Primeiras impressões: Renault Captur 1.6 CVT

Acerto do câmbio continuamente variável preza pelo conforto

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Redação WM1
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O Captur chegou cheio de pompa em fevereiro. Atores globais na campanha, desfile pelos traços de Niemeyer no Museu de Arte Contemporânea de Niterói (RJ) e design inquestionavelmente atraente. Mas, no lançamento, em fevereiro, o que chamava a atenção e causava certa intriga era a promessa futura da versão CVT. Ela, enfim, chega na última semana de julho com a expectativa de ajudar a duplicar as vendas do SUV da Renault - que emplacou 1.400 unidades em maio. Pelo primeiro contato com o modelo, a tarefa até pode ser difícil, mas está longe de ser impossível.

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Legenda: Renault Duster 1.6 Sce CVT
Crédito: Renault Duster 1.6 Sce CVT

Isso porque a configuração entrega conforto na medida certa e nada além do que isso. Se quer pegada esportiva, vá procurar outro utilitário esportivo. O bom motor 1.6 de quatro cilindros se dá bem com a caixa continuamente variável que a Renault não rotula como nova geração, mas que é uma clara evolução em relação à transmissão que equipa o Fluence, por exemplo.

Mas trataremos desses detalhes mais adiante, pois o bacana nesse Captur é que ele oferece a comodidade de não passar marcha ou pisar na embreagem, sem cobrar os R$ 91.900 da versão topo de linha com motor 2.0. E sem obrigar o desavisado cliente a conviver com o defasado e impreciso câmbio automático de quatro marchas desta variante mais cara. Com o CVT, os 120 cv carecem de emoção, mas compensam em eficiência e “economia”: o modelo começa em R$ 84.900 na versão Zen 1.6 CVT e chega a R$ 88.400 na Intense 1.6 CVT, que foi avaliada.

Pise no pedal e a caixa faz as mudanças na conhecida cadência do universo continuamente variável. Sim, nós maldosamente chamamos esse comportamento de “enceradeira”, mas para quem quer conforto isso não é nenhum demérito. A transmissão CVT do Captur não apresenta trancos nem engasgos ou indecisões. O desempenho é linear e as mudanças se dão de forma suave ao se pisar com moderação no pedal da direita e trafegar a velocidades baixas na cidade.

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Legenda: Renault Duster 1.6 Sce CVT
Crédito: Renault Duster 1.6 Sce CVT

Tal comportamente se reflete em bons números de consumo. Segundo os dados do Inmetro, o Captur com motor 1.6 e CVT e 3% mais econômico que seu par com câmbio manual. As médias com etanol ficam em 7,3 km/l e 8,1 km/l, e em 10,5 km/l e 11,7 km/, com gasolina, em respectivos ciclos urbano e rodoviário.

O bom motor 1.6 de quatro cilindros se dá bem com a caixa continuamente variável que a Renault não rotula como nova geração, mas que é uma clara evolução em relação à transmissão que equipa o Fluence, por exemplo.

O silêncio a bordo e a baixa vibração chamam a atenção, mesmo quando se quer extrair mais do motor. Aí, porém, não tem milagre: estamos falando de CVT e não de um caixa de dupla embreagem. Ao sentar o pé no acelerador para uma retomada, a resposta do motor até se apresenta relativamente rápida, mas o câmbio se segura em rotações mais altas até chegar o momento correto de fazer a passagem.

Mesmo assim, é possível ter certo domínio sobre essa relação ao posicionar a alavanca da transmissão para a esquerda e optar pelas mudanças sequenciais. O CVT do Captur tem seis marchas simuladas, boas para serem usadas em ladeiras, pois conferem maior interação entre motorista e SUV.

 Renault Captur 1.6 Sce CVT
Legenda: Renault Captur 1.6 Sce CVT
Crédito: Renault Captur 1.6 Sce CVT

Por falar em subida, com duas pessoas a bordo o Captur CVT encarou bem o trecho de serra entre São Francisco e a Região Oceânica de Niterói (RJ). O que fica a desejar desde o lançamento em fevereiro é o comportamento dinâmico nas curvas. Com centro de gravidade alto, é possível sentir a inclinação mais afoita da carroceria do utilitário esportivo a cada virada do volante.

É o preço que se paga para ter aquela tal sensação de segurança que os SUVs vendem. Afinal, a grande virtude do Captur é a posição alta de dirigir, além da visibilidade facilitada pelo capô curto e com caimento acentuado. A altura livre do solo de 19 cm é outro ponto que contribui para que o motorista tenha visão de tudo que se passa na frente do veículo - e bem por cima.

A posição de dirigir só não é melhor porque o volante tem apenas ajuste de altura e ângulo desfavorável em relação ao motorista - como no Duster, com quem compartilha plataforma. Os bancos são macios e acomodam bem, mas o assoalho alto força muito a articulação dos joelhos do motorista e do carona. O conforto é compensado pela boa calibragem da suspensão, principalmente a traseira por eixo de torção, que absorve bem os buracos apesar da altura do SUV.

 Renault Duster 1.6 Sce CVT
Legenda: Renault Duster 1.6 Sce CVT
Crédito: Renault Duster 1.6 Sce CVT

Já a cabine do Captur não é muito inspiradora. Se o belo desenho externo do utilitário esportivo é um dos diferenciais, o interno tem painel que lembra o do Duster e acabamento aquém do que se espera de um veículo de R$ 84 mil. Tudo bem que os encaixes são decentes e o plástico é texturizado, mas falta requinte. E ainda tem as letras miúdas das posições da manopla do câmbio e os comandos do controle de cruzeiro e da função Eco abaixo do freio de estacionamento, vilões para qualquer míope de plantão.

Mas o que interessa mesmo é vender a praticidade e a tecnologia do que está por baixo da manopla da transmissão. Até porque a Renault faz questão de frisar que o câmbio do Captur é menor em tamanho (10%) e mais leve (13%) que os demais CVTs usados na marca. Reduções obtidas graças a uma transmissão adicional, que possibilitou polias menores, além de uma bomba que garante a lubrificação sem que o óleo entre em contato com as polias.

A posição de dirigir só não é melhor porque o volante tem apenas ajuste de altura e ângulo desfavorável em relação ao motorista - como no Duster, com quem compartilha plataforma

Quanto à demora de quatro meses para estreia destas versões com caixa CVT, que devem responder por 60% das vendas da linha - segundo projeções da marca francesa -, a Renault fala em estratégia de “gerar expectativa”. Pode ser, mas é certo também que o câmbio continuamente variável não estava nos planos da fabricante quando o projeto do Captur brasileiro foi desenvolvido, há quatro anos. Com o mercado de SUVs cada vez mais adotando versões automáticas, a marca teve de correr e providenciar esta versão intermediária. Que bom que perceberam a tempo.

VÍDEO RENAULT CAPTUR INTENSE 2.0 AUTOMÁTICO

Fernando Miragaya

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