Tuning na cabeça

Exemplos de como pensa e vive quem ama essa arte
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Adriana Bernardino
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- O tuning é uma arte. Com ele, o igual torna-se único. E o que é diferente pode não agradar a todos ou mesmo não agradar a ninguém. Mas o que importa o gosto dos outros? Neste caso, nada.

A arte de modificar automóveis é tão antiga quanto o carro. Conta-se que os primeiros a serem alterados, ganhando mais potência, foram os motores do Ford Modelo T.

Com a produção de carros em série, a partir de 1910, surgiu também o desejo de se diferenciar, de tornar determinado modelo mais bonito, seguro, melhor do que o original. Para isso, pneus, suspensão, motor, carroceria, áudio, interior e outros componentes passam por uma transformação.

Mas quem são os artistas do tuning? O que pensam, o que fazem, como vêem o mundo? Afinal, para dar singularidade ao comum da máquina é preciso, antes, dar vazão ao diferencial em si mesmo.

Marcos Sacchi, designer gráfico, é um desses exemplares raros. Mesmo antes de ver seu Corsa Wind 94 com interior personalizado pintura, pedaleira, tapetes de alumínio, néon e painel de instrumentos, escapamento, néon externo, vinil na lataria e pára-choque, sente-se sua originalidade em aspectos pouco sutis.

Ele tunou o próprio nome: Markinhuzz. Suas palavras saem entre risos e efeitos especiais, isto é, os relatos de situações cotidianas não são apenas relatos, mas narrações com trilha sonora, cor e velocidade. “Todo mundo fala que sou diferente, esquisito, estranho, extraterrestre. Meu carro é diferente, minha cachorra é diferente, minha comida é diferente. Acho legal isso, ‘tooodo’ mundo igualzinho não tem graça. O legal é inventar, incrementar”, empolga-se Marcos.

O motivo dele para ter um carro também é meio... diferente. “Como eu pratico mountain bike, uso o carro para levar a bicicleta no meio do mato e poder pedalar em trilhas fechadas. Quanto mais afastada de São Paulo, melhor a trilha. Aí não tem jeito. Se as estradinhas já dão trabalho para jipes, imagine para o Corsinha. Mas ele vai firme e forte!”, garante.

As singularidades no modo de ser e agir de Marcos despertam a curiosidade das pessoas. “Dizem que eu pareço ter saído de um gibi”, diz ele, que às vezes desfila com a máscara do Darth Vader e um sabre de luz. “Por falar nisso, tenho milhões de gibis. Também gosto de todo o tipo de bicho. Quando vou para o mato pedalar, encontro vacas, bezerros, cavalos e ovelhas pelo caminho. Sempre paro pra dizer um ‘oi’ para eles”, conta.

As cachorras de Marcos também gostam de tuning. Prova disso foi elas devorarem os 60 leds que ficavam embaixo do carro simulando néon. “Depois que elas comeram, tive muito trabalho para colocar outros. No dia seguinte, elas comeram de novo. Aí desisti”, lembra.

Já o português Bruno Ricardo Alves Ferreira – dono de um Fiat Bravo GT TD100 de 1997, “jantes rodas 17 polegadas, pneus 205/40/17, travões freios Tarox, calços Ferodo Racing, molas de rebaixamento MAD 3.5cm, amortecedores Koni, escape modificado, turbo de maior dimensão, up grade à bomba injetora de combustível, pára-choques frontal ABARTH, faróis Fiat Marea, supressão da pega da tampa da mala, supressão dos refletores traseiros, manômetro de pressão do turbo, rádio Sony CDX - MC9950, amplificador Alpine, colunas traseiras Bose, frontais Macrom, Tweeters Kenwood, amplificador Pyle, 2 Sub-woffer Alpine R10, luzes néon na mala, tubos de admissão em aço inox e tubagem flexivel SAMCO Sport” – acha que o interesse pelo tuning não vem de fora.

“O tuning já faz parte das pessoas e se manifesta de formas mais ou menos relevantes. Eu sempre gostei de melhorar o meu carro em todos os níveis, é um sentimento que não consigo contrariar”, explica Bruno.

Assistente comercial em Portugal, país em que o tuning é proibido, Bruno conta por que tunar um carro. “Existe quem se adéqüe ao carro, eu prefiro o contrário e penso que a maioria dos tuners pensam da mesma forma. Eu sou uma pessoa igual às demais. O que me singulariza é que eu gosto de conduzir um carro que me agrada e nunca penso nele como um simples meio de transporte. Muitas vezes até esqueço essa vertente”, diz.

Dada a descrição de sua personalidade, Bruno prefere não chamar a atenção. “O carro que conduzo espelha a minha forma de estar na vida. Eu penso de maneira discreta, mas com ambição, sem ser excêntrico nem chamar muito a atenção. Sou uma pessoa com classe e tento transmitir essa classe ao meu carro. O tuning que prefiro é o simples, conhecido nos USA com DUB. Aposto na alteração de motor, jantes, pormenores com estilo sem chamar a atenção pela sua excentricidade. Gosto de conduzir um carro que seja um espelho da minha personalidade, uma máquina que acompanhe o meu estado de espírito”, sintetiza.

Na aparência, Bruno conta que as pessoas não o consideram diferente. O susto vem ao saber quanto ele investe no carro para personalizá-lo. “Eu sou excêntrico na medida em que gasto, na opinião das outras pessoas, desnecessariamente muito dinheiro no carro. Quem não vive esse sentimento ‘tuning’ não compreende por que se gasta tanto dinheiro parar alterar o carro, encaram-no como um simples meio de transporte. Eu não”.

Ao encarar o carro como prolongamento de sua personalidade, Bruno diz não levar em seu Bravo os que não entendam sua forma de ser. “A pessoa tem de respeitar o que eu sinto pelo meu carro”, conta o português, cujo sonho de consumo é “um Porsche 911Turbo, apenas com jantes de maiores dimensões e certos pormenores de estilo a rever”.

A modelo Sílvia Oliveira, dona de um Palio 2001 ELX 1.0 16V e do título de primeira mulher no Brasil a ter um automóvel tunado, conta que sempre gostou de carros e corridas de Stoc Car. “Tinha só amigos homens na época em que se vivia mexendo nos motores. Eu ficava do lado olhando. Depois passei a ajudá-los”, lembra a modelo, que, para cuidar do motor de seu antigo Kadet, fez um curso de mecânica básica.

Para Sílvia, tunar um carro vai além de equipá-lo ou fazer DUB. “Equipar é deixá-lo com menos equipamentos, apenas com uma carinha diferente. Som leve, rodas pequenas e saias laterais, por exemplo. Dub é trocar de rodas para aros acima de 20, rebaixar um pouco, ter um som de altíssima qualidade e equipamentos caros de qualidade. Tunar é.... como vou dizer? Vale tudo! Mudar cor, adesivar, som, roda, deixar seu carro completamente diferente do original, às vezes mudamos tanto que não podemos sair mais com ele nas ruas”, explica.

Sílvia, que gosta de esoterismo, música news age e pintura, conta que o desejo de tunar coisas não se restringe ao carro. “Tunei minha casa, minha roupa, a casa dos amigos, a própria vida deles, pois vivo dando palpites em tudo. Aprendi com um amigo que ser pioneira em tudo que faço seria bom pra mim, e é assim que eu sou, até meio nômade, não fico muito tempo em um lugar, logo procuro algo novo pra fazer”, conta.

Foi justamente esse diferencial que permeou seus trabalhos e modo de vida, colocando-a, inclusive, em evidência na mídia. “Eu criei a personagem ‘tuning girl’ para me diferenciar das outras meninas, mas não é a minha personalidade básica, quem me conhece pessoalmente sabe disso, pois minha maneira de vestir nada tem a ver com ela”.

Sílvia conta que, atualmente, o Palio reflete mais o pensamento de seus patrocinadores do que o dela. “Se eu fosse colocá-lo exatamente como eu penso, como Sílvia, ele não seria rosa, talvez fosse mais sóbrio”. Segundo a modelo, o carro dos sonhos seria um BMW, com um estilo mais Dub do tuning, com cor diferente das originais.

A modelo, graças à paixão por carros, curou sua síndrome de pânico de uma maneira nada convencional: viajando. ”Divertindo-me nos eventos de São Paulo e também em viagens, parei de pensar nas crises e entrei de cabeça em um mundo novo”, relata.

O carioca Renato Gomes Chaves, proprietário de um Gol G3 1.0, 4 portas, branco, 2001, pára-choques personalizados, dianteiro e traseiro, spoiler lateral, aerofólio, rodas aro 17", pneus 205x40 R17 Yokohama, painel pintado na cor do carro com coluna tuning com 3 instrumentos, tapetes de alumínio, iIluminação interna com leds e escapamento esportivo da Raceway, adesivo lateral tuning, néon embaixo do carro, DVD no painel com tela de 7", suspensão com regulagem de altura, CD-Player Sony Mp3, 1 amplificador Pile Driver 2813 1000 Wrms,1 amplificador Pile Driver 4.2 550 Wrms e 4 Drives Qsl, 2 Super Twiters Selenium, 2 Subwoofer Bomber Bicho Papão de 15" e 1 Crossover Pyramid Cr-82 – conta que sempre gostou de carros modificados, mas a paixão aflorou depois de assistir ao filme “Velozes e Furiosos”.

“Mesmo antes da ‘onda tuning’, gostava de carros rebaixados e com som potente. Só que depois de assistir ao filme, essa paixão por carros aumentou ainda mais. Nas ruas começaram a aparecer carros completamente personalizados, as competições automotivas começaram a incluir o tuning na disputa e, de lá pra cá, não parei mais! Nunca estou satisfeito, sempre acho alguma coisa pra modificar no carro. Eu e meus amigos que também adoram tunar carros formamos um autoclube e participamos de competições e eventos”, conta.

Para Renato, “tunar um carro é deixá-lo do seu jeito, com a sua cara, seu estilo, sua personalidade. É torná-lo único, receber elogios e chamar atenção por onde passa. Considero meu carro como uma extensão do meu corpo. Sem exagerar, posso dizer que não consigo comprar um carro e deixá-lo original”, diz.

O carioca vai mais longe e conta que vive em função do carro. “Meu carro é tudo pra mim. Deixo de comprar certas coisas pra comprar acessórios. Não tem como negar, isso é um vício!”, confessa. “Quando estou com o carro, as coisas mudam, passo a ser atração, como se fosse um artista, a gente chama atenção mesmo que não queira. É uma coisa muito louca, você deixa de ser mais um na multidão”, anima-se.Em sua história com o carro, não há só momentos bons. “Sofri um acidente, nada grave: subi no meio fio, quebrei minha roda 17", empenei a suspensão e fiquei sem carro duas semanas. Fiquei muito triste em ver meu carro naquele estado. Como já disse, o considero com uma extensão do meu corpo”.

Apesar da loucura pelo tuning, Renato não se considera um excêntrico. “Não acho que o tuning seja uma futilidade exibicionista. Algumas alterações inclusive melhoram a segurança e a performance dos veículos, não apenas estética. É claro que existem exceções, algumas pessoas exageram e se expõe ao ridículo com carro que parecem um circo, mas, enfim, tuning é isso, o importante é você estar feliz com ele! Quem critica é porque na verdade não tem di$posição pra melhorar seu carro”, diz ele, que sonha com um BMW 320i.

E as mulheres? Será que é dos tunados que elas gostam mais? Renato garante que sim. “Meu carro recebe vários elogios das garotas. Com um carro tunado você fica famoso”.
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