Suzuki S-Cross agrega tecnologia e segurança ao segmento

SUV tem preços entre R$ 75 mil e R$ 106 mil e boa dirigibilidade, mas falta motor
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Lukas Kenji
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(Guarujá, São Paulo) Nanica no Brasil (possui apenas 0,2% de participação de mercado), a Suzuki também aderiu à moda de lançar um SUV. Evidentemente, a marca não tem pretensões de brigar com a concorrência na seara de volume. A intenção do S-Cross, segundo a fabricante, é agregar qualidade de produto e atendimento ao segmento.

O modelo importado na verdade é a segunda geração do SX4. Na grafia do porta-malas, por exemplo, está grafado SX4 S-Cross. Mas a Suzuki do Brasil trabalhará apenas com o segundo nome porque entende que a nova geração está totalmente reformulada e que precisa trazer ares de novidade ao mercado.

O produto já está em curso para a rede de 54 concessionárias e será disponibilizado em quatro versões com preço entre R$ 74.900 e R$ 105.900. O valor está pareado aos concorrentes recém-lançados Honda HR-V, Jeep Renegade e Peugeot 2008. Mas qual seria a estratégia da Suzuki para chamar atenção do cliente para um carro que possui expectativa de vender 250 unidades por mês? A aposta da montadora é convencer o potencial consumidor a fazer o tes-drive do modelo. Isso bastaria para que ele optasse pelo S-Cross.

De fato, o crossover é bem gostoso de guiar. Apesar de baixo (são até 1,60 metro de altura), tem posição de dirigir alta e que privilegia uma boa visão da via. Outra sensação paradoxa está no porte do modelo. Embora tenha 4,30 m de comprimento,  a percepção é de estar controlando um hatch.

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Boa parte da resposta para tais controvérsias está no peso do modelo. São 1.085 e 1.125 quilos com câmbio manual de cinco velocidades e automática CVT (que simula sete velocidades), respectivamente.

As transmissões, aliás, modificam sensivelmente a atuação do carro. O comportamento é muito mais desenvolto sobre comando da caixa mecânica de relações curtas, que casa bem com a proposta urbana do modelo. Já a caixa continuamente variável é temperamental. Irregular. Não tem boa leitura do que o condutor deseja do carro. Quando o pedal do acelerador é pressionado na mera busca por mais velocidade, por exemplo, a transmissão entende que o motorista está louco por esportividade e sobe demasiadamente o giro do motor.

Apesar de tanto ímpeto do CVT, o consumo de combustível foi bastante satisfatório: 16,4 km/l em trajeto combinado entre ruas e estradas. Nos testes do Inmetro/Conpet, o S-Cross desenvolveu 11,9 km/l em ciclo urbano e 13,2 km/l em trechos rodoviários.

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OS BRASILEIROS TINHAM RAZÃO

Se o motor 1.6 16V a gasolina de 120 cv a 6.000 rpm se saiu bem no quesito economia, ficou devendo em desempenho. O presidente da Suzuki do Brasil, Luis Rosenfeld, contou que pleiteou junto à matriz japonesa a implantação de um propulsor 2.0 do modelo que tem plataforma global. “Mas os japoneses disseram que o mundo caminhará em busca de motores menores, porém, mais eficientes”, explicou. A constatação dos nipônicos é verdadeira, mas também é verdade que o S-Cross chega a implorar por um bloco maior.

Com torque de 15,5 kgf.m a 4.000 giros, falta fôlego em retomadas e sofre em subidas mesmo quando o carro leva apenas o motorista, quem dirá cinco ocupantes mais bagagens. Vale reforçar que o público-alvo do modelo é uma família com dois filhos, que gosta de viajar e por que não, levar o cachorro junto.

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Se por um lado tal família viajará pouco empolgada com a performance do S-Cross, por outro lado haverá espaço para as pernas e conforto de sobra. O entre-eixos de 2,60 metros é o suficiente para a galera que viaja no banco de trás não ficar apertada. O porta-malas de 440 litros também é suficiente para carregar qualquer tipo de tralha.

CUSTO-BENEFÍCIO EM XEQUE

O presidente da Suzuki também citou a segurança como um diferencial do S-Cross. “Ele recebeu cinco estrelas na proteção de passageiros adultos e de crianças no Euro Ncap”, exemplificou. A boa nota é consequência de um carro equipado com seis airbags, estrutura deformável, controles de tração e de estabilidade, além de freios ABS com EBD e BAS (antitravamento com distribuição de frenagem entre os eixos e auxiliar de frenagem de segurança).

Por mais seguro que o veículo possa ser, ainda não é justificável o valor inicial de R$ 74.900 por um veículo de motor 1.6, câmbio manual, tração somente dianteira e ar-condicionado manual (embora ainda ofereça vidros elétricos, volante multifuncional e rádio). A própria Suzuki estima que tal versão, chamada de GL deve ter poucas vendas.

A maior adesão deve ser às versões GLX. Elas trazem ar-condicionado de duas zonas, assistente de partida em rampa, paddle shift, faróis de neblina, rodas de 17 polegadas, retrovisores elétricos e piloto automático. Na versão com tração 2WD e bancos forrados em tecido, o carro sai por R$ 88.900. Já com tração integral (ajustável em quatro modos de condução) e bancos em couro, o valor sobe para R$ 95.900.

Quem optar pela versão completa terá de desembolsar R$ 105.900, na configuração chamada de GLS. Ela adiciona teto solar panorâmico, lavadores de farol, sensor crepuscular e de chuva, lanternas em LED e retrovisor eletrocrômico.

ANDROID PURO

Outro diferencial da configuração topo de linha é a central multimídia com sistema operacional Android. A interface é muito semelhante à utilizada em smartphones e tablets e a operação também é muito simples. O aparelho tem acesso à internet, que pode ser roteada pelo celular do usuário. Desta forma, é possível olhar e operar aplicativos como o Waze na tela da central. Bem calibrada e com ótima sensibilidade ao toque, a tela de oito polegadas recebe nota 10 com louvor.

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