Salão de transição

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Fernando Calmon
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- O XXIII Salão Internacional do Automóvel, que se encerra dia 31 em São Paulo, foi um sucesso de público, mas não de novidades.

Na edição de dois anos atrás houve a coincidência de três novos produtos — Fit, C3 e EcoSport — e pré-apresentação de outros dois, as stations derivadas do 206 e do Corolla. Para este ano nada estava previsto. A Renault, ao exibir o Mégane II sedã, à venda só em janeiro de 2006, “salvou” o Salão nesse aspecto. Além, é claro, de mais de uma dúzia de modelos importados inteiramente novos que sempre atraem as atenções, embora distantes do poder aquisitivo do brasileiro, sem contar os superesportivos e alguns modelos conceituais.

Podem, no entanto, ser detectadas tendências. A onda do visual aventureiro aumenta a cada dia. O Crossfox é o melhor exemplo, sem contar a sondagem que a própria Volkswagen patrocinou com o Polo Fun e a Citroën com o C3 X-TR, ambos importados, mas que poderiam ser produzidos aqui a partir de baixos investimentos. Até o Mille deverá receber uma decoração semelhante. Os exageros igualmente sobressaíram. Enquanto o Crossfox exibe um quebra-mato dianteiro ainda que bem disfarçado, a mesma peça surge escancarada na Saveiro Crossover. Bom lembrar que este tipo de acessório, na Europa, só é permitido em uso fora-de-estrada por causa dos riscos aos pedestres e, em especial, às crianças.

Mais forte é a convergência para os motores flex. Coube à Renault a primazia entre as marcas recém-chegadas. Seu Hi-Flex para o Clio e, em breve Scénic, além de ser o primeiro a dispor de tecnologia multiválvulas que garante maior potência, permite oferecer um só motor aos mercados interno e externo. Pode atender países que não disponham de álcool ou que o utilize como aditivo à gasolina em qualquer proporção.

Algumas fábricas se valeram do Salão para sondar o público sobre importados que ganharão competitividade dentro do futuro acordo entre Mercosul e União Européia. A negociação, no momento em um impasse complicado, levará a uma cota progressiva de veículos com imposto de importação zerado ou muito baixo. Produtos que até saíram do mercado podem retornar, mas não antes de 2006 ou 2007. Isso explica a presença, entre outros, do monovolume Seat Altea e do conversível de teto rígido Opel Tigra Twin Top.

Sente-se, também, a diferença de estratégia entre as marcas. O Idea, monovolume da Fiat, estará no mercado pelo menos seis meses antes do que o Mégane, mas não foi exibido. É uma questão de expectativa. À marca francesa interessa que compradores de Astra, Corolla e Civic balancem em suas convicções. Já os italianos possuem outros produtos que vendem bem naquela faixa de preço e preferem não desviar a atenção dos clientes atuais.

Enfim, já se imaginava uma exposição esvaziada porque vendas em queda dos últimos anos congelaram investimentos em projetos. Uma geração inteira de novos carros está perdida. A recuperação atual do mercado, porém, parece consistente e este se tornou o Salão da transição. O potencial ganho de competitividade de modelos europeus nos próximos anos levará à ampliação da oferta e a um aprofundamento da especialidade brasileira em carros pequenos e seus derivados. Isso inclui nichos que continuarão sendo atendidos com bastante competência, inclusive para exportação. Na próxima edição, em 2006, esses contornos ficarão mais nítidos.

RODA VIVA

Apesar dos desmentidos, Honda continua estudando versão de três volumes do Fit de teto um pouco mais baixo e ótimo porta-malas. Modelo é produzido na Tailândia e vendido também no Japão com nome de Ária. Graças ao sucesso do Fit, a fábrica de Sumaré, SP trabalhará em três turnos a partir de 2005.

Preço alto do seguro viabilizou rastreamento em veículos caros. Primeiro caminhões, depois pickups médias. Golf GTI é o primeiro automóvel nacional a usar o sistema com tecnologia Crown Telecom que traz economia de até 40% no seguro. Internet a bordo e viva-voz sem fio com qualquer aparelho do tipo Bluetooth integram pacote desenvolvido pela empresa mineira. Poderá ser disponibilizado para toda a linha VW.

Conforme antecipado pela coluna, o utilitário esporte compacto smart formore, a ser produzido em Juiz de Fora, MG em 2006, ficará destinado apenas ao mercado externo. Confirmado por G. Herrmann, presidente da DaimlerChrysler do Brasil. Pessoal de vendas tenta reverter a decisão, mas está difícil. É produto caro e bem específico.

Pode parecer estranho, mas os coreanos apóiam o projeto Hyundai, do Grupo Caoa e agora o da Kia, do Grupo Gandini, em fábricas independentes Anápolis, GO e Pouso Alegre, MG. Produtos são da mesma categoria: caminhões leves. Caoa quer viabilizar também o utilitário Tucson. Mercado brasileiro deve ser atraente demais...

Volvo lembra que o sistema de eliminação de ozônio tornou-se equipamento de série e exclusividade mundial em todos os seus carros desde 1999. Ozônio no nível do solo é o poluente que mais incomoda em grandes cidades, em dias ensolarados e sem vento. São Paulo é a cidade brasileira mais exposta ao problema. O sistema, no entanto, é caro para os padrões brasileiros.
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon, engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Sua coluna semanal Alta Roda é publicada, desde 1999, em onze jornais brasileiros e no site WebMotors. Assina as colunas Direto da Fábrica na revista Carro e Roda Viva na revista Jornauto. Correspondente para América do Sul do site americano The Car Connection. Diretor editorial das oito revistas automobilísticas da On Line Editora. Consultor técnico, de mercado e de comunicação.

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