Coluna do Tite: chove, chuva

Antes, durante e depois da tempestade
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Geraldo Simões
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– Motociclista prevenido sempre anda com um abrigo de chuva por perto, principalmente durante os períodos das chamadas estações chuvosas, que variam de acordo com cada região. Para aqueles que enfrentarão estrada durante o período de alto índice pluviométrico, podem se preparar antes mesmo de a chuva cair, começando pela forma de armazenar suas bagagens na mochila.
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Existe um provérbio que diz “nunca coloque todos os ovos numa mesma cesta”. Ao preparar a bagagem deve-se separar diversos montes de roupas e colocá-las em vários sacos plásticos como os de lixo. Depois ponha tudo dentro de um saco plástico maior. Desta forma, se houver um vazamento, é pouco provável que molhe todas as roupas. O mesmo vale para equipamento fotográfico, documentos, dinheiro, enfim tudo deve estar devidamente embrulhado. Uma boa idéia é usar aqueles práticos plásticos tipo Zip-Lock com fecho hermético para guardar documentos, máquina fotográfica e telefone celular.

O motociclista pode se proteger utilizando os equipamentos especialmente criados para rodar na chuva, mas também complementar quando souber antecipadamente que terá muita água pela frente. As extremidades do corpo são as que mais sofrem. Tem nada pior do que a sensação de estar com as botas completamente encharcadas, entrar em uma churrascaria e ficar todo mundo olhando aquele ser vestido como se fosse uma imensa camisinha e fazendo “chap-chap” enquanto caminha. As velhas galochas de borracha são totalmente à prova d’água mas não protegem do frio nem de escoriações em acidentes. Aí vem um dos macetes adquiridos depois de muitas chuvas: antes de vestir as galochas recheie o interior com jornal. Aliás, o jornal também serve para tampar eventuais vazamentos no abrigo viu porque a Internet nunca vai substituir a mídia impressa?.

Outro macete é adotar as luvas de borracha, que as donas-de-casa ou maridos bonzinhos usam para lavar louças, por cima das luvas de couro. Estas luvas de borracha têm o punho mais longo e podem ser colocadas por cima do casaco para evitar a infiltração por dentro da manga.

Em viagens, com ou sem chuva, o capacete integral fechado é sempre mais aconselhável, mas quando há chuva, a viseira costuma embaçar por dentro e a névoa de água espirrada dos outros veículos suja por fora. Já existem produtos anti-embaçantes para passar por dentro da viseira, enquanto na parte de fora pode-se passar um lustra-móveis. Mas note que eu escrevi LUSTRA MÓVEIS e não óleo de peroba como alguns doidos varridos entenderam e saíram divulgando. O lustra móveis deve ser aplicado e retirado com algodão. A viseira ficará tão polida que a água não mais acumulará.

Pilotagem
A água é o mais antigo redutor de atrito que a Humanidade conhece. Mas não é tanto quanto se pensa. Ela reduz apenas 30% do atrito. Mas, então por que todo mundo diz para reduzir a velocidade e ficar mais esperto? E por que aumentam os acidentes de trânsito quando o piso está molhado? Não é culpa 100% da água, mas da SUJEIRA do asfalto que se mistura com a água. Antes de mais nada, convém lembrar de que os primeiros minutos de chuva são os mais perigosos, porque a água se mistura com a terra, óleo e todo tipo de detrito que estão no piso, formando uma pasta muito escorregadia. Depois de uma boa tempestade, o asfalto fica lavado e a aderência melhora.

Na cidade existem algumas armadilhas escondidas sob a água. Por exemplo, os córregos que foram canalizados, e que depois de uma chuva forte transbordam, arrancando as tampas de bueiros e bocas de lobo. Sempre que o motociclista encontrar uma avenida coberta de água, mesmo que de baixa profundidade, convém mudar de caminho, ou esperar a água escoar um pouco, para evitar uma surpresa desagradável de sentir o chão sumir sob a roda dianteira.

Rodando no trânsito, o motociclista precisa ficar duplamente atento aos carros que vão à frente e os que vêm de trás. Lembre-se que os espaços de frenagem aumentam quando o piso está molhado. Para os motociclistas urbanos uma dica extra: NUNCA parar sob viadutos, nem acostamentos, esperando a chuva passar, porque na chuva a visibilidade diminui não apenas para os motociclistas, mas para os motoristas também. Se quiser parar, faça em local seguro,

Na estrada existe a vantagem ou desvantagem de se perceber a chuva com uma certa antecedência. O tempo vai ser diretamente relacionado com a direção em que o motociclista roda, se contra ou a favor das nuvens negras. Pelo menos dá para se preparar para a tromba. A informação sobre os primeiros minutos de chuva também vale na estrada, que ainda tem o agravante de ser mais oleosa por causa da grande quantidade de caminhões e ônibus vazando óleo do motor.

O motociclista deve reduzir em cerca de 20% a velocidade e escolher o lugar da pista onde passam os pneus dos carros, que geralmente tem menos água acumulada. Sempre guardando uma distância segura do veículo que vai à frente. Os pneus de carro deslocam muito mais água do que os de moto e funcionam como rodos que enxugam e limpam a estrada pra gente.

Evidentemente os pneus devem estar em bom estado para quebrar a camada de água do piso. Para saber se os pneus estão cumprindo o seu importante papel, evitando a aquaplanagem. O motociclista pode consultar pelos espelhos retrovisores se aparece nitidamente a marca dos pneus no chão. Se houver interrupções, é sinal de que a moto está passando da velocidade segura.

Acha que a situação é ruim? Pois nada estão tão mal que não possa piorar! Confira a continuação dessa coluna na próxima segunda-feira!

As opiniões expressas nesta matéria são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.
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Geraldo Tite Simões é jornalista, instrutor de pilotagem e ministra o Curso SpeedMaster de Pilotagem com apoio de Honda, Pirelli, Tutto e Shoei. www.speedmaster.com.br

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