada na concorrência. O HB20, parte de R$ 40.545 com ar e direção, o Ford Ka, sai por R$ 39.900 e, se você não liga se o motor é de quatro cilindros, há o Chevrolet Onix que pode ser encontrado pelo mesno preço do Mobi EasyOn, na faixa dos R$ 35.800. Menos dinheiro, pois mais atributos, vá lá... Mas e se for o contrário?

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Conheça as versões:

Easy. Por R$ 31.900 não tem ar, nem direção. Conta com banco traseiro bipartido, para-choques pintados na cor da carroceria, Lane Change, ESS, rodas de 13 polegadas com calotas, retrovisores com comando interno. Opcionais: ar quente e o pacote que adiciona vidros dianteiros e travas elétricas, limpador e desembaçador do vidro traseiro e predisposição do rádio.

Easy On. Por R$ 35.800 adiciona ar-condicionado, direção hidráulica e volante com regulagem de altura, as rodas são de 14 polegadas e não há opcionais.

Like. Com R$ 37.900, seu Mobi ganha vidros e travas elétricas, predisposição de rádio, computador de bordo, chave telecomando, console central longo com porta copos para os passageiros do banco traseiro, limpador e desembaçador traseiro, cintos de segurança dianteiros ajustáveis em altura, maçanetas e retrovisores externos pintados na cor da carroceria, grade dianteira pintada em preto brilhante, comandos internos para abertura do bocal de combustível e do porta-malas, revestimento do porta-malas e Cargo Box. Opcionais: rádio B7 e o LiveOn, que acompanham alarme e comandos no volante.

Like On. R$ 42.300 pelo conteúdo da versão intermediária, mais rodas de liga leve, faróis de neblina, regulagem de altura para o banco do motorista, retrovisores elétricos com Tilt Down e repetidores de direção, sensores de estacionamento, alarme e rádio com comandos no volante. Não há opcionais.

Way. Custa R$ 39.300 e traz todos os itens da Like. Maos visual “aventureiro”: barras longitudinais de teto, para-choques exclusivos, molduras nas caixas das rodas, além das suspensões mais elevadas. Mesmos opcionais da Like.

Way On. Visual da Way, conteúdo da Like. mais rodas com desenho exclusivo e console de teto com porta objetos por R$ R$ 43.800.

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