Renault Duster: ataque tardio

SUV paranaense finalmente chega ao Brasil para rivalizar com Ford EcoSport
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– A Ford "descobriu" um nicho de mercado em 2003. A marca lançou o EcoSport, um jipinho feito na plataforma e com muitos itens aproveitados do Fiesta e que rapidamente conquistou uma boa fatia do mercado nacional. E, mesmo tanto tempo depois do lançamento do carro, só agora as rivais começam a lançar veículos com perfil semelhante. Foi o caso da Citroën com o AirCross, no ano passado, e a Hyundai com o reposicionamento do Tucson devido à produção nacional, também em 2010. Mas o integrante mais esperado desta turma só vai entrar na briga no último trimestre do ano. O Renault Duster será apresentado no início de outubro e traz consigo a missão de finalmente destronar o EcoSport da liderança do segmento.

A escolha de produzir o SUV em São José dos Pinhais não foi das mais difíceis. Isso porque a estratégia foi exatamente a mesma que a Renault já tinha feito com a dupla Sandero e Logan. Os três modelos foram desenvolvidos pela Dacia, subsidiária romena da Renault para países emergentes, e depois chegaram ao mercado brasileiro com a logo da marca francesa. Outro incentivo para a produção do Duster é que ele faz parte de um segmento que, no Brasil, consegue aliar uma alta margem de lucro com um volume interessante de vendas. Basta multiplicar as 3.500 unidades do Ford EcoSport vendidas mensalmente pelo preço inicial de R$ 53.440.

Por ter deixado claro durante o desenvolvimento do Duster que o jipinho da Ford é o seu principal concorrente, é de imaginar que a Renault pratique preços competitivos para o seu utilitário esportivo. Ou seja, saindo de algo em torno dos R$ 50 mil na versão de entrada, e atingindo os R$ 65 mil na topo de linha. São esperadas três configurações para o modelo. A primeira com motor 1,6L 16V Flex – o mesmo que equipa o Sandero Stepway – de 112 cv e 15,5 kgfm de torque. A intermediária terá o propulsor 2,0L 16V do médio Fluence com 143 cv e 20,3 kgfm e tração dianteira, enquanto a mais cara terá a força distribuída nas quatro rodas. O câmbio será o mesmo manual de cinco marchas para todas, mas a Renault já avisou que vê com bons olhos a introdução de uma transmissão automática para o Duster.

Feito na plataforma B0 do grupo Renault Nissan, o Duster se vale do bom porte que caracteriza os veículos com essa arquitetura – como Logan e Sandero. O SUV tem 4,31 metros de comprimento, 1,82 m de largura, 1,63 m de altura e 2,67 m de distância entre-eixos, enquanto o porta-malas leva 475 litros de bagagem. Para enfrentar terrenos fora-de-estrada, o Duster nacional terá espaço livre em relação ao solo de 22,1 cm e ângulo de saída de 35º.

A adaptação do veículo para o mercado brasileiro incluiu uma leve reestilização em relação ao modelo vendido na Europa sob a batuta da Dacia. As principais modificações ficam na dianteira. A grade foi totalmente remodelada e ganhou três grossos frisos cromados na horizontal. No resto, nenhuma mudança significativa. A lateral continua marcada por um vinco curvo – bem ao estilo do Sandero –, enquanto que a traseira tem as lanternas diminutas e que invadem na tampa do porta-malas.

Primeiras impressões: sem aventuras
Por Eduardo Rocha - Auto Press
Paris/França –
Demorou até que um rival de verdade chegasse para enfrentar o EcoSport da Ford. O Duster – fabricado pela Dacia na Europa e pela Renault no Brasil – é bem diferente dos "aventureiros", que queriam apenas tirar uma casquinha do mercado com um visual com lameiro. Não que o EcoSport seja lá essas coisas no fora-de-estrada. Ao contrário, é até um tanto frágil para a trilha. Mas tem pelo menos altura livre, desenho e corpo de utilitário esportivo. O Duster vai um pouco além. A versão testada, a diesel, percorreu estradas pavimentadas e trechos de terra na França, Bélgica e Holanda e evidenciou uma robustez que extrapola a singela "cara de mau". Com um bom porte e muita força, o Duster é mais que um jipinho de cristaleira.

O acabamento é bem semelhante ao do Sandero. Ou seja: não impressiona ninguém. Mas, para um carro despojado e sem firulas – como deve ser um utilitário – é aceitável. A altura livre do solo, o espaço interno e o porta-malas são generosos. Pois embora utilize a plataforma B0, compacta, ela é de uma geração bem posterior à usada no EcoSport – que é a do Fiesta Rocam. E a boa largura – principalmente pela dilatada bitola traseira – compensa um pouco a perda de estabilidade provocada pela grande altura do SUV da Dacia/Renault. E dá um aspecto ainda mais feroz ao modelo.

Mesmo se o consumidor brasileiro fosse mais exigente, o Duster teria tudo para se dar bem no Brasil. Mas é claro que sempre há vários elementos que podem ajudar ou prejudicar o resultado de vendas de um novo carro. Em relação à engenharia, a Renault não costuma errar. O risco maior fica, então, com o marketing. Ou seja: preço e imagem projetada no lançamento. A marca francesa não precisa nem fazer nada genial. Basta apresentar o Duster direito e não inventar um preço que espante a freguesia.

As opiniões expressas nesta matéria são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.
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