Ford revela novo EcoSport e aposta na beleza exterior

SUV compacto chama a atenção por fora, mas acabamento está aquém ao do novo Fiesta
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Rodrigo Ribeiro
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(Camaçari – BA) - Após a inusitada apresentação do conceito em Brasília, a Ford finalmente apresentou a versão definitiva do novo EcoSport, cujo principal mistério era o interior. Sem surpresas, o SUV usa um painel bem similar ao aplicado no novo Fiesta, que compartilha a mesma plataforma. O exterior é idêntico ao do protótipo, com exceção aos faróis, que usam lâmpadas convencionais. A Ford não revelou quase nada de maneira oficial, mas sabe-se que o EcoSport chegará no segundo semestre nas versões 1,6L e 2,0L, sendo que esta última manterá as opções com câmbio automático ou tração 4x4.

Exagero

O mistério em torno do novo EcoSport chegou ao ápice de proibir os jornalistas de abrir o capô da unidade exposta, uma 2,0L Titanium. O exagero mostrou-se completamente infundado após o WebMotors descumprir a regra e verificar o propulsor, um tradicional 2,0L de 143 cv da família Duratec, que já equipa o Focus e o EcoSport atual. A única diferença era que o motor em questão estava sem a tampa estética sobre ele, expondo parte da fiação.

Olhando o assoalho comprovou-se o uso da tradicional suspensão McPherson independente no eixo dianteiro e do eixo de torção atrás. O destaque fica para o grande espaço livre atrás do eixo, permitindo a colocação de um estepe ou de um diferencial para tração integral.

Os segredos em torno do novo EcoSport, aliás, estavam espalhados pela fábrica da Ford em Camaçari, BA, onde o modelo foi apresentado. Uma foto do interior revelava a versão com câmbio automático, que ganhará a pouco prática opção de trocas seqüenciais por botões na própria alavanca. Uma olhada mais atenta ao painel de instrumentos mostrava a luz que indica o bloqueio do diferencial, recurso exclusivo da versão 4x4, enquanto um diagrama da engenharia mostrava o estudo do EcoSport sem o estepe na tampa do porta-malas – lembra do espaço livre no assoalho?

Investimento exterior

A principal confirmação, contudo, se deu em um panfleto colado na parede que mostra o comparativo do novo EcoSport, chamado de projeto B515, com seus considerados concorrentes, o Renault Duster e o improvável JAC J6. Nele a Ford confirma a versão 1,6L com motor sigma (de até 115 cv) e o objetivo da contenção de custos do principal projeto da marca nos últimos anos.

Essa meta, somada à declaração de Alexandre Machado, chefe do projeto, ajuda a entender como o novo EcoSport foi concebido. “Nesse modelo mantivemos a posição elevada de dirigir, afinal, nada como dirigir e olhar seu vizinho pela janela de cima para baixo”, declarou o executivo. Com visual ousado, o SUV de fato chamará a atenção de quem o ver de fora. A desvantagem é que todo o investimento feito na “casca” mostrou seu efeito colateral no “recheio”.

Fiestão

O apelido pejorativo que marcou a primeira geração do EcoSport pode continuar no novo modelo, se depender de seu interior. Apesar de repetir o visual moderno do novo Fiesta, o painel revela o apelo popular do projeto ao perder materiais emborrachados e apresentar plásticos mais rígidos do que os usados no hatch mexicano.

Rebarbas no mecanismo de rebatimento do banco traseiro e plástico áspero nas maçanetas contribuem para a impressão de que o novo EcoSport investe no exterior e em alguns recursos tecnológicos, como a abertura do carro e partida do motor sem chave e sistema de auxílio de partida em subidas. Os acessórios, assim como airbags duplos e de cortina (airbags laterais só serão oferecidos em outros países), ajudam a rechear a lista de itens de série do EcoSport Titanium, mas não justificam fios soltos e bolhas no acabamento dos bancos como os encontrados na unidade exposta. Falhas toleráveis no carro mais barato do Brasil (Ford Ka, R$ 23.600), mas não em um modelo que custará mais do que o dobro disso. Mesmo levando em consideração que estávamos vendo um modelo de pré-serie preparado para a imprensa.

Carro de imagem

Não há dúvidas de que o EcoSport irá continuar a ser um sucesso de vendas quando chegar aos concessionários. Com visual ousado e aparência de carro caro, ele ganhará muitas garagens desejosas por um “carro de imagem”. O termo, geralmente usado em um carro topo de gama que reúne o melhor da tecnologia e luxo de uma fabricante, também pode ser aplicado no SUV “para ver o vizinho de cima para baixo”.

O problema é que o cobertor é curto, e o novo Eco agrada mais a quem está fora do que quem está dentro dele. Se no Brasil isso não é um empecilho para disputar este segmento, é na Europa e nos Estados Unidos, mercados exigentes que terão o novo Kuga ao invés do EcoSport. A Ford do Brasil se vangloria pelo fato do novo EcoSport ser um projeto global, mas é uma pena que o modelo seja destinado apenas para países emergentes – e, por tanto, mais suscetíveis a produtos populares.

Viagem feita a convite da Ford do Brasil

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