Nissan Versa chega ao Brasil de olho em Siena, Voyage e Logan

Derivado da plataforma do March, sedã tem como principal virtude o espaço interno
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Rodrigo Ribeiro
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– Campos do Jordão - SP – Sedã popular com espaço quase equivalente ao de um médio, mas com preço de compacto. A receita não é nova – o Renault Logan que o diga. Mas a Nissan deu literalmente uma cara nova à ideia com o Versa. Inicialmente equipado apenas com um motor 1,6L 16V de 111 cv e câmbio manual, o modelo chega às revendas em novembro com preço partindo de R$ 35.490 na versão S.

Por esse valor você leva de série direção elétrica, travas e vidros dianteiros elétricos, alarme e airbag duplo. O ar-condicionado eleva o preço para R$ 37.990. A versão intermediária, S, adiciona retrovisores e vidros traseiros elétricos e rádio CD-Player com entrada USB e iPod e parte de R$ 39.990. O ABS só é encontrado na topo SL, que também tem rodas de liga-leve de 15 polegadas e faróis de neblina como principais itens de série, por R$ 42.990.

O preço pode ser similar ao da concorrência, mas o Versa aposta em algo que só o “meio-irmão” Logan tem: espaço interno. Com um enorme entre-eixos de 2,60 m, ele só perde pro Renault 2,63 m. E seus rivais, bem, eles fazem jus ao termo “compactos”. É só olhar as medidas de Fiat Siena 2,37 m, Volkswagen Voyage 2, 46 m e Ford Fiesta RoCam 2,49 m.

De dentro para fora
Se na cabine o Versa se equivale ao Logan, a diferença do outro lado da porta é gritante. O Renault pode não ser considerado feio, mas seu visual está longe de virar pescoços. Já o Versa, apesar de não ser ousado, tem mais personalidade. A marca, felizmente, optou por dar uma identidade própria à variante sedã do March. Do hatch vieram a plataforma esticada, conjunto mecânico e o console.

Por isso não estranhe o painel inteiro de plástico e um modesto aplique de tecido nas portas. A simplicidade no interior é contornada pela boa construção, sem rebarbas entre os componentes e materiais sem a aspereza típica dos populares. A Nissan escorregou apenas no quesito segurança, pois o Isofix que facilita a fixação de cadeirinhas de criança padronizadas e cinto de segurança de três pontos para todos os ocupantes são oferecidos apenas na versão intermediária SV.

Murilo Moreno, diretor de marketing da Nissan, explicou o desfalque dos equipamentos. “Precisamos criar um degrau de itens entre as versões, daí a opção por retirar alguns acessórios das versões mais simples”, justificou o executivo. Por esse ponto de vista faz sentido que uma simples lâmpada de iluminação no porta-malas ou maçanetas cromadas só estejam nas versões mais caras.

Nem divertido, nem irritante
Ao volante o Versa apresenta desempenho condizente com a proposta de um sedã compacto familiar. Os 111 cv do motor 1,6L 16V flex não empolgam, mas cumprem com folga a tarefa de levar o carro ladeira acima. Não à toa, a apresentação do modelo à imprensa foi realizada na montanhosa Campos do Jordão SP. Com comando de válvulas variável, o propulsor entrega potência de forma linear, mas precisa chegar aos 4.000 rpm para alcançar os 15,1 kgfm de torque máximos

A certa letargia do Versa é justificada principalmente pela transmissão, com relações mais alongadas a partir da terceira marcha, tornando obrigatórias reduções para enfrentar serra acima – principalmente com o ar-condicionado ligado. A vantagem disso é que a quinta marcha proporciona giros menores em altas velocidades. A característica é bem vinda no Versa, que apresentou isolamento acústico deficiente – acima de 2.500 rpm o barulho do motor invade bastante a cabine, mesmo com todos os vidros fechados.

Para absorver buracos e outras imperfeições, a suspensão ganhou uma calibragem mais macia. O lado negativo disso é uma rolagem maior da carroceria, o que explica o uso de barras estabilizadoras no eixo dianteiro e traseiro. A direção com assistência elétrica é macia, mas poderia ser menos anestesiada – principalmente em altas velocidades.

Potencial de líder
Com visual diferente, espaço de sobra e com mais virtudes do que defeitos, o Versa pode bater a concorrência em pouco tempo – principalmente se a versão automática, vendida nos Estados Unidos, vier para cá. O ostracismo da Nissan já foi superado com os agressivos comerciais da marca, restando apenas a dúvida em relação à manutenção.

Para isso a Nissan oferece garantia de três anos e um plano de revisões com preço tabelado de R$ 1.744 até os 60 mil km. Tática similar da JAC com o J3 Turin, que ganha em garantia seis anos, mas perde em espaço interno. Seguindo a onda de humildade de algumas fabricantes, a Nissan aposta que o Versa venda entre 1.800 e 2.000 carros por mês. A média é abaixo do que o Logan vem obtendo este ano 3,2 mil/mês, segundo a Fenabrave e ainda menor se comparado ao Voyage 7,2 mil/mês. Mas não é nada mal para uma marca que encerrou 2010 com míseros 1,08% de participação. A meta da Nissan é ser a maior asiática do Brasil até 2016. Há um ano isso soaria como uma piada, mas a chegada da marca maior segmento do País carros abaixo de R$ 40 mil mostra que os japoneses estão falando sério.

Viagem feita a convite da Nissan do Brasil
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