Salão de Tuning

Evento mostra os limites e os excessos da personalização dos automóveis
  1. Home
  2. Lançamentos
  3. Salão de Tuning
Gustavo Ruffo
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

- Abriu ontem a segunda edição do Salão de Tuning. Realizado na Bienal do Parque Ibirapuera de 17 a 21 de maio, o evento reúne carros modificados, belíssimas mulheres e mais de 140 empresas que personalizam os carros de seus clientes ou vendem acessórios para que os próprios motoristas façam o serviço.

O salão foi organizado pela Fittipaldi Empreendimentos, do bicampeão de Fórmula 1 e campeão da Indy Emerson Fittipaldi, e pela Megacycle Participações, que organiza também o Megacycle, evento muito conhecido no meio motociclístico. A área reservada ao evento, de 24 mil m², é algo acanhada, mas mostra que o setor está em crescimento e que o tuning não era uma moda, mas algo que parece ter vindo para ficar.

A esse processo de personalização não escapam nem alguns dos carros mais exclusivos do mundo, como o Ferrari F430. Levado por seu proprietário à preparadora Leandrini, o modelo recebeu novas rodas, sistema de som mais potente e outros tratamentos até desnecessários para quem já considera um privilégio estar ao volante de um carro assim. E música, cá para nós, basta a do motor V8 colocado à frente do eixo traseiro deste superesportivo. Mas gosto é gosto.

Curioso é que, numa exposição tão voltada ao personalizado e ao único, a máquina que mais chame a atenção seja um modelo original de fábrica, trazido ao evento pela própria. Trata-se do Corvette Z06, versão mais nervosa do mítico carro norte-americano, colocado num dinamômetro para que todos os visitantes possam ver que os 512 cv do motor V8 7,0-litros LS7. Isso talvez aconteça porque, no Brasil, ter um Corvette Z06 seja um nível de exclusividade a que nenhum kit aerodinâmico ou roda possa levar um carro.

E não é só o modelo estalando de novo que chama a atenção dos visitantes. Um Stingray branco, presente em outro estande, serve para mostrar ao público as rodas e pneus especiais que uma empresa chamada Studio7 comercializa, mas as rodas contam pouco no fascínio que o carro exerce. Ele poderia estar com rodas de aço que teria o mesmo poder de atração.

Fabricantes

No estande da Chevrolet, além do Corvette, diversos modelos da marca se alinham sem muitas modificações, com exceção de um Corsa Sedan sem capota e com lanternas de Vectra, preparado pela Dimension Customs, que serve de chamariz para o estande. Esse carro, aliás, fará parte de um dos episódios do Rides, do Discovery Channel, um dos mais festejados entre os apreciadores de carros no mundo todo.

Outro carro bastante diferente ali é um Vectra que, após passar por um processo especial de pintura, deixa parte de sua lataria à mostra, como se estivesse apenas no aço daí o nome, Steel, aço, em inglês. Visualmente, ele lembra bastante os Monza Classic em duas cores, guardadas as devidas proporções, como as enormes rodas de que o Vectra foi dotado, mostrando uma aptidão para a esportividade que o Classic nunca se preocupou em ter.

A Ford foi outra fabricante à qual o tuning parece ter um apelo especial. Em seu estande, carros nacionais modificados pela Leandrini, como o EcoSport e o Fiesta Sedan, não são páreo para a atenção despertada pelo Fusion, modificado, como convém a qualquer carro em um evento tuning, e o Mustang, modelo que a Ford não se resolve a importar oficialmente de jeito nenhum, tendo de apelar para importadores independentes para poder mostrá-lo.

De qualquer forma, o que a empresa oferece de mais divertido é uma modificação ao vivo de um Ford Focus. Ele tem rodas e bancos trocados e ganha kits aerodinâmicos diante dos olhos dos visitantes, como se fosse um episódio do Overhaulin’, outro programa da Discovery que faz muito sucesso, inclusive por recuperar carros muito maltratados e lhes dar algo de especial e único que só o processo de personalização bem feita pode fazer. Tudo bem que o tal processo é conduzido por Chip Foose, um dos designers de hot rods mais premiados dos EUA.

Alguns outros modelos tinham no exotismo sua marca registrada, como uma moto desenvolvida pelo ex-piloto de Fórmula 1 Tarso Marques, que exibia em seu estande também um conversível e um hot rod ainda sem pintura, com um belo motorzão à mostra, mas sem possibilidades de rodar nas ruas.

No espaço de um fabricante de bancos, um modelo brasileiro servia de chamariz. O Lobini H1, equipado com motor VW 1,8-litro turbo de 180 cv em posição central, tem portas-tesoura e a maior parte de sua produção é exportada para os EUA e Reino Unido, lugares em que os esportivos são muito bem recebidos. Ainda mais quando são tão diferentes de tudo que normalmente se conhece.

O 406 Coupé, por sua vez, é um veículo em que a elegância da Pininfarina se mostra em todas as suas linhas. No Salão de Tuning, ele foi bem lembrado e modificado, incorporando enormes rodas, pneus finos e alargadores de pára-lama que o deixaram muito invocado.

Performance e exageros

No estande da Pro-1 Serious Performance, um dragster de 2.800 cv, paradinho, não demonstrava que pode chegar a 363,77 km/h em apenas 5,9s, o recorde brasileiro de velocidade, obtido por Alejandro Sanchez este ano no Campeonato Paranaense de Arrancada. É pena que o espaço não tenha sido criado em torno dele, dando ao carro mais destaque.

Igualmente desvalorizados estavam os modelos mais simples, justamente aqueles em que o tuning se mostra mais necessário e interessante. Um belo Fusca, por exemplo, com traseira no estilo HebMuller, ficou socado. Não no chão, como muitos apreciam, mas num canto de um estande, ao lado de diversos outros carros.

Entre os possíveis excessos que o tuning comete estão os exemplos do Hummer e do PAG Nick. O primeiro, um jipe conhecido por sua resistência e capacidade off-road ele tem 1 m de vão-livre, com o túnel do eixo-cardã correndo por dentro da cabine, foi rebaixado, ficando com a altura de um carro de passeio comum. Interessante foi a solução de colocar uma cama dentro do carro, aproveitando o espaço ocupado pelo túnel do eixo-cardã, mas deixá-lo baixinho daquele jeito é ir contra a própria essência do veículo.

Outro que talvez despertasse calafrios nos antigomobilistas seria o Mercedes-Benz 170 S 1950, com rodas de liga leve e um interior completamente revestido em aço escovado, com instrumentos modernos. Não se pode dizer que o resultado tenha sido ruim, pelo contrário, mas era como ver um senhor de idade com piercing na língua, alargador de orelha e penteado moicano.

Pior que todos eles, no entanto, foi o PAG Nick modificado, fabricado pela lendária Dacon. Esse carro foi produzido em número limitadíssimo, o que torna cada um de seus exemplares uma preciosidade ambulante e algo que pouquíssimos brasileiros podem ter simplesmente porque eles não existem em número suficiente para todos que gostam do carro. No Salão de Tuning, o carrinho se exibia completamente diferente do original, com faróis redondos, saias laterais e rodas de liga leve. Tudo isso é reversível, em se tratando de fibra de vidro, mas, por sua raridade, um Nick jamais deveria sofrer modificações tão grandes.

Salão de Tuning 2006
Bienal do Ibirapuera
Horários
Dias 17, 18 e 19 de maio: das 14h às 22h
Dia 20 de maio: das 10h às 22h
Dia 21 de maio, encerramento: das 10h às 20h
Serviço de traslado gratuito nos seguintes estacionamentos:
Estacionamento Palhinha
Av. Pedro Alvares Cabral, nº 2
Estacionamento Night and Day
Av. Dr. Dante Pazzeanese, nº 120
Estacionamento do Ginásio do Ibirapuera
Rua Manoel da Nobrega, 1361 ou
Rua Marechal Estênio de Albuquerque Lima s/nº
Estacionamento da Assembleia Legislativa gratuito
Rua Mario Kozel Filho, s/nº
Av. Pedro Álvares Cabral, nº 201
Nos Seguintes Horários Ida e Volta:
Dia 19 sexta-feira – das 14 às 22h
Dia 20 sábado – das 10h às 22h
Dia 21 domingo – das 10h às 20h
_______________________________
E-mail: Comente esta matéria

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors