A Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave) estima que o País alcance 2,070 milhões de motos produzidas e 2,41 milhões de motos emplacadas em 2026. Volume que, caso se confirme, representará um crescimento projetado de 10% sobre o recorde de 2025.
Vendas de peças crescem a reboque
Com esse aumento nas vendas de motos, crescem também as vendas de peças de reposição. E as baterias de motos estão nesse pacote. Então vale a pena conhecer algumas dicas valiosas de manutenção e, também, novidades como a chamada "goteira elétrica". O caro leitor já ouvir falar disso? Não? Então vamos lá.O crescimento do mercado de motos eleva a exigência técnica sobre baterias e expõe erros comuns de manutenção. Para saber mais, falamos com especialistas da fabricante de baterias Moura, que é líder nesse mercado de reposição, com 26% de participação.
A Moura produz baterias para motos no Brasil, em Belo Jardim (PE). E não só para reposição, mas também para as linhas de montagem de motos zero-quilômetro de marcas como Harley-Davidson, BMW, Triumph, Kawasaki e Dafra/SYM.
Cuidados na hora da compra
Para começar, é preciso cuidado na hora da compra da bateria. Segundo Pedro Vitor, da área de engenharia da Moura, a primeira atenção é visual. Se a bateria tiver alguma marca de queda, deve ser descartada. Além disso, ele recomenda uma inspeção para ver se há alguma oxidação e, também, verificar a tensão da bateria no momento da compra. O ideal é que esteja em, pelo menos, 12,6 Volts.Depois disso, é importante não deixar a bateria exposta ao sol. "Altas temperaturas não são boas para baterias, pois podem provocar reação eletroquímica interna", ressalta ele.
Fez isso tudo e instalou a bateria? Pedro Vitor lembra que os parafusos nos bornes devem estar adequadamente apertados. E pondera que uma carga inicial só deve ser aplicada depois de se checar a tensão. "Se estiver abaixo de 12,6 Volts, é bom dar uma carga inicial".
Mais tecnologias trazem mais exigências técnicas
A frota brasileira está ficando maior e mais tecnológica, o que exige sistemas elétricos mais robustos nas motos. E, consequentemente, há um reflexo direto nas baterias. Tanto que, atualmente, ocorre uma transição acelerada para tecnologias de alta performance.Rui Pinto, da área digital de vendas e especialista em baterias de moto da Moura, destaca que há uma expansão importante de mercado para as tecnologias de Válvula Regulada (VRLA) e Absorbed Glass Mat (AGM). "Essas baterias são seladas, têm maior corrente de partida e suportam ciclos de descarga mais profundos sem perder a vida útil", explica ele.
Pedro Vitor, da engenharia, alerta para outros cuidados importantes. Por exemplo, nas motos pequenas o aumento de ciclos, decorrente do uso mais intenso e frequente da moto, impacta a vida útil das baterias. Por outro lado, baterias de motos que são usadas apenas de vez em quando, em intervalos longos, também sofrem impacto negativo.
"Bateria tem vida própria e precisa de cuidados. Em moto parada por muito tempo, acontece a descarga espontânea, que é um processo natural. Isso requer do proprietário observar como está acontecendo, para que a bateria não tenha a durabilidade reduzida", afirma ele.
Se a moto ficará parada durante 20 dias ou mais, por qualquer motivo, a recomendação é retirar os cabos para evitar fuga de corrente e não ter a carga drenada.
Ele acrescenta que bateria de moto que roda pouco pode sofrer danos. Aí, deve-se checar carga e a tensão a cada 90 dias. Se estiver abaixo de 12,6 Volts, vale fazer a recarga. O engenheiro lembra que, abaixo de 12,4 Volts, a bateria começa a ter reações que formam sulfatos desproporcionais.
"A partir de certo momento, torna-se irreversível. A ciclagem depende bastante dos cuidados. Com os cabos desconectados também há perda de carga, mas é bem menor - uma queda controlada e natural", explica ele.
Já a bateria da moto que é usada intensamente, com partidas frequentes e consecutivas, naturalmente terá um ciclo de vida útil reduzido. É o caso de quem usa a moto para trabalhar, com uso severo. No meio do caminho, quem usa a moto com relativa frequência, sem ser diariamente, mas não apenas de vez em quando, provavelmente terá a bateria com maior vida útil.
O risco de sulfatação em motos paradas
A sulfatação é uma derivação da reação a bateria. Na bateria carregada, ocorre uma reação química. Quando a bateria começa descarregar, essa reação se inverte e há um acúmulo de sulfato. Esse processo acaba levando a bateria à descarga completa. "Na maioria das vezes é possível resolver com uma recarga, mas se a bateria passar muito tempo descarregada, aí é mais difícil de reverter", explica o engenheiro.Aqui, vale outro alerta: muitas vezes a bateria descarrega mesmo com a moto em uso frequente. Aí, o problema muito provavelmente não é da bateria - mas da carga ineficiente, que pode ser resultado de problemas no estator ou no regulador de voltagem. "É o que chamamos de diferença entre bateria descarregada e sistema de carga ineficiente", diz Pedro Vitor.
Battery tender: usar ou não?
Muitos proprietários de motos usam o chamado mantenedor de carga - ou battery tender. É um dispositivo que conecta a bateria da moto a uma tomada comum, com um transformador no meio do caminho. Serve para manter a carga da bateria no nível adequado, mesmo que a moto fique parada por bastante tempo.Pedro Vitor diz que não há problemas no uso, mas recomenda aqueles que são "inteligentes", de 14,8 Volts, que efetivamente apenas mantém a carga, sem fornecer corrente alta - que pode causar danos. "Tem que ser tensão constante, próxima à que você encontra no estator da moto. A melhor opção é o carregador inteligente", pondera.
"Goteira elétrica": que bicho é esse?
E, por fim, chegamos à misteriosa "goteira elétrica". Mas o que é isso? O nome vem do mesmo conceito de uma goteira de água de alguma torneira que, mesmo completamente fechada, continua pingando. Mas, aqui, o "vazamento" é de energia.Esse problema se tornou bastante comum atualmente, justamente porque as motos e similares têm cada vez mais recursos, dispositivos e acessórios elétricos e/ou eletrônicos. E cada um deles, necessariamente, drena energia.
É a famosa fuga de corrente, que pode acontecer tanto pelos recursos de fábrica da moto, como também por acessórios instalados posteriormente - caso de rastreadores, alarmes, GPS, tomadas USB etc. Alguns desses dispositivos drenam a carga da bateria, mesmo quando a moto está desligada.
"Quando a moto vem de fábrica com um USB, por exemplo, sua energia é cortada quando a moto é desligada. Mas quem instala depois muitas vezes o faz direto na bateria. É uma forma de drenagem rápida da bateria. É importante instalar pós-chave. E, mesmo assim, é bom verificar se não há fuga de corrente", alerta Pedro Vitor.
Rui Pinto acrescenta que mesmo pequenos consumos contínuos podem comprometer baterias de baixa capacidade em poucos dias: "O que parece irrelevante em miliampères pode ser decisivo quando a moto fica parada", alerta ele.
Conhecimento técnico é necessário
O especialista em baterias de moto da Moura também ressalta que o próprio mercado de baterias de reposição de motos precisa migrar da "lógica de substituição" para a "lógica de diagnóstico técnico". Isso porque muitas vezes a troca é feita diante de uma aparente falha ou morte da bateria, mas o problema real está na moto."Com o mercado em expansão, é preciso uma atuação profissional mais intensificada, que saiba a diferença entre bateria descarregada e sistema de carga ineficiente, que use como referência técnica de medição em repouso a marca de 12,6 Volts, que saiba o papel do regulador e do estator nas trocas precoces e que saiba explicar os critérios de escolha entre AGM e VRLA, conforme a aplicação", finaliza Rui Pinto.
Baterias de motos: o que você nem imaginava
As baterias de motos têm algumas curiosidades que pouca gente conhece. Confira abaixo algumas delas, e também outras sobre a Moura, que é líder no segmento:- No caso da Moura, 100% da baterias são recicladas
- Baterias de chumbo são um dos produtos mais recicláveis do mundo: perdem apenas para latinhas de alumínio
- No Brasil, por lei, cada tonelada produzida implica em uma tonelada reciclada
- A Moura tem uma metalúrgica e uma fábrica de plástico, ambas em Belo Jardim (PE), que fazem essa reciclagem completa
- O mercado de reposição de baterias de motos cresceu 30% em 2025, em relação a 2024
- A Moura produz cerca de 2 milhões de baterias para motos por ano, no Brasil. Se somar a produção para carros, motores estacionários, no breaks e etc, são cerca de 11 milhões de baterias por ano
- Carga inicial na bateria? Só se for necessário, com carga abaixo de 12,6 Volts
- A Moura tem um serviço chamado de Moura Fácil Moto, que é uma plataforma de venda online para o mercado de reposição que proporciona entregas em domicílio em até 50 minutos a partir do distribuidor, com instalação
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