Quer comprar?

Chery QQ pode ser o primeiro chinês a ser vendido no Brasil, mas há mais por vir
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Gustavo Ruffo
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- Desde a visita de Wen Xiande, representante do governo chinês, ao Brasil, em meados de maio deste ano, um dos assuntos mais quentes no meio automobilístico é o possível desembarque de veículos daquele país no mercado nacional. Mais do que isso, a possibilidade de que ele seja, mesmo importado, o carro mais barato à venda por aqui. O nome que mais tem sido citado é o do Chery QQ, o simpático carrinho que está logo aí acima. Com vendas para este ano, no máximo 2007.

De olho num assunto tão interessante para o consumidor brasileiro, WebMotors se pôs em campo para descobrir como, quando e a que preço esse veículo para cinco pessoas e história controversa realmente poderia ser vendido por aqui.

Em primeiro lugar, procuramos por representantes oficiais da empresa Chery no Brasil. Paul Liu, presidente executivo da Câmara de Comércio Brasil-China, não tem conhecimento de ninguém que tenha sido designado pela fábrica para iniciar as discussões de importação nem de uma possível produção em CKD, aventada para baratear ainda mais os custos, especialmente no que se refere a impostos. “Por enquanto, as negociações estão sendo feitas diretamente de lá e os detalhes não são divulgados para não atrapalhar o andamento do processo”, disse Liu.

Já que o assunto está sendo tratado diretamente da China talvez para que o negócio saia de acordo, tentamos entrar em contato direto com os representantes oficiais da empresa, mais especificamente com Du Weiqiang, diretor responsável pelas vendas na América do Sul e Central. Durante os últimos três dias, WebMotors enviou e-mails e realizou telefonemas tentando contatar o executivo, mas todos, até o momento, foram infrutíferos.

Diante disso, a alternativa foi procurar outros responsáveis pela empresa, como Zhang Hua, responsável pela Europa ocidental, ou Zhang Lin, diretor de vendas para a América do Norte. Nenhum deles retornou os contatos do site.

Nos Estados Unidos, a Chery será em breve representada por Malcolm Bricklin, que criou a empresa Visionary Vehicles para comercializar modelos chineses. Bricklin foi o responsável pela ida de veículos japoneses para os EUA, mas também pelas vendas do carrinho iugoslavo Yugo, um retumbante fracasso. Procurado por WebMotors, o empresário também não deu retorno até o momento.

Por que faz sentido

A situação aparentemente desestimulava a publicação de qualquer notícia a respeito do assunto, mas só aparentemente. Primeiro, porque o silêncio dos chineses certamente visa proteger as negociações que já estão em curso. E há motivos para isso. Na China, o QQ custa cerca de US$ 3.600. Carros importados normalmente chegam ao Brasil pelo dobro de seu preço em dólares, o que permitiria à Chery vender o carrinho por US$ 7.200, ou R$ 16 mil, menos do que os R$ 21,61 mil cobrados pelo Fiat Mille.

Segundo, porque a empresa pretende, num segundo momento, produzir o QQ no Brasil por meio de CKD, ou seja, trazendo a carroceria desmontada e introduzindo no pequeno hatch conteúdo nacional. Difícil? Nem tanto. Pelo menos um grande industrial brasileiro, conhecido por sua ousadia, tem o sonho de produzir o carro mais barato do País. E há muitos anos.

Outro ponto que ajuda um bocado é que a Chery fabrica o FlagCloud, que você vê nas fotos de baixo, um modelo liftback um hatch três volumes, semelhante a um sedã, mas com tampa traseira, como o Citroën C5. Esse veículo, também chamado de A15, é equipado com câmbio CVT da ZF e motor Tritec 1,6-litro 16V, fabricado em Campo Largo, no Paraná veja aqui o site da empresa. Se sua carroceria for trazida ao Brasil, boa parte de seu conteúdo já será nacional. E a demanda por carros automáticos de baixo custo cresce a cada dia. A Chery poderia até se dar ao luxo de não fabricar o QQ aqui, visto que teria um automóvel de produção nacional o FlagCloud e teria direito a quotas de importação. A questão é que elas seriam insuficientes para atender à demanda por um carro tão barato.

A versão básica do QQ tem motor 0,8-litro, de 51,6 cv a 6.000 rpm e 7,9 kgm a 3.500 rpm, e meros 3,55 m de comprimento, sete centímetros a menos que o Ford Ka, o menor veículo nacional atualmente em produção, mas pode vir com motor 1,0-litro, de 52,3 cv a 5.200 rpm e 8,5 kgm a 3.000 rpm, ar-condicionado, vidros elétricos, travas, airbags duplos e câmbio automatizado com possibilidade de trocas manuais leia mais sobre isso aqui. O QQ transporta cinco passageiros e tem 190 l de porta-malas maior que o do Ka.

A história do QQ

A história do Chery QQ é controversa porque o QQ foi tratado como uma cópia do Daewoo Matiz, também vendido como Chevrolet Spark ou Joy. Nascido nas pranchetas de Giorgetto Giugiaro, o Matiz se chamava Lucciola e seria originalmente um Fiat, mas a fabricante italiana rejeitou o projeto. A Daewoo, por outro lado, se interessou por ele, passou a produzi-lo e fez do carro um sucesso na Europa e no resto do mundo. Seus baixos preço e consumo eram os responsáveis pelas boas vendas.

O Matiz quase foi vendido no Brasil pelo Grupo Verdi, que importava veículos da Daewoo e da Daihatsu e chegou a exibi-lo numa das edições do Salão do Automóvel de São Paulo. Pena é que ele surgiu numa época em que a importação de veículos começava a deixar de ser interessante. Pouco depois, a Daewoo falia na Coréia do Sul, sendo adquirida pela GM, empresa com a qual já mantinha uma estreita parceria.

Eis que surge na China o Chery QQ. Habituado a casos de produtos piratas fabricados naquele país, o mundo se surpreendeu com o que parecia ser um dos primeiros casos de plágio automotivo. A GM não vacilou e processou a Chery, mas o assunto foi rapidamente resolvido por um acordo entre as duas companhias. Segundo consta, a Chery havia adquirido projetos da Daewoo quando a fabricante coreana quebrou. Verdade ou não, o fato é que os dois veículos continuam a disputar mercado. Quase pacificamente.
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