Harmon Splinter, o supercarro de compensado de madeira

Quando ficar pronto, modelo terá motor V8 4,6-litros de mais de 600 cv e menos de 1.200 kg.
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Gustavo Ruffo
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- A necessidade de carros mais leves, resistentes e econômicos tem levado toda a indústria a pesquisar novos materiais, até os mais inusitados. De todo modo, nenhum ambiente tem tanta liberdade de pesquisa quanto o universitário. É de lá, mais especificamente da North Carolina State Universit, nos EUA, que está saindo um dos projetos mais incomuns de todos os tempos: um supercarro feito inteiramente de compensado de madeira, o Harmon Splinter.

A idéia partiu de Joe Harmon, formando de Desenho Industrial que, segundo seu site www.joeharmondesign.com, sempre quis ser um projetista de automóveis. Como todos os carros de madeira que já foram criados tinham apenas partes de suas carrocerias com este material, como as woodies, a novidade seria ter um veículo inteiramente fabricado com ele. Além disso, um veículo com superdesempenho. É o que Harmon está tentando fazer.

A diferença é que, como um superesportivo tem muitas exigências, o Splinter não poderia ser fabricado a partir de madeira maciça, muito pesada, mas sim com compensados. Com 4,43 m de comprimento, 2,67 m de entreeixos, 2,08 m de largura só de bitolas ele tem 1,78 m na frente e 1,75 m na traseira, 1,07 m de altura e apenas 9 cm de vão livre, o supercarro tinha de ter um peso baixo. O que se estima é que ele terá, no máximo, 1.133 kg.

A motivação, segundo o projetista, é simples. “Não estamos tentando vender nada, não queremos salvar o mundo e não estamos dizendo que todos devem ter um carro de madeira. Este é um projeto universitário em que estamos apenas explorando materiais, aprendendo, ensinando, compartilhando idéias e estimulando a criatividade”, diz ele em seu site. “Estamos construindo um supercarro de motor central e alta performance feito de compensados como trabalho de conclusão de curso. A madeira será usada sempre que possível, incluindo o chassi, carroceria e grande parte das peças da suspensão e das rodas”, completa ele.

Para empurrar o Splinter para a frente será usado um motor Cadillac NorthStar V8 4,6-litro de 32 válvulas com dois compressores Roots. O objetivo é chegar a mais de 600 cv, o que faria do Splinter um desafiante à altura de Ferrari, Lamborghini, Porsche e companhia. A tração será traseira, com a mesma transmissão usada no Corvette, manual de seis velocidades. Como o transeixo do Corvette C5 deixa o motor muito no meio do carro um dos objetivos do projeto, foi preciso achar mais espaço para os dois únicos ocupantes do carro.

A solução foi colocar motorista e passageiro com as pernas no meio da suspensão dianteira, ou seja, entre o braço inferior e o superior da suspensão, algo que o criador do carro aponta como uma possível inovação. Segundo Harmon, isso favorece a posição de dirigir, bem à frente. O grande problema é certamente a questão da segurança, uma vez que as pernas dos ocupantes ficariam exatamente na zona de deformação no caso de um impacto frontal. "Pretendemos reforçar fortemente essa área, para proteger melhor os ocupantes no caso de um acidente, ainda que o Splinter seja apenas um carro de demonstração", disse Harmon com exclusividade ao WebMotors.

Segundo ele, o fato de o carro ser de madeira não o torna mais sujeito a queimar do que outros materiais, como fibra de carbono ou de vidro. "Se alguém bater o carro e romper o tanque, não vai fazer diferença estar em um carro de madeira, de fibra de vidro ou de carbono. A resina usada nos três é muito parecida e vai queimar se for exposta a muito calor. O que sentimos é que um carro bem construído com madeira pode ser tão bom ou melhor que um de fibra de carbono", afirmou o projetista.

Outras inovações do Splinter são os braços e bandejas de suspensão, de madeira, assim como as molas de suspensão feixes e a barra estabilizadora, o que pode ser surpreendente, mas há peças com mais capacidade de assombrar, como as rodas. Com carcaça fundida em alumínio, elas têm o miolo e os raios feitos deste material. “Mais do que a quebra dos raios, nossa preocupação era não torcer o centro da roda. Nossos cálculos nos dão uma margem de segurança, mas haverá dedos cruzados quando alguém resolver dar uma ‘borrachada’ no asfalto”, diz Harmon.

A última inovação é a posição do escapamento do motor, que vai para cima, em vez de para baixo, como nos motores convencionais. Com isso, a equipe conseguiu tirar do chassi do carro que é de madeira boa parte do calor gerado pelo motor. E transformar um simples silenciador em um aerofólio traseiro, o primeiro com outra função além de deixar o carro mais assentado no chão. “Só não vale se apoiar no aerofólio depois de fazer algumas voltas ‘quentes’ com o carro. Seu braço pode grudar nele, o que não é nem um pouco legal”, diz Harmon.

E que ninguém duvide de que o carro poderá acelerar com vontade quando estiver pronto. Os pneus serão Michelin Pilot Sport 2, em medida 265/35ZR19 na dianteira e 335/30ZR20 na traseira.

Para quem quiser acompanhar a montagem do carro, além do site de Harmon existe também um blog que traz as últimas atualizações sofridas pelo Splinter joeharmon.blogspot.com. Isso até a conclusão do superesportivo. "Ele deverá ser exposto em uma feira de trabalhos com madeira em Atlanta, em agosto de 2008, mas ainda não será funcional. Esperamos poder dirigi-lo em dezembro de 2008", disse Harmon ao WebMotors. Assim que isso for possível, o Splinter será o primeiro carro em que “pisar na tábua” não será mera figura de linguagem.

Texto modificado em 27-12-07, às 10h
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