AC/DC: ride de mulheres celebra vida após o câncer

Mulheres curadas e ainda em tratamento do câncer foram convidadas para serem garupas em passeio de moto por São Paulo

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Karina Simões
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No último domingo, 21, saí de casa cedinho para uma ação diferente. Capacete, jaqueta e a chave de uma Triumph Bonneville T120 nas mãos. O destino foi o Johnnie Wash, bar, lava-rápido e oficina de customização de motos localizado na Vila Olímpia, Zona Sul de São Paulo. A decoração dark do local ganhou nuances diferentes nesse dia: o cor-de-rosa dos lenços e camisetas das 100 mulheres que estavam presentes para um ride pra lá de especial, o "AC/DC – Lições que aprendemos antes e depois do câncer".

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Legenda: A fachada do Johnnie Wash ganhou tons de rosa no domingo, 21 de outubro
Crédito: Arthur Seraphim

A data escolhida não foi por acaso, neste mês acontece o Outubro Rosa, um movimento de adesão mundial que visa estimular a luta contra o câncer de mama. O evento, que está na segunda edição, reuniu 100 mulheres entre pilotos de motocicleta, pacientes em tratamento e mulheres que venceram o câncer.

A mulherada foi recebida com um café-da-manhã seguido de um bate-papo com profissionais da área da saúde para promover a conscientização sobre a doença - considerada o segundo tipo de câncer com maior incidência no mundo -, a prevenção e também discutir como é a vida das mulheres que lutaram contra a doença e estão seguindo em frente.

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Legenda: Dr. Guilherme Rossi tirou dúvidas das mulheres
Crédito: Arthur Seraphim

O câncer de mama é o desenvolvimento anormal das células da glândula mamária, que multiplicam-se repetidamente até formarem um tumor. É o tipo de cãncer mais comum entre as mulheres.

Uma das palestrantes foi Anna Maria Mello, escritora e ativista social pela conscientização e combate ao câncer de mama. Ela descobriu um nódulo no seio aos 47 anos ao fazer o autoexame e foi diagnosticada com um câncer de mama de alta agressividade (triplo negativo, grau 3).

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Legenda: Talu Jamel e Anna Maria Mello
Crédito: Arthur Seraphim

Anna passou por quatro cirurgias e, devido a complicações, não pode ter a mama reconstruída. A escritora contou do processo de descoberta da doença, da queda dos cabelos e de como suas duas filhas reagiram a tudo aquilo. Isso a inspirou a lançar seu primeiro livro infantil, "Cabelos Vão, Cabelos Vêm – O que é que a mamãe tem?", da Chiado Editora, para ajudar outras mulheres neste doloroso processo.

As demais palestrantes foram a Dra. Rubianne Medrano, psicóloga clínica e do esporte, pós-graduada em psicologia hospitalar, bio e neurofeedback e Talu Jamel, fisioterapeuta, coordenadora do grupo de apoio do Instituto Espaço de Vida e idealizadora do projeto Pitada Positiva, que leva informações sobre direitos dos pacientes oncológicos, além de dicas de como passar de forma positiva pelo câncer. Talu foi diagnosticada com câncer em 2015 e inspirou outras mulheres contando sua história. “Antes do câncer eu não tinha vaidade, hoje eu me considero uma mulher muito melhor em todos os aspectos”, disse.

 Mulherada reunida para o AC/DC
Legenda: Mulherada reunida para o AC/DC
Crédito: Arthur Seraphim

O Dr. Guilherme Rossi, radiologista com foco na área de diagnóstico da mama, tirou diversas dúvidas e explicou às mulheres a importância diagnóstico precoce através do autoexame e da realização da mamografia a partir dos 40 anos. “O câncer de mama é a doença da tristeza, por isso não hesitem em ser felizes, mulheres”, disse o médico antes de sairmos para o passeio.

Foi uma troca de experiência muito rica entre as mulheres. As que estão no processo de retomada de suas vidas, agora curadas, sentem-se mais fortes e corajosas para viver novas experiências, como estar na garupa de uma motocicleta e sentir a liberdade que as duas rodas proporcionam.

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Legenda: Motociclistas e pacientes cruzando a Ponte Estaiada, em São Paulo
Crédito: Arthur Seraphim

As mais de 60 motos fizeram um trajeto de cerca de meia hora por São Paulo, passando por locais emblemáticos da cidade como o Parque do Ibirapuera e a Ponte Estaiada, com a escolta do 2º Batalhão de Polícia do Exército.

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Legenda: Cinthia Morales levando uma paciente e a jornalista Karina Simões com Rosana Souto na Triumph Bonneville
Crédito: Arthur Seraphim

Na minha garupa estava Rosana Souto, de 55 anos, que ficou um ano em tratamento do câncer e se curou em 2015. “Depois da doença, passei a ver a vida de outra forma, quero aproveitar cada momento”, disse Rosana, emocionada, na garupa da Bonneville. Entre lágrimas emocionadas, gritos de alegria, braços abertos para sentir o vento, acenos e aceleradas, fiz um dos rides mais gratificantes da minha vida, onde pude transferir para outra pessoa que está querendo viver como nunca, um pouquinho do que nós, motociclistas, sentimos cada vez que saímos de moto por aí. Ano que vem tem mais!

 Ricardo Medrano e o time de organizadoras do evento: Vivi Vieira, Rosa Freitag, Jeska, Eliana Malizia, Ju Medrano, Cinthia Morales, Eli Miranda e Karina Simões
Legenda: Ricardo Medrano e o time de organizadoras do evento: Vivi Vieira, Rosa Freitag, Jeska, Eliana Malizia, Ju Medrano, Cinthia Morales, Eli Miranda e Karina Simões
Crédito: Arthur Seraphim

Realização:

Johnnie Wash

Apoio:

Webmotors

Capacetes MT Axxis

Häagen-Dazs

Café Três Corações

Ci & Ci Delícias

Nova Medicina Diagnóstica

Fotógrafo:

Arthur Seraphim

 

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