Accord traz motor turbo e tecnologia semiautônoma

Décima geração do sedã de luxo da Honda chega ao país por R$ 198.500 apostando na eficiência e com pegada mais esportiva

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Redação WM1
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Presente no mercado brasileiro desde 1992, o Honda Accord estreia a décima geração no país com visual mais esportivo, inédito motor 2.0 turbo de quatro cilindros e o pacote de assistentes à condução Sensing, pela primeira vez disponível em um modelo da marca aqui. O sedã executivo de grande porte também ficou mais caro, disponível nas concessionárias na versão única Touring por R$ 198.500 - a nona geração, disponível em configuração inferior (EX), saía por R$ 162.500.

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Legenda: Novo Accord lembra versão anabolizada do Civic, também exibindo perfil de cupê, mais esportivo
Crédito: Divulgação

De fato, o preço do modelo topo de linha da marca subiu consideravelmente, ficando na mesma faixa ou até mais caro que versões de entrada de sedãs médios de marcas alemãs, como Mercedes-Benz C 180 e BMW 320i. Porém, pela diferença de R$ 36 mil, podemos antecipar que o novo Accord entrega muito mais que seu antecessor e traz alguns recursos só disponíveis em modelos maiores e ainda mais caros das montadoras citadas acima.

O sedã grande da Honda sempre foi um carro mais conservador, mirando executivos endinheirados em busca de conforto e desempenho. Pelo preço cobrado, o perfil não deve mudar muito - a projeção da marca é vender apenas cerca de 130 unidades no ano que vem -, mas o Accord realmente rejuvenesceu e emprestou do Civic um visual bem mais arrojado, que combina com uma condução também mais dinâmica, como veremos adiante.

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Legenda: Faróis são totalmente iluminados por LEDs, como na geração anterior, mas agora têm facho alto automático
Crédito: Divulgação

À primeira vista, chamam a atenção as rodas de liga leve de 18 polegadas raiadas, a menor altura da carroceria e a traseira mais curta, com curvatura do teto mais acentuada, seguindo o perfil de cupê observado no Civic - as lanternas traseiras, por exemplo, seguem o mesmo estilo "bumerangue" do sedã médio da montadora japonesa. A dianteira, com faróis full-LED e agora com luz alta automática, também lembra bastante a do Civic.

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Legenda: Lanternas seguem estilo 'bumerangue' do Civic, enquanto as belas rodas raiadas têm 18 polegadas
Crédito: honda-accord-4

Considerando as dimensões, o novo Accord ainda é grande para os padrões brasileiros, medindo 4,89 m de comprimento - embora tenha perdido 1,4 cm nessa dimensão, por conta da dianteira mais curta, que trocou o motor 3.5 V6 longitudinal pelo 2.0 turbo transversal, bem mais compacto. Com 1,46 m de altura, ficou 1,5 cm mais baixo. Porém, quanto ao espaço na cabine, os ganhos foram consideráveis: mais 5,5 cm na distância entre-eixos, totalizando 2,83 m, e mais 68 litros na capacidade do porta-malas, subindo para excelentes 574 litros. O para-brisa está mais inclinado, o que, segundo a Honda, melhorou a visibilidade.

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Legenda: Honda Accord 2019 ficou 1,4 cm mais curto graças à adoção de motor na posição transversal. Note o caimento acentuado do teto na traseira
Crédito: Divulgação

Graças ao uso 29% de aços de ultra alta resistência na carroceria, o Accord ficou cerca de 80 kg mais leve, totalizando 1.547 kg, e também mais afiado para dirigir, com ganho de 32% na rigidez torcional. O centro de gravide também ficou mais baixo, o que igualmente contribuiu para uma pegada mais esportiva. Os avanços no chassi incluem, ainda, elementos mais leves na suspensão, que ganhou braços inferiores e subchassi de alumínio na dianteira.

MENOS CILINDROS, MAIS DESEMPENHO

Além desses avanços, houve evolução também no trem de força: o V6 aspirado sai de cena e dá lugar ao moderno 2.0 turbo com injeção direta de gasolina com duplo comando de válvulas, na admissão e no escape. É basicamente a mesma unidade usada no nervoso Civic Type R, recordista em vários circuitos europeus, porém "amansado" para entregar 256 cv de potência a 6.500 rpm.

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Legenda: Accord ficou mais baixo e também baixou o centro de gravidade, além de ganhar reforços estruturais
Crédito: Divulgação

Embora menos potente que o V6, que rende 280 cv a 6.200 rpm, o novo quatro cilindros tem mais torque e entrega essa força mais cedo (34,6 kgfm a 4.900 giros do 3.5 contra 37,7 kgfm entre 1.500 e 4.000 rotações do 2.0). Além do motor mais esperto e compacto, outra novidade é a troca do câmbio automático de seis marchas por outra transmissão automática, cerca de 10 kg mais leve e que agora conta com dez velocidades, para aproveitar o torque abundante, manter as rotações baixas e poupar combustível - a fabricante informa consumo médio de 9 km/l na cidade e de 12,3 km/l na estrada.

De acordo com o assessor técnico Alfredo Guedes, da sexta até a décima marchas o câmbio funciona como overdrive, ou seja, mantém as rotações baixas em velocidade de cruzeiro.

ATÉ ANDA SOZINHO

No quesito segurança, agora o Accord traz ao todo oito airbags, contra seis da geração anterior - foram adicionadas duas bolsas infláveis para proteção dos joelhos dos ocupantes dianteiros. Mas o ponto alto fica mesmo por conta do pacote Honda Sensing, disponível em toda a gama da marca em mercados como o norte-americano e o europeu e que aqui, por ora, fica restrito ao modelo mais caro e sofisticado.

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Legenda: Sistema Sensing utiliza radar, posicionado abaixo da placa, e câmera atrás do retrovisor interno para 'enxergar' seu entorno
Crédito: Divulgação

Esse pacote na prática agrega recursos de condução semiautônoma ao sedã, embora a Honda saliente que o motorista continua totalmente responsável pela condução e segurança. O Sensing, como em modelos de outras marcas, utiliza um radar e uma câmera na dianteira para identificar obstáculos ao seu redor e interceder na condução sempre que necessário, tudo em nome da segurança.

O pacote é formado por sistema de frenagem de emergência, que alerta sobre o risco de impacto frontal e pode parar o veículo totalmente por conta própria, dependendo da situação; também traz controle de velocidade de cruzeiro adaptativo, que ajusta automaticamente a velocidade escolhida de forma a manter uma distância segura do veículo à frente, funcionando inclusive em baixas velocidades e capaz até de parar totalmente o Accord; conta, ainda, com assistente de permanência na faixa, que usa a câmera para identificar as marcações na pista e manter o veículo dentro delas, centralizado, mexendo o volante com assistência elétrica automaticamente; e alerta de saída de faixa, que emite alertas visuais e sonoros se o condutor mudar de faixa sem ligar o pisca.

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Legenda: Pacote de assistência inclui frenagem automática de emergência e controle de velocidade de cruzeiro adaptativo
Crédito: Divulgação

Os dois últimos recursos são os mais bacanas e funcionam a velocidades entre 72 km/h e 145 km/h. Na prática, o assistente de permanência na faixa faz o veículo fazer curvas de raio aberto e médio por conta própria, que, combinado com o controle de velocidade de cruzeiro adaptativo, permite uma condução semiautônoma em rodovias, a exemplo de modelos de outras marcas, como a Volvo. Porém, após cerca de dez segundos, o veículo emite um alerta no painel para o condutor recolocar as mãos no volante, deixando claro que o recurso é apenas um assistente e o motorista deve seguir no comando e com os olhos na estrada.

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Legenda: Sistemas de assistência são exibidos no lado esquerdo do painel, agora digital. Apenas o velocímetro, à direita, é analógico, com ponteiro de verdade
Crédito: Divulgação

A segurança a bordo conta, além do Sensing, dos controles de tração e estabilidade e dos oito airbags, com câmera acoplada ao retrovisor externo no lado do passageiro que é ativada sempre ao acionar a seta nessa direção, exibindo na tela tátil de oito polegadas da central multimídia imagens da lateral do veículo, operando como um monitor de ponto cego. Também há câmera traseira para manobras e alerta de cansaço ao volante - os três últimos recursos também estão disponíveis no novo CR-V. Por falar na central multimídia, ela conta com Android Auto e Apple Car Play, permitindo usar o Waze, por exemplo, e tem navegador GPS próprio com atualização de rotas de acordo com o trânsito - serviço fornecido via parceria com a Porto Seguro, porém não disponível em todas as cidades do país, informa Guedes.

Interior caprichado

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Legenda: Cabine combina couro legítimo, madeira e detalhes em metal. Revestimento interno pode ser bege, preto ou cinza
Crédito: Divulgação

Por dentro, a cabine traz acabamento caprichado, com bancos, painéis das portas e outras superfícies revestidas de couro legítimo, com várias áreas acolchoadas e materiais agradáveis ao toque, como madeira e detalhes de metal. Agora, o painel de instrumentos é parcialmente digital, com tela configurável de sete polegadas à esquerda e apenas o velocímetro analógico à direita - uma configuração inusitada, dada a tendência de "clusters" totalmente eletrônicos. É um toque de tradicionalismo da Honda, mirando o público tradicionalmente mais conservador do Accord.

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Legenda: Com distância entre-eixos ampliada em 5,5 cm, espaço para ocupantes ficou ainda melhor
Crédito: Divulgação

Os mimos a bordo incluem, ainda, teto solar elétrico, carregamento de celular sem fio no console central, duas portas USB com 2,5 amperes para recarga com fio e conexão de smartphones, ar-condicionado digital de duas zonas com saídas de ar para o banco traseiro, sistema de som com 452 W e dez alto-falantes, bancos dianteiros com ajustes elétricos e duas posições de memória (que podem subir para quatro com o uso de uma chave extra) e ventilação nos assentos dianteiros, que foram redesenhados e trazem, como o banco traseiro, couro perfurado.

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Legenda: Central multimídia com tela tátil de oito polegadas tem Android Auto e Apple CarPlay e também conta com GPS integrado
Crédito: Divulgação

Também oferece sensor de chave, partida do motor por botão e a distância, por meio da chave, e "head-up display", que projeta informações variadas, como rotas de navegação e velocidade, diretamente no para-brisa. Agora, o câmbio é operado por botões no console e não mais pela tradicional alavanca, contando com modo esportivo, que retarda as trocas de marcha, ajusta a assistência elétrica e altera o mapeamento do motor para uma condução mais arisca. No modo Eco, a pegada é oposta: economia de combustível. Quem desejar trocar as marchas manualmente, embora sejam muitas, conta com borboletas no volante.

Ao volante

No evento de lançamento do novo Accord, tivemos a oportunidade de rodar cerca de 70 km com o sedã, sobretudo em trechos rodoviários, e atestamos que o carro anda muito bem, apesar do motor menor e menos potente. A Honda não informa números de aceleração, mas, apesar dos mais de 1.500 kg, o Accord anda muito bem e, quando o pedal do acelerador é exigido, chega a reduzir até cinco marchas, proporcionando acelerações e retomadas vigorosas - arriscaria dizer que anda tanto ou mais que o Volkswagen Golf GTI, por exemplo.

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Legenda: Comandos do câmbio automático de dez marchas agora são por meio de botões no console central
Crédito: Divulgação

O novo câmbio de dez velocidades cumpre muito bem seu papel, com trocas suaves e muito rápidas, explorando com competência todo o torque à disposição. Em uma tocada mais nervosa, comporta-se como um câmbio automático convencional, mas, em velocidade de cruzeiro, é tão discreto e progressivo que até lembra uma transmissão CVT, usada no restante da gama da Honda no país, como Civic, Fit e City.

Acelerar na estrada também transmite segurança por conta da excelente estabilidade, com o carro "colado" no asfalto - as suspensões não são supermacias, trazendo um bom equilíbrio entre esportividade e conforto. Já a direção elétrica, que tem assistência variável, fica mais rápida em velocidades mais elevadas, mas não é tão direta - afinal, trata-se de um sedã executivo e não de um esportivo.

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Legenda: 'Head-up display' projeta informações diretamente no para-brisa, para não tirar a atenção do trânsito
Crédito: Divulgação

A cabine traz bom isolamento acústico, que foi reforçado nessa geração e conta com um compensador de ruídos integrado ao sistema de som, como na geração anterior, porém agora conta com três microfones na cabine para captar esses barulhos, contra dois do Accord anterior.

Por conta do rápido contato com o Accord, deu para perceber que operar os sistemas do Honda Sensing exige um pouco de aprendizado e adaptação para aprender a mexer nos comandos no volante, mas compensa ver que funcionam de fato. Destaque especial para o assistente de manutenção de faixa: com ele e o controle de velocidade de cruzeiro ativados, deu para rodar em alguns trechos sem tocar no volante nem nos pedais, até que o carro emitisse o alerta para voltar a segurar na direção.

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Legenda: Nova geração do Accord agora conta com sistema de recarga sem fio de celulares, mas Android Auto e Apple CarPlay ainda requerem conectar smartphone ao veículo fia cabo
Crédito: Divulgação

Para concluir, o Accord é mesmo caro e por aqui funciona mais como uma vitrine das tecnologias e recursos que a Honda desenvolve para seus veículos. Ainda assim, é um excelente carro e, com a adição do turbo, do câmbio de dez marchas e dos assistentes semiautônomos à condução, agora está a par com modelos alemães, por exemplo. Para quem tem dinheiro disponível, é uma boa alternativa para modelos como Volkswagen Passat, Toyota Camry e Hyundai Azera, para citar alguns. E pode seduzir oferecendo mais espaço e tecnologia que os sedãs médios de marcas alemãs, na mesma faixa de preço.

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