A BMW R 12 G/S custa R$ 105 mil. Essa conta fecha?

Aceleramos a nova trail retrô da marca alemã. É eficiente e divertida, mas é para um público específico. Veja por que

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Roberto Dutra
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A BMW R12 G/S foi lançada no mercado brasileiro no início de janeiro, quando inclusive entrou em pré-venda. A moto ainda nem aparece no site brasileiro da BMW Motorrad, mas já é possível encomendá-la nas concessionárias da marca - tanto na versão "standard" quanto na edição limitada Option 719, que foi apresentada no final do mês passado.

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    Tive a oportunidade de pilotar a novidade recentemente, lá no interior de São Paulo - mais precisamente nas cercanias do Circuito Panamericano, aquele autódromo novinho da Pirelli. Mas nosso test-ride inclui apenas parte da pista de asfalto e, também, um rolé em área externa, com um pequeno trecho de asfalto, na rodovia mesmo, e mais alguns quilômetros de terra, no entorno do autódromo.

    Bmw R 12 Gs Roberto Dutra (2)
    A BMW R12 G/S tem duas versões, a "standard" e a Option 719 - acima -, que tem pintura e acabamentos diferentes
    Crédito: Roberto Dutra/WM1
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    A BMW R 12 G/S custa R$ 105.900 na versão "normal" e R$ 113.900 na versão Option 719. Antes de analisarmos esses preços, vou contar como é pilotar essa fera.

    O motor é bem conhecido por quem curte as BMW: o dois cilindros contrapostos (boxer) refrigerado a ar de 1.170 cm³, que entrega 109 cv de potência a 7.000 rpm e 11,5 kgfm de torque a 6.500 rpm. É aquele que equipava as big trail R/GS antes de crescer para 1.250 cm³ com comando de válvulas variável e, depois, para os atuais 1.300 cm³ já com refrigeração líquida.

    Bmw R 12 Gs 2026 (23)
    A versão "standard" da BMW R12 G/S tem a clássica combinação de cores branca, azul e vermelha
    Crédito: Divulgação
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    Sim, a novidade usa um motor "antigo". Mas há explicação para isso: a R12 G/S surge como uma opção mais "raiz" de big trail. Não tem modernidades como comando variável, refrigeração líquida e nem mesmo o painel de instrumentos com telona de TFT como as BMW mais modernas - aqui, há apenas um relógio analógico com telinha de LCD. A ideia é ser simples e eficiente.

    Essa proposta é reforçada pelo visual da moto, que é simples e tem forte pegada retrô - clara e assumidamente inspirada na BMW R80 dos anos 1980 e 1990. E, de fato, o conjunto corresponde ao que promete: é uma moto bonita e com jeitão simples, mas ainda tem aquele charme e aquele aspecto "premium" de uma legítima big trail da BMW.

    Bmw R 12 Gs 2026 (4)
    O motor é o conhecido boxer de 1.170 cm³ com refrigeração a ar, que rende 109 cv de potência e 11,5 kgfm de torque
    Crédito: Divulgação
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    Mas é claro que não é uma moto espartana ao extremo. Tem controle de tração, freios com ABS, quickshifter e três modos de condução (Road, Ran e Enduro), tudo controlado/selecionado no punho esquerdo, por aquele "joystick rotativo" que já conhecemos.

    A lista de recursos de fábrica ainda inclui controles de pressão dos pneus, de velocidade de cruzeiro, dinâmico de frenagem, dinâmico de freio-motor, alarme, amortecedor de direção, assistente de partida em rampas (HSC), iluminação full-LED, manetes de freio e embreagem ajustáveis, manoplas aquecidas, chave presencial e tomadinha 12 Volts.

    O painel tem um mostrador analógico para o velocímetro e uma telinha de LCD para informações adicionais
    Crédito: Roberto Dutra/WM1
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    A versão Option 719 tem, a mais, manetes de freio e embreagem, pedaleiras, capas das bobinas, bocal do tanque e tampas das válvulas com acabamento diferenciado. E a exclusiva cor "Sandrover Matt" com detalhes vermelhos combinada com o chassi pintado na cor vermelha. Mas esta é uma série especial limitada, e terá apenas 60 unidades destinadas ao Brasil.

    Na pista, a R12 G/S entrega o que promete

    Sim, a R12 GS promete e cumpre: é estilosa, divertida e eficiente. Porém, me pareceu menos ágil do que a R 1300 GS padrão - provavelmente devido a mudanças no chassi, principalmente na área do "pescoço", lá na frente, que ficou um pouco mais alto. O guidão poderia ser mais estreito e, talvez, um pouco mais alto. Mas isso é para o meu gosto e tamanho (1,70 metro de altura). Em motos, a ergonomia é bem mais "sensível" ao tamanho do condutor do que nos carros.

    Mas uma coisa é certa: na R12 G/S, o banco é um destaque. Se, à primeira vista, parece pequeno, fino e desconfortável, no uso é exatamente o contrário: surpreende pelo alto nível de conforto que proporciona e pela anatomia bem projetada. Aqui, os olhos vêem uma coisa, mas o corpo sente outra. No geral, a posição de pilotagem é satisfatória.

    Na pilotagem, a R12 G/S é eficiente, divertida e até mais confortável do que parece. No asfalto, a moto vai muito bem!
    Crédito: Divulgação
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    O motor responde prontamente aos comandos do piloto e enche rapidamente. Como faz desde sempre, trabalha melhor em giros médios para altos. E continua surpreendendo pelos baixíssimos níveis de ruídos e vibrações. No asfalto, as curvas são feitas com bastante segurança e as frenagens, idem. Não há sustos e o controle da moto é total.

    Já na terra a história foi outra. Ainda que este repórter aqui não seja - nada - especialista em off-road e que tenha visto os pilotos profissionais da BMW que acompanharam o test-ride brincando com a moto como se fosse uma pequena trail de 125 cilindradas, a R12 G/S não é exatamente adequada ao uso no off-road.

    A moto tem vão livre para isso - de ótimos 24 cm -, rodas apropriadas, raiadas e com aros de 21 polegadas na frente e 17 polegadas atrás, suspensão dianteira com tubos invertidos e ajustes de pré-carga, compressão e retorno, e suspensão traseira com ajuste na pré-carga. E, ainda, um belo protetor de cárter.

    A R12 G/S encara um off-road, mas esse não é seu melhor lugar - os pneus para asfalto não ajudam
    Crédito: Divulgação
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    Mas os pneus escolhidos sequer são para uso misto: são para asfalto. Isso quer dizer que rodar com essa moto na terra, na configuração original de fábrica, não é exatamente uma brincadeira - principalmente para quem não é especialista.

    Naturalmente iss tem solução: basta trocar os pneus.

    Com "calçados" cravudos, é certo que a R12 G/S terá um comportamento muito mais adequado em pisos irregulares, esburacados ou arenosos. A BMW diz que a escolha se deu pela própria demanda do mercado - apenas uns 10% dos compradores desse tipo de moto vão para o off-road. Se é assim, então faz sentido. Mais do que nosso test-ride com mais terra do que asfalto...

    A suspensão dianteira tem tubos invertidos e ajustes de pré-carga, compressão e retorno
    Crédito: Divulgação
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    E os preços, compensam?

    Se formos pensar apenas em produto, não. Aí a conta não fecha. A BMW R12 G/S é estilosa, divertida e eficiente, mas o conjunto da obra não justifica os R$ 105.900 da versão "standard" ou os R$ 113.900 da versão Option 719. Basta lembrarmos que a BMW R1300 GS começa em R$ 107.900 na versão básica, que já é bem equipada, e custa R$ 132.900 na versão Option 719 Tramuntana, que tem rodas raiadas e é ainda mais completa.

    Afinal, a R12 G/S "standard" é R$ 2.000 mais barata que a R 1300 GS "básica" e R$ 27.000 mais barata que a R 1300 GS Tramuntana. Já a R 12 G/S Option 719, de R$ 113.900, é R$ 8.000 mais cara que a R 1300 GS mais em conta, porém, R$ 19.000 mais barata que a R 1300 GS Tramuntana.

    O quadro pintado na cor vermelha é uma das bossas da série limitada Option 719
    Crédito: Divulgação
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    O caro leitor pode pensar que as diferenças nos preços são relevantes, mas nesse segmento de motos e valores - dentro de uma mesma marca, importante destacar - não são tanto quanto em outras categorias, que têm preços mais baixos e  ada R$ 1.000 pode mudar tudo. Aqui, s´faz diferença quando se compara com modelos de outras marcas.

    Por exemplo, uma concorrente direta da BMW R12 G/S, a Triumph Scrambler 1200, custa de R$ 80.190 a R$ 82.490. São R$ 25.710 de diferença, na largada - e a inglesa é bem equipada. Aí o comprador desse tipo de moto, se não é fã de carteirinha de apenas uma marca, já vai fazer contas.

    Mas voltemos à linha BMW. Ficou confuso? Vou montar a "escadinha":

    • BMW R12 G/S "standard" - R$ 105.900
    • BMW R 1300 GS "standard" - R$ 107.900
    • BMW R12 G/S Option 719 - R$ 113.900
    • BMW R 1300 GS Option 719 Tramuntana - R$ 132.900
    • O que vemos aí é um posicionamento esquisito de preços. E que, levando-se em conta apenas o produto, não torna a R12 G/S uma escolha racional. Afinal de contas, com apenas R$ 2.000 ou, ainda, com mais significativos R$ 19.000, você leva para casa uma R 1300 GS. Que é, essa sim, uma tremenda "nave" - bem equipada, mais moderna e com mais desempenho.

      O banco da R12 G/S parece pequeno e fino, mas surpreende: é macio e confortável
      Crédito: Roberto Dutra/WM1
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      Mas o pulo do gato é outro...

      Acontece que a conta da R12 G/S não é racional. Isso porque essa fatura inclui não apenas o produto - a moto -, mas também a força e o "glamour" da marca BMW e o apelo do modelo, que remete à histórica R80 de décadas passadas. Inclusive - e principalmente - na sublime combinação de cores branca, vermelha e azul da versão standard. Ao que tudo indica, foi a soma desses três fatores que levou a BMW a precificar a R12 G/S.

      Vai vingar? Bem, a R12 G/S pode não ser a moto mais interessante ou dinamicamente mais empolgante da BMW, mas certamente encontrará seu público: aqueles que não vão usá-la no off-road, mas vão curtir o estilão e o bom desempenho somados à história que o modelo representa.

      As informações na telinha de LCD são selecionadas por esse "joystick" rotativo no punho esquerdo
      Crédito: Divulgação
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      Boa notícia: na compra, a taxa de juros pode ser zerada

      O início de produção da BMW R 12 G/S em Manaus (AM) concluiu o ciclo de produção dos modelos previstos para 2025 na fábrica do BMW Group na capital manauara. Nesta fase de lançamento, a BMW Motorrad oferece condições exclusivas e especiais de pré-venda, com entrada de 60% e saldo em 24 meses com taxas de juros a partir de 0%.

      O comprador ainda pode ter até 50% de desconto na compra de um novo capacete da linha GS. E, se houver moto usada entrando no negócio, a marca promete uma supervalorização de até R$ 5.000.

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