Metalúrgicos dos EUA vão ao Salão

Trabalhadores querem conscientizar comprador de carro
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Já há algum tempo a sociedade se preocupa com a origem dos produtos que consome; se o fabricante respeita as leis ambientais, se na sua produção foram utilizados materiais reciclados, se a empresa pratica a responsabilidade social. Mas pouco se fala em relação às condições de trabalho a que os operários são submetidos no processo produtivo, embora esse seja um tema latente nas associações sindicais.


Pela primeira vez, uma entidade de trabalhadores, a UAW – United Auto Workers, que representa os trabalhadores da indústria automobilística estadunidense, sai a campo para fazer uma pesquisa para saber se o consumidor leva em conta essas condições na hora de comprar um carro. E o país escolhido para fazer essa pesquisa inédita foi o Brasil.


“A gente constata aqui que o futuro da indústria automobilística está no Brasil”, explicou Ginny Coughiln representante da UAW no Brasil, no estande da associação no Salão do Automóvel, justificando a realização da pesquisa no país. “Nos últimos dez anos o poder de compra do consumidor brasileiro aumentou e por isso todos querem estar aqui para aproveitar as oportunidades”.


Segundo o secretário de Relações Internacionais da Fcaptionação Nacional dos Metalúrgicos, João Cayres, que participa da ação com o UAW, o objetivo é desenvolver no consumidor brasileiro a consciência em relação à forma como são produzidos os carros, no Brasil e nos Estados Unidos, para saber se ele está comprando um produto feito em condições dignas.


Cayres lembra que, muitas vezes, o fabricante obedece todas as normais legais em relação aos trabalhadores, mas o mesmo não acontece com os fornecedores: “É preciso ficar atento às condições de trabalho em toda a cadeia produtiva”.


O dirigente disse que os salários dos trabalhadores da indústria automobilística no Brasil também são muito desiguais, dependendo da região onde a fábrica está localizada. Fora da região do ABC o trabalhador ganha, em média, metade do salário.


“E já foi pior: o salário de montadoras em outras cidades chegou a ser 1/5 do valor pago no ABC”, revelou Cayres, com base num levantamento feito pela Fcaptionação.


O dirigente citou a Volvo como uma empresa diferenciada em relação às demais no Sul do País, uma vez que ela paga os melhores salários e destacou a Iveco, em Sete Lagoas, como a que paga o salário mais baixo do Brasil.


Ginny Coughiln diz que a situação nos Estados Unidos é ainda pior, uma vez que o país não dispõe de uma legislação universal, como a CLT brasileira, e que a organização sindical é dificultada nas empresas.


“Os Estados Unidos caminham em direção oposta à do Brasil, piora a distribuição de renda e as garantias trabalhistas”. Ela lembrou que, ao contrário de Detroit, onde todos os trabalhadores são sindicalizados, nos estados do Sul - politicamente mais atrasados - mais da metade não está filiada ao sindicato, pois a legislação dificulta. Além disso, há muita pressão por parte dos empresários, que ameaçam os que se interessam pela luta sindical.


Segundo o UAW, uma montadora japonesa instalada no Sul obriga seus funcionários a usarem camisetas enaltecendo o fato dos trabalhadores da fábrica não estarem sindicalizados: “Quer sindicato? Vai pra Detroit”, são os dizeres da camiseta.


Direitos seculares são desrespeitados em algumas montadoras. Explora-se o trabalho “temporário”, que se transforma em permanente sem os direitos correspondentes; a licença maternidade é de apenas dez dias; o trabalhador não tem direito a férias, décimo terceiro salário ou fundo de garantia.


João Cayres lembra que essa situação de desigualdade, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, não é justa nem mesmo para os empresários, uma vez que as montadoras instaladas longe nos centros tradicionais da indústria automobilística - no caso Detroit e região do ABC – pagam salários mais baixos e são beneficiadas com incentivos governamentais. “E o carro custa o mesmo preço”, disse o dirigente.


A pesquisa está sendo feita junto aos visitantes do Salão do Automóvel, que vai até dia 4 de novembro. Pretende saber dos consumidores se eles levariam em conta, na hora de comprar um carro, as condições de trabalho dos funcionários das montadoras e dos seus fornecedores e se isso poderia influenciar na compra.


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